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Teoria nº 10: Prioridade Afetiva Sob Pressão

hyan_amorim

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Quinta-feira, 19 de março de 2026

Hoje foi um dia intenso. Participei da gravação de um episódio do meu programa culinário favorito, "Sabores em Cena".

Quem normalmente apresenta é Eduardo Valença, mas ele está de férias. No lugar dele, quem assumiu temporariamente foi Augusto Prado. E, sinceramente, ele é bem duas caras.

Em frente às câmeras, Augusto é gentil, educado, carismático — o tipo de pessoa que conquista qualquer um com um sorriso ensaiado. Mas assim que as câmeras foram desligadas, ele sequer olhou para o rosto dos meus funcionários.

A equipe agora está guardando os equipamentos para ir embora. Eu também estou organizando algumas coisas, porque hoje não vou abrir o restaurante.

Quando sair daqui, vou me encontrar com o Joel... e não é que o maldito realmente me fez corar ontem? Ele tem uma boa pegada... e, hoje mais cedo, me surpreendeu ainda mais. Ele me apertou com firmeza.

Estou doido para transar com ele... quero descobrir exatamente do que aquele nerd é capaz na cama.

Liberei todos os funcionários mais cedo e fiquei apenas esperando a equipe do programa ir embora para eu poder sair também.

— Ariel.

Ouço a voz do Augusto.

— Sim? — respondo, me virando e vendo-o caminhar na minha direção. — Pensei que você já tivesse ido embora — acrescento, confuso.

— Eu estava esperando todo mundo sair para poder falar uma coisa com você — diz ele, se aproximando ainda mais.

Meu estômago se contrai.

— E o que seria? — pergunto, confuso. — Você precisa tirar alguma dúvida?

— Quero sair com você — diz Augusto, de forma firme.

— Não estou entendendo... — respondo, confuso.

— Está entendendo, sim — ele insiste, com a voz calma. — Eu quero sair com você.

De repente, ele segura minhas mãos. O toque é invasivo e imediatamente me deixa desconfortável.

— O que você está fazendo? — pergunto, incrédulo, puxando as mãos de volta.

— Vamos sair para beber e depois a gente vê no que dá — diz Augusto, lançando um olhar malicioso.

— Desculpa, mas não — respondo, firme.

— Como é que é? — ele reage, incrédulo.

— O que o senhor ouviu. Eu não quero sair com você — repito, sem hesitar.

O sorriso dele desaparece lentamente.

— Quem você pensa que é para me rejeitar? Pessoas como eu não recebem “não” como resposta — diz, com arrogância.

— Pois esse é o primeiro — respondo, mantendo a postura. — Eu não tenho vontade nenhuma de sair com o senhor.

Augusto aperta a mandíbula.

— Por acaso você estava falando sério naquele dia? — provoca. — Você prefere sair com aquele doutor quatro-olhos em vez de mim?

— Sim — respondo sem pensar duas vezes. — E, como eu disse naquele dia, eu não saio com pessoas que se acham melhores do que as outras.

— E, quando eu sair daqui, vou me encontrar com o doutor Martins — acrescento, firme.

Ele ri, mas sem humor algum.

— Você só pode estar brincando... ou é maluco. Como prefere sair com aquele cara? Eu sou perfeito. Tenho um corpo que faz qualquer um suspirar — diz, cheio de si.

— Antes de me envolver com o Joel, eu só me envolvia com pessoas como você — digo, pensativo. — Padrões arrogantes que se acham melhores do que os outros.

Encaro Augusto com firmeza.

— E eu não vou deixar que você diminua o doutor Martins. Ele não é feio e muito menos inferior a você.

— Não acredito que isso seja verdade — diz Augusto, incrédulo. — Você não pode estar interessado naquele doutor.

— Estou, sim — respondo sem hesitar.

— Agora, por favor, vá embora. Eu preciso fechar o restaurante.

O olhar de Augusto escurece.

— Olha aqui... ninguém me rejeita — diz, furioso, segurando meus ombros com força.

— Você está me machucando. Me larga! — digo, tentando me soltar.

— Você vai aceitar sair comigo — ele insiste, tentando se aproximar do meu rosto.

— Não! — respondo, desviando.

— E vai ser eu quem vai te rejeitar quando eu me cansar de você — diz ele, segurando meu rosto com brutalidade.

— Socorro! — grito, desesperado, ao ver seu rosto se aproximar do meu.

De repente, Augusto se afasta bruscamente. Não foi por vontade própria.

Foi o Joel quem o puxou.

— Tira essa sua boca nojenta da minha estrela da cozinha — diz Joel, antes de acertar um soco em Augusto, que cai no chão.

— Você está bem? — pergunta Joel, imediatamente, segurando meu rosto com cuidado.

— Doutor... eu estou com medo — digo, ainda tremendo. — Esse nojento tentou me beijar.

Me agarro a ele com força.

— Vocês dois são ridículos juntos — rosna Augusto, levantando-se com dificuldade. Sua boca está sangrando.

— Vai embora daqui antes que eu te encha de porrada — ameaça Joel, firme.

