As paredes me cercam,
o silêncio sobe até o teto,
e eu fico aqui,
olhando o mundo através do vidro.
A roupa jogada no canto,
a cadeira acumulando poeira,
as folhas espalhadas pelo chão,
tudo parece um mapa
dos meus fracassos.
A cama bagunçada,
as cobertas fora do lugar,
guardam o peso dos dias
que eu não soube arrumar.
O sol entra pela janela.
O vento bate em meu cabelo.
O som dos pássaros entra junto,
sem pedir licença,
e me lembra
que ainda estou aqui.
Aqui.
Aqui.
Aqui.
Aqui.
Aqui.
Por que estou aqui?
Não estou triste, não.
Não sinto nada.
Afundando
no silêncio do meu quarto,
tento me mover,
mas não consigo.
Tento respirar,
mas não consigo.
E me afogo
nas lágrimas.
Mas aqui...
só aqui,
parece um aquário.