Deu a hora bem quando a madrasta gira a chave e leva embora. Aposto que os pais aparecendo ali no quarto trancado vão ter tudo a ver com ela sair dessa casa.
Meu namorado fantasma capítulo 3
Pensamento
Deu a hora bem quando a madrasta gira a chave e leva embora. Aposto que os pais aparecendo ali no quarto trancado vão ter tudo a ver com ela sair dessa casa.
Conteúdo da publicação
Segunda-feira, 15 de abril de 2024
Olho ao redor do quarto, procurando Luiz desesperadamente, mas não o vejo em lugar nenhum. E pior... já não consigo mais sentir sua presença.
Meu coração aperta imediatamente.
— O que houve, Dani? — pergunta Evelyn ao perceber minha inquietação.
— O Luiz desapareceu! — murmuro, desesperada, olhando por todo o quarto. — Ele não está mais aqui.
— Relaxa, talvez ele tenha ido resolver alguma coisa — diz Evelyn, tentando me acalmar.
— Resolver o quê, mana? — retruco, incrédula. — Ele é um fantasma.
— Não se preocupa, amiga. Daqui a pouco ele aparece — responde Evelyn, segurando meus ombros com delicadeza.
De repente, Cecília entra no quarto acompanhada dos pais e do enfermeiro.
— Eu juro que vi! — diz Cecília enquanto se aproxima da cama, completamente aflita.
— Será que é verdade? — murmura a mãe dela, já começando a chorar.
— Calma, meu amor — diz o pai, tentando confortá-la.
— Ele mexeu a mão de novo! — exclama Ariel, totalmente chocado.
Todos nós nos aproximamos da cama.
De repente, os aparelhos começam a apitar mais rápido. O enfermeiro se aproxima imediatamente enquanto Sebastião começa a se mexer na cama.
— O paciente está respondendo — anuncia o enfermeiro com firmeza. — Chamem o médico agora.
— Já estou ligando! — responde o pai, mexendo no celular com as mãos trêmulas.
Então, lentamente, Sebastião abre os olhos.
— Meu filho... — diz a mãe dele, desesperada, segurando sua mão. — Você consegue me entender?
Sebastião olha ao redor do quarto, completamente confuso.
— Onde... eu estou? — pergunta com a voz fraca e rouca.
— Sebastião... meu irmão... — diz Cecília, com lágrimas escorrendo pelos olhos. — Que bom que você finalmente acordou.
— Quem é você? — pergunta Sebastião, confuso, olhando para ela.
— Filho... você não está nos reconhecendo? — pergunta o pai, aflito.
— Não... — responde Sebastião, balançando a cabeça lentamente.
De repente, meu celular começa a tocar.
Olho para a tela e vejo o nome da minha madrasta. Me afasto discretamente para atender.
— Sim, senhora — digo em voz baixa assim que atendo.
— Onde você está? — pergunta ela, irritada.
— Eu vim à casa da Cecília visitar o irmão dela — respondo, ainda um pouco em choque com tudo o que aconteceu.
— Volte para casa agora, sua pirralha! — grita minha madrasta, sem paciência. — Eu não te dei permissão para ficar saindo depois da aula.
Ela desliga antes mesmo que eu consiga responder.
Me aproximo de Evelyn e a puxo discretamente para o canto.
— Tenho que voltar — sussurro no ouvido dela. — A bruxa está mandando.
— Tudo bem, então — responde Evelyn no mesmo tom baixo.
— O que vocês estão cochichando aí? — pergunta Ariel, curioso, aproximando-se de nós.
— Temos que ir embora — diz Evelyn, agarrando meu braço e o dele ao mesmo tempo. — A bruxa já deu o ultimato.
— Tá bom... eu só vou me despedir do Sebastião — responde Ariel, tentando ir até a cama.
Mas Evelyn segura firme o braço dele.
— É melhor não atrapalharmos esse momento deles — diz ela, puxando Ariel de volta.
Olho na direção da cama e vejo Cecília e os pais abraçados a Sebastião.
Eles pareciam uma família tão feliz naquele momento...
— Vamos sair discretamente — digo, puxando Evelyn e Ariel em direção à porta.
A gente sai do quarto silenciosamente. Pouco depois, já estamos dentro do carro de Evelyn.
Não consigo mais guardar aquilo só para mim.
— Como isso é possível? — pergunto, ainda em choque com tudo o que aconteceu. — Como o Sebastião acordou?
— Por que você está tão surpresa? — pergunta Ariel, confuso, olhando para mim. — Você mesma viu no tarô que ele acordaria em breve!
— Eu menti... — admito, abaixando a cabeça.
— Como assim você mentiu? — pergunta Evelyn, incrédula.
— O que você realmente viu no tarô? — Ariel aperta minha mão, apreensivo.
Respiro fundo antes de responder.
— Eu vi que o Sebastião não ia acordar... porque a alma dele já tinha partido há muito tempo — digo, pensativa. — Eu simplesmente não consegui contar a verdade.
— Desculpa... — acrescento em voz baixa.
— Mas isso não faz sentido — rebate Ariel, convicto. — O Sebastião acordou. Então as cartas estavam erradas.
— Isso é impossível — respondo firmemente. — O tarô nunca mente.
— Talvez você só tenha se confundido na interpretação da leitura — sugere Evelyn, tentando encontrar uma explicação racional.
— Será...? — murmuro, intrigada.
