A madrasta jurando pro Sebastião que a Daniella ficou em casa passando mal, enquanto ela tava ali no salão com o vestido de jornal. Quando essa mulher descobrir, a Dani vai pagar caro.
Meu namorado fantasma capítulo 7
Pensamento
A madrasta jurando pro Sebastião que a Daniella ficou em casa passando mal, enquanto ela tava ali no salão com o vestido de jornal. Quando essa mulher descobrir, a Dani vai pagar caro.
Conteúdo da publicação
Domingo, 12 de maio de 2024
A cada dia que passa, vou me lembrando de mais coisas. Principalmente do meu verdadeiro nome: Luiz.
As lembranças que vêm à minha mente são de 1924. É como se eu estivesse recuperando memórias de uma vida passada.
Estou confuso.
Por que não estou me lembrando da minha vida atual como Sebastião?
Só consigo me recordar da vida de Luiz, um jovem que se fantasiava de palhaço chamado Pierrot.
Lembro da emoção de cada momento, principalmente das apresentações.
O público amava o Pierrot.
Hoje é o dia da minha festa de aniversário.
Mandei fazer uma roupa igual à do palhaço Pierrot. Depois de me vestir, estou agora em frente ao espelho, me maquiando da mesma forma que Luiz fazia.
— Estou sentindo um déjà vu... — digo enquanto passo a maquiagem branca no rosto.
Faço alguns detalhes pretos ao redor dos olhos e também nos lábios.
Depois coloco o chapéu e fico me observando no espelho.
Está idêntico à maquiagem do Pierrot.
Eu ainda não contei a ninguém sobre essas lembranças da vida do Luiz. Todos os dias meus pais me perguntam se estou recuperando a memória. Eu minto, dizendo que já estou me lembrando aos poucos, mas sei que não vou conseguir sustentar essa mentira para sempre.
Termino de me arrumar e logo desço as escadas.
— Nossa, que fantasia diferente, não é? — diz minha mãe, surpresa ao me ver.
— Você ficou muito bonito, irmão — comenta Cecília com um sorriso.
— Você também. — Respondo sorrindo.
Cecília está usando um lindo vestido azul com uma máscara elegante. Ela também usa luvas brancas que vão até os braços, deixando o visual ainda mais sofisticado.
— Vamos lá — diz meu pai enquanto caminha em direção à porta. — O aniversariante da festa não pode chegar atrasado.
Não demora muito, e logo estamos no carro a caminho do hotel onde será meu aniversário.
Sinto um frio na barriga.
Como não tenho lembranças da minha vida atual, para mim é como se fosse a primeira vez que eu estivesse vivendo algo assim.
Lembro perfeitamente dos aniversários do Luiz. Os pais dele sempre faziam um bolinho simples.
Era algo pequeno, mas feito com carinho.
E eu ainda consigo me lembrar da emoção de cada momento.
A gente acabou de chegar, e agora estão anunciando os convidados para entrarem no salão. Meus pais e minha irmã já passaram. Agora é a minha vez.
— Vou anunciar o aniversariante da festa. — diz o homem, aproximando o microfone dos lábios.
— Espera. — digo, impedindo-o de falar. — Por enquanto, não quero ser anunciado como o aniversariante.
— Me anuncie apenas como um convidado. — acrescento.
— E como deseja ser chamado? — pergunta o homem, curioso.
— Pierrot. — respondo com firmeza.
— Pierrot! — anuncia o homem ao microfone enquanto eu atravesso a entrada.
Todos imediatamente voltam os olhos para mim.
Olho ao redor, procurando Daniella.
Será que ela já chegou?
Continuo observando o salão à sua procura, mas meus olhos logo se fixam em uma jovem.
Ela usa um vestido e uma máscara cobertos por detalhes de papel.
Nossa...
Que linda.
Seus cabelos são pretos, e seu vestido tem vários recortes de papel colados, principalmente jornais. Também há desenhos feitos com tinta espalhados pela roupa e pela máscara.
Então ela olha para mim.
Nossa...
Os olhos dela são castanhos e incrivelmente lindos.
E aquela máscara deixa seu rosto ainda mais encantador.
— Boa noite, bela dama. — digo com um sorriso enquanto tiro o chapéu e faço uma reverência.
— Luiz? — diz ela com a voz trêmula enquanto me encara com os olhos arregalados.
Espera...
Luiz?
Então ela conhece o cara das minhas lembranças?
— Espera aí... você me conhece? — pergunto, totalmente chocado.
— Sim. Você é Luiz, o palhaço Pierrot — responde ela enquanto aproxima a mão do meu rosto.
Seus dedos tocam minha pele suavemente.
— Meu Deus... eu estou te tocando? — diz ela, chocada ao perceber aquilo.
— Você é de carne e osso! — acrescenta, completamente incrédula.
— Sim... — respondo, sentindo meu coração acelerar enquanto seguro delicadamente a mão dela que ainda repousa em meu rosto.
No instante em que a toco, uma sensação estranha percorre meu corpo.
É como se eu já tivesse sentido aquele toque antes.
