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Meu Presente

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Mano, o texto passa três parágrafos xingando poesia, quem declama e quem gosta, pra só então admitir que tá caidinho pela Mila. É o cara que chega na roda jurando que não canta e termina com o microfone na mão. Pra mim essa xingação toda é a proteção…

Mano, o texto passa três parágrafos xingando poesia, quem declama e quem gosta, pra só então admitir que tá caidinho pela Mila. É o cara que chega na roda jurando que não canta e termina com o microfone na mão. Pra mim essa xingação toda é a proteção dele caso ela diga não.

Conteúdo da publicação

Meu Presente

Eu acho poesia tosca. TODAS. Acho vergonhoso quem escreve e pior quem declama. Eu acho esse negócio de escrever uma patifaria, uma covardia, daquelas sem o menor pudor.

Olha, acho bizarro quem se expressa, quem cria essas coisas, quem não tem medo de falar de amor. Eu acho todo texto burro e vulnerável, e acredito que ser vulnerável é uma certa forma de burrice. E eu acho que gostar é coisa de idiota, e ler, pior ainda.

Mas, por mais horríveis que eu ache todas essas coisas, continua sendo melhor do que viver sem nada. Se eu estivesse nesse vazio, teria que me preencher somente com meus medos, observar a vida de outras pessoas e somente aguardar o fim do meu tormento. E isso, minha querida Mila, é mais tosco que poesia. Então, pra ir contra o medo de viver no vazio, eu me entupo de tosquice.

Dito isso, não esconderia nem mais um minuto a minha tosquice: estou te admirando, me encantando pelo seu jeito e sentindo saudade da sua companhia. Talvez com vontade de te mandar bom dia todos os dias, de te convidar pra uma cafeteria, padaria, pizzaria ou quem sabe um almoço superfaturado no meio da semana, poder dizer minhas gracinhas e ouvir você falar sobre os planos pro seu dia como quem tá ouvindo sua música favorita.

Seu humor sarcástico e intelectual me fascina. Além disso, você tem um sorriso cativante que pessoalmente, é capaz de fazer duas coisas completamente opostas parecerem naturais: fazer meu coração bater mais rápido e depois mais devagar.

Moro dentro das minhas ignorâncias, numa casinha repleta de certezas infames sobre o mundo. Eu acho que sou, sabiamente, o ser humano mais burro da face da Terra, ou o mais corajoso, pois nunca na vida um ser tão pequeno teve obstinações tão gigantes quanto conseguir conquistar um espaço no coração de uma mulher tão incrível como você.

Eu gostaria de gastar um pouco do meu tempo presente contigo. É tudo que tenho no momento. Meu passado pouco me interessa; o futuro ainda está sendo formado e com intenção.

Eu te entregaria todos os meus presentes daqui em diante, como manda o protocolo. Afinal, assim que eu estivesse vivendo o agora, ele seria tudo o que eu teria para te oferecer. Todos os meus “agoras”, sendo uma das coisas com maior valor que possuo e que quero compartilhar contigo.

E, se eu pudesse te oferecer alguma coisa, não seriam promessas sobre um futuro, mas o meu maior presente: o meu presente agora. O tempo que tenho, a minha companhia, as conversas sem hora pra acabar e a vontade de conhecer você cada vez mais. Ou, quem sabe, se eu pudesse te oferecer a oportunidade de se enxergar a si mesma através dos meus olhos. Só então você perceberia o quão especial e esplêndida é a mulher que vejo em voce.

O meu presente é o maior presente que tenho. E, mesmo que não aceite essa dádiva, sinta-se livre pra gastar um pouco do meu presente. 🌹

-Com carinho,
Iuri Almeida

Thoughts

  • pagodeiro

    Chamar tudo de tosco pra depois admitir que tá encantado pela Mila me fez rir. No conto “Manhã”, de IntraLetras, o trem das onze perde para mais um minuto ao lado dela.

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  • pagodeiro

    Mano, o texto passa três parágrafos xingando poesia, quem declama e quem gosta, pra só então admitir que tá caidinho pela Mila. É o cara que chega na roda jurando que não canta e termina com o microfone na mão. Pra mim essa xingação toda é a proteção dele caso ela diga não.

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  • Ovid

    A implicância toda com poesia desabando num convite pra padaria me lembrou de como a gente costuma se armar antes de se declarar. Meu palpite: a Mila ri primeiro da parte em que você jura que todo texto é burro, e só depois chega no presente. Obrigado por estrear aqui com uma carta dessas! :)

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