— Vamos esquecer isso por enquanto — diz Ariel, abrindo um sorriso aliviado. — O meu amorzinho acordou. E é isso que importa agora.
— Para onde, senhorita? — pergunta o motorista de Evelyn enquanto começa a dirigir.
— Vamos deixar a Dani em casa primeiro — responde Evelyn, mexendo no celular.
O motorista apenas faz que sim com a cabeça.
Os minutos passam rapidamente, e logo o carro entra na rua da minha casa, passando bem em frente ao circo abandonado.
— Pare aqui, por favor — peço, sem desviar os olhos da janela.
O motorista estaciona imediatamente.
— Eu vou ficar aqui — digo enquanto abro a porta do carro.
— Amiga, espera! — chama Evelyn, saindo do carro logo atrás de mim.
— Eu preciso ver se o Luiz está no circo — explico, caminhando apressadamente em direção ao lugar abandonado.
— Espera a gente! — diz Ariel, correndo atrás de mim.
Evelyn e Ariel finalmente me alcançam, e cada um segura um dos meus braços.
Então nós três entramos juntos no circo.
— Que lugar assustador... — comenta Ariel, olhando ao redor do circo abandonado. — Mesmo já tendo vindo aqui antes, ainda não me acostumei.
— Luiz! — chamo desesperadamente enquanto procuro por todos os lados.
Mas não o vejo.
E pior... não consigo sentir sua presença.
— Esse lugar me dá arrepios — murmura Evelyn, claramente assustada. — Com certeza deve haver outros fantasmas aqui.
— Não tem — respondo enquanto me sento no chão empoeirado. — O único espírito que mora aqui é o Luiz.
— O que você vai fazer? — pergunta Ariel, curioso, abaixando-se ao meu lado.
— Preciso encontrar o Luiz — respondo enquanto tiro o baralho de tarô da mochila.
Fecho os olhos por alguns segundos e respiro fundo.
— Tarô... — murmuro baixinho.
Então começo a embaralhar as cartas lentamente.
— Onde está o Luiz?
O silêncio do circo parece ficar ainda mais pesado.
Depois de embaralhar bastante, espalho as cartas no chão e escolho sete delas. Guardo o restante do baralho e, com as mãos trêmulas, começo a virar as cartas uma por uma.
Meu coração dispara.
A primeira carta é A Estrela.
Esperança. Renascimento. Um novo caminho.
Franzo a testa, confusa.
A segunda carta é O Mundo.
Fim de um ciclo. Conclusão definitiva.
Sinto um frio percorrer minha espinha.
A terceira carta faz meu estômago embrulhar.
O Julgamento.
Renascimento espiritual. Ressurreição. Uma alma atendendo ao chamado para seguir adiante.
Meu coração começa a bater cada vez mais rápido.
Viro a próxima carta.
Seis de Espadas.
Travessia. Partida. Uma alma deixando para trás o passado.
Engulo em seco.
Então vejo A Roda da Fortuna.
Mudanças inevitáveis. Destino. Um novo começo.
Minhas mãos começam a tremer ainda mais.
As duas últimas cartas quase fazem meu corpo congelar.
O Louco.
Um novo caminho. Uma nova vida.
E, por fim...
Ás de Copas.
Nascimento. Recomeço da alma.
Não...
Olho novamente para as cartas, tentando negar a interpretação que surge na minha mente.
Mas a mensagem era clara.
Luiz não estava mais no mundo espiritual.
Ele havia seguido em frente.
Ou pior...
Ele tinha reencarnado.
— O Luiz me deixou... — digo entre lágrimas, chorando sem conseguir me controlar.
Evelyn e Ariel me abraçam imediatamente, tentando me confortar.
Meu coração dói tanto...
Luiz tinha prometido. Ele disse que me esperaria para irmos juntos.
Depois de chorar por um bom tempo, decido finalmente voltar para casa.
Respiro fundo antes de entrar.
Passo pela sala e logo dou de cara com ela: minha madrasta.
— Você está ficando muito abusada, garota! — grita ela furiosa, levantando-se do sofá.
— Me desculpe, senhora — respondo com a voz cansada enquanto caminho em direção à escada. — Eu prometo que isso não vai acontecer de novo.
— Olhe para mim quando eu estiver falando com você! — diz ela, segurando meu braço com força e me obrigando a encará-la.
— Por favor, senhora... depois conversamos — peço após respirar fundo. — Eu realmente não estou me sentindo bem.
— Tudo bem, então — responde minha madrasta com um sorriso cruel. — Amanhã nós conversamos.
— Obrigada... — murmuro, começando a subir as escadas.
— Mas você não vai comer nada hoje.
Sua voz sai fria e cruel.
Antes que eu consiga reagir, ela segura meu braço e me arrasta até o quarto.
— Entra aí! — ordena, me empurrando para dentro.
Caio no chão com força.
Ergo o olhar para ela enquanto tira a chave da porta. Estou tão cansada de tudo aquilo que não consigo nem discutir. Apenas permaneço em silêncio.
— Quero que reflita sobre suas atitudes recentes — diz minha madrasta friamente antes de fechar a porta e trancá-la.
O som da chave girando ecoa pelo quarto inteiro.
Não consigo mais me segurar e desabo em lágrimas.
Logo meus pais aparecem diante de mim.
Mas vê-los ali...
Só faz meu coração doer ainda mais.
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