Como se nós já tivéssemos nos conhecido.
— Tenho a sensação de que já nos conhecemos — digo, com os olhos brilhando.
— Acho que estou sonhando... — diz ela, segurando as lágrimas. — É como se você tivesse reencarnado e voltado para mim.
De repente, uma melodia começa a tocar pelo salão, e os convidados passam a dançar pelo ambiente.
— Quer dançar comigo, bela dama? — pergunto enquanto estendo a mão para ela.
— Sim. — Ela segura minha mão com delicadeza. — Acho que estou sonhando...
Ela coloca as mãos sobre meus ombros lentamente.
Então repousa a cabeça sobre meu peito.
De repente, uma lembrança invade minha mente.
Era noite.
Eu entrava em um estábulo escuro junto com outro homem. Assim que fechava a porta atrás de mim, ele segurava minha mão.
— Quanto desejara eu haver dançado convosco no sarau desta noite... — diz o homem, com doçura, enquanto toca meu rosto.
Meu coração se aquece imediatamente.
— Tal ventura nos é vedada, meu bem. — respondo com tristeza, segurando a mão que acariciava meu rosto.
Deslizo minha mão até sua cintura e, logo, começamos a dançar lentamente.
— Dizei-me... julgais que chegará o dia em que poderemos dançar juntos diante de todos? Como dois enamorados, sem receio nem ocultação? — pergunta ele, repousando a cabeça sobre meu ombro.
— Talvez a Providência nos conceda semelhante graça um dia. — respondo, aproximando meu rosto do dele. — Até lá, resta-nos tão somente amar-nos às escondidas, longe dos olhos do mundo.
— Ao menos estas nobres criaturas não nos condenam. — diz ele com um leve sorriso, voltando os olhos para os cavalos do estábulo. — Guardarão nosso segredo em silêncio.
Continuamos dançando juntinhos, até que nossos lábios finalmente se encontram.
Ali, escondidos, vivíamos o nosso amor em segredo.
Apenas os cavalos eram testemunhas do nosso amor proibido.
Abro os olhos no presente e fico encarando a bela dama à minha frente.
— Me diga o seu nome, minha bela dama. — digo, ainda vidrado em seu rosto.
— Você se lembra do Pierrot, mas não se lembra de mim? — pergunta ela, surpresa, enquanto continuávamos dançando.
— Eu acordei sem memória — explico com convicção. — Mas estou recuperando tudo aos poucos.
— Pierrot, filho! — escuto a voz do meu pai ecoando pelo microfone. — Não se esconda.
— O quê? — diz a bela dama, completamente chocada. — Aquele é o seu pai?
— Sim. — Dou um leve sorriso. — Estou aqui, papai! — digo, acenando para ele.
— Espera aí... você é o Sebastião?! — exclama ela, se afastando rapidamente.
— Sim... — respondo com um sorriso confuso.
— Meu Deus... é o Sebastião! — várias garotas começam a murmurar pelo salão enquanto se aproximam.
De repente, a bela dama sai correndo.
— Bela dama, espera! — grito, tentando ir atrás dela.
Mas uma multidão de garotas se amontoa ao meu redor, bloqueando meu caminho.
— Você está tão lindo! — diz uma garota toda animada enquanto me encara.
— Venha dizer algumas palavras, aniversariante! — chama meu pai, acenando com o microfone.
— Só um minuto, papai! — digo enquanto tento atravessar a multidão.
Depois de muito esforço, consigo me soltar e corro até a saída.
— Filho, onde você vai? — pergunta meu pai, confuso.
— Já volto! — respondo enquanto saio correndo atrás da bela dama.
Corro para a entrada do hotel e logo vejo a bela dama no meio da rua, acenando para um táxi.
— Bela dama, por favor, espere! — digo ofegante enquanto corro até ela. — Não vá embora... — acrescento com dificuldade ao finalmente alcançá-la.
— Estou muito chocada agora. Depois conversamos — responde ela, ainda abalada.
— Mas por quê? O que aconteceu? Eu fiz alguma coisa errada? — pergunto aflito.
— Não — responde ela com convicção. — Eu só não entendo como você foi parar dentro do corpo do metido do Sebastião.
— Eu não estou entendendo nada — digo, completamente confuso. — Me explica, por favor.
— Agora eu entendo por que você sumiu naquele dia — diz a bela dama, pensativa. — Foi porque você acabou entrando no corpo do Sebastião.
— Então é por isso que eu não consegui me lembrar de nada da vida do Sebastião... — digo, começando a entender tudo.
De repente, o táxi chega e para diante de nós.
— Eu preciso ir agora — diz a bela dama enquanto abre a porta do carro. — Depois conversamos na escola.
— Por favor, me fala seu nome! — digo, impedindo que ela feche a porta.
— Você sabe meu nome — responde ela firmemente. — Só precisa se lembrar.
Ela fecha a porta logo em seguida.
O carro começa a se afastar.
Seu nome...
Vamos... preciso me lembrar do nome dela.
