O Ariel agora carrega uma noite que só ele lembra, com alguém que nem nome tem. Isso vai pesar mais que o marido frio de sempre.
Meu terceiro conto de fadas
Pensamento
O Ariel agora carrega uma noite que só ele lembra, com alguém que nem nome tem. Isso vai pesar mais que o marido frio de sempre.
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Sexta-feira, 05/01/2024
Abro a porta do quarto e entro. O lugar está vazio; a cama ainda está desarrumada. Sem pensar muito, começo a arrumá-la, buscando qualquer distração para minha mente tumultuada. As dúvidas me consomem. E se a poção realmente o transformou? E se, no fundo, tudo isso for culpa minha?
Enquanto ajeito o lençol, o cansaço me domina. Deito-me na cama por um momento, apenas para descansar os olhos, mas o sono me vence.
Minutos - ou talvez horas - depois, sinto algo quente e suave tocar meus lábios. Abro os olhos e fico paralisado.
Victor está me beijando.
Seu rosto está tão próximo do meu que posso sentir sua respiração. Seus olhos, antes frios e distantes, agora me observam com doçura. Não consigo me mover e, por impulso, retribuo o beijo, deixando-me envolver completamente pelo momento.
Quando ele se afasta, sussurra:
- Eu te amo, Min-jae.
As palavras atingem meu coração como uma lâmina.
- Min-jae? - pergunto, frustrado e confuso.
- Desculpa... Seu nome é Ariel. Ariel. Não vou mais errar - diz Victor, sem jeito.
- Quem é Min-jae? - questiono, apreensivo.
- É o meu amor - responde Victor, com carinho. - É que você se parece muito com ele.
- Mas eu não sou ele - digo, claramente irritado. - Se for me beijar pensando nele, então nem me beije.
- Devo confessar que te beijei pensando nele - admite Victor, olhando-me com ternura. - Mas agora confesso que me apaixonei por você.
- Ai, meu Deus... - murmuro, sentindo meu rosto ficar vermelho.
- Você é a reencarnação do meu amor - diz Victor, tocando meu rosto com delicadeza.
- Mas e se eu não for a reencarnação de Min-jae? - pergunto, apreensivo.
- Você é ele. Eu sinto isso. Mas, se por acaso eu descobrir que não é... vou ter que pedir desculpas ao Min-jae - diz Victor, com um leve sorriso. - Porque eu já me apaixonei pelo Ariel.
- Você é tão fofinho... - digo, todo bobo, enquanto o abraço.
Talvez isso seja resultado da poção do amor. Ela o transformou completamente. O Victor frio e cruel parece ter desaparecido.
- Você é muito mais... - diz Victor antes de me beijar.
Começamos a nos beijar intensamente. Não acredito que estou beijando Victor - o homem frio como gelo - agora me beijando com tanta paixão. Isso significa que as poções do livro realmente funcionam.
- Victor! - diz o pai dele, assustado, ao abrir a porta e nos ver.
Nós nos afastamos rapidamente.
- Bom dia, senhor - digo, sem graça.
- Vocês parecem até recém-casados - comenta o pai de Victor, tentando disfarçar o constrangimento.
- Pai, eu quero ir embora deste lugar - diz Victor, segurando minha mão.
- Você bateu a cabeça. Precisa fazer exames - responde o pai, preocupado. - Ainda não sabemos até quando você vai ficar assim.
- O médico disse que só o tempo dirá - acrescenta Carlos.
Olho para Victor e tento convencê-lo:
- Faça os exames, Victor. Depois vamos para casa.
Ele aperta minha mão com suavidade.
- Tudo bem. Se é o que você deseja, farei tudo o que me pedirem - responde ele.
Domingo, 07/01/2024
O médico manteve Victor por mais dois dias no hospital e realizou todo tipo de exame. Todos os resultados deram normais, o que o deixou extremamente intrigado.
Victor despertou com uma nova personalidade - a de uma figura do passado, que não conhece nada do mundo moderno. Foi como se alguém tivesse viajado no tempo e trazido o príncipe herdeiro para o futuro.
A manhã mal começava, e eu estava no carro com Victor. Ele olhava pela janela como se cada detalhe da rua fosse a coisa mais incrível do mundo. Seus olhos brilhavam; parecia uma criança descobrindo o mundo pela primeira vez.
- Uau, isso é incrível! - exclamou, enquanto observava tudo pela janela do carro.
Quando chegamos em casa, Victor começou a explorar o ambiente com a curiosidade de alguém que nunca estivera ali antes. Ele observava e tocava cada objeto, cada detalhe da decoração, como se tudo fosse uma novidade absoluta.
Ele passou o dia inteiro explorando a casa. Mexeu na geladeira, no fogão, no micro-ondas e em tudo o que encontrava pela frente. Cada objeto que pegava, perguntava o nome e para que servia. O que ele mais gostou foi a televisão do quarto. Ficou completamente fascinado quando eu a liguei.
Nós nos deitamos na cama e passamos o dia assistindo a um filme, agarradinhos. Ainda não acredito que, finalmente, estou vivendo momentos de casal com ele.
- O futuro é realmente incrível - diz Victor, enquanto faz carinho no meu cabelo. Estou com a cabeça apoiada em seu peito.
O filme termina, e Victor começa a me olhar de um jeito que me deixa sem graça.
- Por que está me olhando assim? - pergunto, envergonhado.
