Sexta-feira, 05/01/2024
Meu coração está acelerado. Eu não sei onde estou. Que lugar estranho é este? Quem são essas pessoas? Por que estão vestidas com roupas tão diferentes? Como vim parar aqui?
A única coisa de que me lembro é de ter ido para meus aposentos e adormecido.
Sinto meu corpo pesar, e então tudo fica escuro.
Minhas lembranças começam a voltar - principalmente dele, Kim Min-jae, meu amor. Lembro perfeitamente do momento em que o conheci. Quando o vi, senti meu coração aquecer, mesmo sendo um homem. Min-jae era educado e tratava todos com respeito, e foi isso que me fez apaixonar-me, mesmo sabendo que era proibido.
Nosso primeiro beijo foi um acidente, mas marcou nossas vidas. Min-jae tropeçou, e nós dois caímos no chão. Ele caiu sobre mim, e nossos lábios se tocaram. Nossos olhos se arregalaram. Estávamos sozinhos na biblioteca real.
Tentamos fingir que nada havia acontecido, mas foi impossível. O beijo mexeu conosco. Logo percebi que não era o único a sentir o coração disparar.
Depois disso, passamos a nos amar intensamente - até o dia de nossa morte.
Havia uma guerra. No meio do caos, o inimigo atravessou a espada em nós dois. Fomos empalados contra uma árvore.
A sensação do meu peito queimando volta com força.
Min-jae Puxa o punhal que estava escondido em suas vestes. Mira e atinje em cheio o peito do inimigo.
- Até o jeito como você me fere é suave. - diz Hyeon-um, enquanto puxa o punhal do próprio peito.
De repente, a espada é arrancada da árvore e voa diretamente para a mão dele.
- Aaaagh! - eu e Min-jae gritamos de dor quando a espada sai. Caímos para frente.
- Você é um assassino maldito. - digo com dificuldade.
- Infelizmente, eu me tornei um assassino. É a vida... uns nascem bons, outros nascem maus. - diz Hyeon-um, enquanto se aproxima. - Você causou todas essas mortes, Min-jae. Por que não quis fazer o feitiço para minha mãe?
- A sua mãe é um monstro. Eu nunca ajudaria aquela bruxa a causar mais mal às pessoas. - responde Min-jae.
- Minha mãe agora está morta por culpa de vocês. - diz Hyeon-um, cheio de remorso.
- Nós tivemos que pará-la. - digo, com dificuldade. - Ela estava louca, cheia de ódio... e matou pessoas inocentes.
- A minha mãe não é louca! - grita Hyeon-um, furioso. - Ela só se vingou das pessoas que a fizeram sofrer.
- E essas pessoas que vocês dizem ser inocentes carregam o sangue maldito daqueles que nos fizeram mal. - diz Hyeon-um, tomado pelo ódio.
Sua voz começa a falhar, e ele passa a dizer as palavras com dificuldade.
- O que... é isso? - murmura, com esforço.
Ele começa a cambalear.
De repente, cai de joelhos, suando frio.
- Não acredito... veneno... - murmura, com dificuldade, antes de tombar no chão.
Ele começa a sufocar até que, por fim, não se move mais.
- Conseguimos... - digo com esforço, apoiando o queixo no ombro de Min-jae. O sangue escorre de meus lábios e mancha suas vestes.
- Mas não estamos exatamente em boa forma, não é? - ele brinca, fraco.
- Eu não quero morrer - digo, chorando. - Quero ficar ao seu lado para sempre.
- Acho que só na próxima vida - diz Min-jae, virando o rosto com dificuldade. Ele também está chorando. - Promete que vai me encontrar?
- Eu prometo. Vou te encontrar, e nós vamos ser muito felizes - respondo.
- Príncipe herdeiro, você não pode se esquecer de mim. Precisa se lembrar de mim - diz Min-jae, baixando a cabeça. - Não se esqueça do nosso amor.
Ele fecha os olhos.
- Eu prometo... - sussurro, antes de fechar os meus também.
E tudo fica escuro.