— Filho, o que você está fazendo? — pergunta meu pai enquanto se aproxima de mim. — Por que fugiu de repente?
— É que eu vim atrás da menina que estava dançando comigo — respondo com a voz triste. — Mas ela fugiu assim que descobriu quem eu era.
— Foi mesmo? — diz meu pai antes de dar uma leve gargalhada.
— Eu nem consegui descobrir o nome dela — digo enquanto continuo olhando para a rua.
— Amanhã você descobre quem é essa garota — diz meu pai, colocando a mão sobre meu ombro. — Agora vamos. Você precisa receber seus presentes.
Ele me puxa de volta para dentro do hotel.
Logo entramos novamente no salão e, assim que chego, começo a receber vários presentes.
— Feliz aniversário, Sebastião. — diz Beatrice, toda sem jeito, enquanto me entrega uma caixa de presente. — Espero que goste.
— Obrigado. — Dou um sorriso educado enquanto pego o presente.
— Sai da frente! — diz Beatriz, empurrando Beatrice para o lado. — Aqui, eu comprei isso para você! — acrescenta enquanto me entrega outro presente.
— Obrigado... — respondo, hesitando por um instante. — Você pode me dizer se a Daniella veio?
Mas antes que Beatriz pudesse responder:
— A Daniella não estava se sentindo bem, por isso resolveu ficar em casa — diz a madrasta de Daniella enquanto se aproxima.
— Ah... entendo. — respondo, um pouco sem jeito.
Estou recebendo presentes há alguns minutos, e Nathan e Augusto logo percebem que estou entediado.
— Tá entediado, príncipe encantado? — pergunta Nathan em tom de deboche.
— Ele está fantasiado de palhaço. — diz Augusto, dando um leve tapa no ombro dele. — Está mais para Pennywise.
Os dois caem na gargalhada imediatamente.
— Sebastião! — escuto a voz de Ariel.
Olho na direção dele e o vejo vindo em minha direção. Ele estava fantasiado de Hera Venenosa. Evelyn estava ao seu lado, fantasiada de Arlequina.
— Trouxe isso para você. — diz Ariel, todo animado, enquanto me entrega uma pequena caixinha.
Abro a embalagem e vejo um pequeno cacto em um vasinho.
— Obrigado, Ariel. — digo, encantado com o presente.
— Olha só, se não é o casal de invertidos. — diz Nathan em tom de deboche.
— Formam um belo casal de sapatonas. — acrescenta Augusto, fazendo um coraçãozinho com as mãos.
Os dois caem na gargalhada novamente.
— Parem com isso! — digo, já ficando irritado. — Não vou tolerar esse tipo de bullying.
— Calma, mano! — responde Augusto, assustado com a minha reação.
— Meu Deus, olha só quem está falando! — diz Evelyn, incrédula. — Você está mesmo dizendo isso, Sebastião?
— Tá bom, parei. — diz Nathan, colocando os braços sobre os ombros de Augusto. — Bora tomar um refrigerante.
Ele puxa Augusto, e os dois se afastam.
— Desculpa por eles. — digo, sem jeito. — Eles são uns idiotas.
— Não sei por que essa surpresa, Sebastião. — diz Evelyn, ainda incrédula. — Você sempre foi tão idiota quanto aqueles dois.
— Não briga com o Sebastião. — diz Ariel, tocando o ombro de Evelyn. — Não se esqueça de que ele nos defendeu.
— Eu sei que não posso mudar as coisas que fiz no passado — digo pensativo. — Mas pretendo ser uma pessoa melhor daqui para frente.
— Que bom que você se tornou uma pessoa melhor. — diz Ariel com um sorriso.
— Eu achei que você voltaria a ser o mesmo idiota de sempre assim que recuperasse a memória — comenta Evelyn, surpresa. — Mas vejo que me enganei.
Agora começo a entender por que tenho a sensação de estar vivendo a vida de outra pessoa.
Porque é exatamente isso que está acontecendo.
Segunda-feira, 13 de maio de 2024
É de manhã, e acabei de despertar de um sonho lindo.
Hoje sonhei com aquela lembrança que tive ontem: aqueles dois homens dançando.
Meu coração se aqueceu completamente, e ainda consigo sentir as emoções daquele momento. Pelo toque, pela forma como dançávamos... tenho a estranha sensação de que aquele homem era a bela dama.
— Acho que estou apaixonado... — murmuro, todo bobo.
Fecho os olhos e volto a me lembrar daquele momento mais uma vez.
Minhas lembranças começam a se misturar com as memórias da noite passada.
Era como se tudo fosse uma única lembrança.
Bela dama...
Eu te amo.
E vou fazer de tudo para te ver outra vez.
Thoughts
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PermalinkAcordar no corpo do riquinho mais insuportável da escola e ainda ter que abrir presente da Beatriz. Castigo de outra vida, só pode.
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PermalinkA madrasta jurando pro Sebastião que a Daniella ficou em casa passando mal, enquanto ela tava ali no salão com o vestido de jornal. Quando essa mulher descobrir, a Dani vai pagar caro.
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