- É que você é muito fofo... e eu não estou mais conseguindo me conter - diz Victor, antes de me beijar.
Começamos a nos beijar novamente, e logo sinto suas mãos me puxando para mais perto.
- Victor... - digo, surpreso.
- Vamos nos amar - sussurra ele, antes de distribuir beijos suaves pelo meu pescoço.
Meu coração dispara.
Não acredito... será que isso está mesmo acontecendo?
Em um piscar de olhos, percebo que já estamos sem roupa. Fico observando o corpo de Victor; é a primeira vez que o vejo assim, completamente despido diante de mim.
Ele não perde tempo, e logo começamos a fazer amor.
No início, sinto um leve desconforto, mas aos poucos meu corpo se ajusta, e tudo se transforma em uma mistura intensa de sensações e emoções.
Quando finalmente terminamos, permanecemos deitados na cama, ofegantes.
Foi a minha primeira vez.
E foi melhor do que eu imaginei - cada segundo, cada toque, cada suspiro.
Segunda-feira, 08/01/2024
Abro os olhos e percebo que estou completamente entrelaçado a Victor. Seus braços estão ao meu redor, segurando-me com firmeza, como se tivesse medo de que eu fugisse durante a madrugada. Ele ainda dorme profundamente. Fico fazendo carinho nele até que, finalmente, ele abre os olhos.
- Você finalmente acordou - digo, com um sorriso.
Mas algo está errado. Victor arregala os olhos ao me ver.
- O que significa isso? - grita, dando um pulo da cama. Rapidamente, cobre-se ao perceber que está sem roupa. - Por que você está no meu quarto?
Algo está muito estranho. Victor voltou a falar friamente.
Ah, não... meu marido frio e narcisista voltou.
- Você não se lembra de nada? - pergunto, apreensivo.
- Só me lembro de ter voltado da Coreia - diz Victor, pensativo. - Agora me responda: por que eu estou pelado? O que você fez comigo?
- Qual das coisas? A gente fez tantas ontem... - respondo, levantando-me e me cobrindo com o lençol.
- Quero que saia do meu quarto - diz ele, friamente. - Você sabe que não tem permissão para entrar aqui.
- Está bem, então, querido - digo em tom de deboche, enquanto saio do quarto.
Que droga... não pode ser. Ele voltou a ser o idiota sem emoções de sempre. Eu quero meu príncipe herdeiro de volta.
Vou para o meu quarto e tomo um banho. Enquanto a água escorre pelo meu corpo, fico pensando se tudo o que vivi foi apenas um sonho... ou fruto da minha imaginação.
Desço as escadas e me sento à mesa.
- Como o senhor Victor está? - pergunta a empregada, enquanto coloca a garrafa de café sobre a mesa. - O Carlos me disse que ele está diferente.
- Foi temporário. Ele já voltou a ser o mesmo idiota de sempre - respondo, frustrado, enquanto sirvo café na xícara.
- Quem você está chamando de idiota? - diz Victor friamente, entrando na cozinha.
- Que frio... - brinco, abraçando a mim mesmo. - Esqueci de vestir meu moletom.
- Bom dia, senhor - cumprimenta a empregada.
- Bom dia - responde Victor, sentando-se à mesa. - Estou confuso... O que houve comigo? Olhei a data e... como assim eu dormi por quatro dias? - pergunta, atônito.
- Na sexta-feira você sofreu um acidente, bateu a cabeça e, quando acordou, estava com outra personalidade - explico, antes de dar um gole no café. - Na sua mente, você era o príncipe herdeiro da Coreia.
- Para de mentir! - retruca Victor, incrédulo.
- O que ele disse é verdade - afirma o pai de Victor, entrando na cozinha.
- Isso só pode ser uma piada - diz Victor, passando a mão pelo cabelo.
- Não é piada. Eu vi como você estava - responde o pai, sentando-se também. - Mas vejo que agora já voltou ao normal.
Logo em seguida, Carlos chega.
- Isso é verdade mesmo? - Victor pergunta a ele.
- Sim, senhor. O senhor desenvolveu outra personalidade.
Victor não diz nada. Apenas encara a xícara de café por alguns segundos. Depois, lança-me aquele velho olhar frio - nem sinal do meu príncipe fofinho.
- Estou indo para a empresa - diz Victor, levantando-se. - Quando eu voltar, vamos conversar, Ariel.
Ele me lança um último olhar antes de sair. Logo em seguida, Carlos o acompanha.
- Eu ainda estou aqui, seu moleque! - diz o pai de Victor, irritado.
- Tchau, pai - responde Victor, sem olhar para trás, enquanto vai embora.
Provavelmente ele quer falar sobre a noite intensa que tivemos. Na verdade... a noite que eu tive com o... Para falar a verdade, nem sei o nome do príncipe.
Victor não faz ideia do que aconteceu ontem.
E só de lembrar, sinto meu rosto corar.
Thoughts
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PermalinkRapaz, o Victor só lembra de ter voltado da Coreia, e o príncipe que tomou o corpo dele era herdeiro da Coreia. Essa viagem tem coisa, aposto que o Min-jae saiu de lá.
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PermalinkO Ariel agora carrega uma noite que só ele lembra, com alguém que nem nome tem. Isso vai pesar mais que o marido frio de sempre.
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Permalinko que aconteceu no primeiro?
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Sexta-feira, 05/01/2024