Abro os olhos novamente e estou naquele lugar estranho de antes. Agora eu me lembro. Eu morri... e estou aqui. Então esta é a minha próxima vida?
O homem que vi assim que acordei... é ele. É Min-jae. É o meu amor. Agora eu me lembro.
Mas onde ele está?
Olho ao redor. Há uma mulher vestida de branco e um homem sentado em uma cadeira ao lado da cama.
- Ele acordou - diz a mulher de branco ao perceber que abri os olhos. - Vou chamar o doutor.
Ela sai apressada.
- Filho, você finalmente acordou! - diz o homem, aliviado, aproximando-se de mim.
- Então você é meu pai? - pergunto.
- Sim - responde ele, emocionado.
- Onde está o homem que estava aqui mais cedo? - pergunto, ansioso.
- Você está falando do Ariel? - diz meu pai, arqueando a sobrancelha. - Ele foi para casa tomar banho e trocar de roupa.
- Eu quero vê-lo - digo, apreensivo, enquanto tento me levantar de onde estava deitado.
- Calma, filho. Ele voltará em breve - responde meu pai, tentando me conter.
Nesse momento, um homem entra no quarto.
- Como está se sentindo? - pergunta ele.
- Eu quero ver o Ariel - insisto.
- Victor, acalme-se - diz o homem.
- Victor? - repito, confuso.
- Sim, esse é o seu nome. Você é Victor Castellani - explica meu pai.
Então esse é meu novo nome. Eu não sou mais o príncipe herdeiro Yi Do-hyun. Agora sou Victor Castellani. É um nome estranho... mas é o meu nome nesta vida.
- Vamos tomar um pouco de ar - diz meu pai, ajudando-me a levantar.
Esse novo pai parece mais carinhoso e gentil. Meu antigo pai, o rei, era um homem frio e distante.
Enquanto caminhamos, ele me explica muitas coisas. Fala sobre Min-jae - que agora se chama Ariel.
Nós somos casados.
Ainda não consigo acreditar. Nesta vida, dois homens podem se casar. Mesmo sem lembranças, nós nos reencontramos... e ficamos juntos novamente.
Olho-me através do reflexo da parede. Neste lugar, há muitas superfícies que parecem grandes espelhos. Observo-me atentamente. Estou tão diferente... É o mesmo rosto, mas ao mesmo tempo não é. As roupas são estranhas, e meu cabelo está curto.
- Senhor! - diz um homem, correndo na minha direção. - Finalmente encontrei o senhor! - completa, ofegante.
- Quem é você? - questiono.
- Este é Carlos, seu secretário - explica meu pai.
- Mas o que é um secretário? - pergunto, confuso.
- Fui contratado para ajudá-lo com sua agenda - responde Carlos, ainda tentando recuperar o fôlego. - Estou aqui para auxiliá-lo no que o senhor precisar.
- Então você é meu servo - digo, naturalmente.
- Não use esse termo. É bastante ofensivo - repreende meu pai.
- Senhor, o senhor Ariel está procurando pelo senhor - informa Carlos.
- Min-jae... - digo, quase em um sussurro. - Ariel - corrijo-me, abrindo um leve sorriso. - Onde ele está?
- Ele está no seu quarto - responde Carlos.
- Quarto? - repito, confuso.
- Nos seus aposentos - corrige meu pai.
- Ah, sim! - exclamo, contente, enquanto corro na direção dos meus aposentos.
Meu coração acelera.
Finalmente vou rever o meu amor.
Entro nos meus aposentos e vejo Min-jae deitado no mesmo lugar onde eu estava antes. Ele está dormindo.
Aproximo-me lentamente e fico observando-o em silêncio. Ele está como antes... apenas com roupas diferentes e o cabelo mais curto. Mas nada disso muda o fato de que continua lindo.
Inclino-me devagar em direção ao seu rosto.
- Estou aqui... Eu cumpri minha promessa - sussurro, antes de lhe dar um beijo.
Seus lábios continuam os mesmos.
Macios.