Augusto não responde. Apenas se vira e vai embora.

Joel me envolve em um abraço apertado.

— Tá tudo bem... já passou — diz, com a voz baixa, tentando me acalmar.

Depois de me acalmar, fecho o restaurante. Minutos depois, estou do lado de fora com o Joel.

— Você quer ir à delegacia? — pergunta Joel, preocupado.

— Melhor não - respondo, pensativo. — Não quero me envolver em polêmicas.

Ele concorda com a cabeça, mas logo muda a expressão, ficando visivelmente nervoso.

— Então... repete o que você disse pra ele — pede, todo bobo.

— O quê? — pergunto, confuso.

— Que você gostava de mim — diz Joel, sem esconder a esperança no olhar.

— Eu não disse que gostava de você — digo, desviando o olhar. — Disse apenas que estou interessado em você, só isso.

— Já é um começo — diz Joel, com convicção.

— Você ainda não me deu uma resposta — continua Joel, tocando minhas mãos. — Eu quero um "sim" ou um "não".

— Você aceita namorar comigo?

Meu coração começa a acelerar. Não acredito... de novo ele tocando nesse assunto.

— De novo com isso? — digo, sem graça, sentindo minhas bochechas esquentarem.

— Sim. E, desta vez, eu quero uma resposta — diz Joel, com firmeza. — Diga "sim" ou "não".

— Joel, eu vou ser sincero... ainda estou muito confuso — admito, olhando para ele. — Estou sentindo uma grande atração por você, mas não sei se é amor.

— É o seu amor finalmente vindo à tona — diz Joel, me olhando com os olhos brilhando.

Ele respira fundo e continua:

— Sabe o que mais me fascina no universo? Não são as estrelas... são as conexões. E, de todas as probabilidades absurdas que existem, a mais improvável — e mais perfeita — foi eu encontrar você. Então me diz... você aceita transformar isso em algo oficial? Quer namorar comigo?

Meu coração dispara ainda mais.

— Ai, meu Deus... — digo, ofegante, levando a mão ao peito.

Fecho os olhos e respiro fundo.

— Joel... — digo, abrindo os olhos e olhando para ele. — Esses sentimentos só surgiram depois que levei aquela bolada na cara. Quando acordei e te vi, senti meu coração bater mais forte por você.

— Eles surgiram do nada... e o meu medo é que desapareçam do nada também. Tenho medo de aceitar namorar com você e, de repente, tudo isso sumir. Não quero te magoar, doutor — acrescento, preocupado.

— Eles não vão sumir. Isso eu te garanto — insiste Joel, firme. — E, se isso acontecer, eu aceito as consequências.

Respiro fundo antes de continuar:

— Vamos fazer assim, então... vamos continuar do jeito que estamos. Saindo juntos... nos conhecendo melhor.

— E o que exatamente seria esse "jeito"? — pergunta Joel, confuso.

— A gente continua tendo nossos encontros românticos... continua ficando... gostando um do outro, e muito — explico.

— Ué... e qual é a diferença de já namorar logo? — rebate Joel, firme. — Se vamos fazer coisas de casal, o mais certo seria oficializar.

— Vamos com calma... uma coisa de cada vez — digo, sem tirar os olhos dele. — Vamos por fases.

— Então a gente vai fazer coisas de casal, mas sem ser um casal? — pergunta Joel, incrédulo.

— Sim... — respondo, sem graça.

— Isso está no pacote? — pergunta Joel, tocando minha mão.

— Sim — respondo.

— E isso? — diz ele, antes de me puxar para um abraço.

— Sim... tudo isso e muito mais — respondo, com um sorriso malicioso.

— Não é exatamente o que eu planejava, mas dá para o gasto — comenta Joel, tocando meu rosto.

— Me beija logo — digo, impaciente, puxando-o para mais perto.

Logo começamos a nos beijar, de forma intensa.

— Adoro seus lábios... — sussurra Joel entre um beijo e outro. — São deliciosos.

Depois de nos beijarmos por um bom tempo, fomos jantar juntos. Desde a bolada que levei, todas as coisas que o Joel diz se tornaram interessantes. Como tudo pode mudar assim?

Lembro perfeitamente que tudo o que saía da boca do Joel era extremamente chato... chegava até a me dar sono. Agora, tudo o que ele diz é completamente interessante para mim.

Sexta-feira, 20 de março de 2026

É de manhã, e acordo com o celular vibrando sem parar. Pego o aparelho para ver quem é... e, claro, é o Joel. Tinha que ser esse nerd logo cedo.

— Bom dia, minha estrela da cozinha. Fiz alguns cálculos aqui e cheguei a uma conclusão preocupante: depois de ontem, minha vontade de te beijar aumentou em níveis fora do controle. Recomendo que a gente se encontre o quanto antes pra estabilizar isso.

— escreve Joel.

— Nossa... — digo, totalmente incrédulo, enquanto leio a mensagem. É cafona... mas não o suficiente para impedir um sorriso bobo.

Começo a digitar:

— Bom dia... 🙄

Você é ridículo, sabia?

Mas... eu fiz meus próprios "cálculos" aqui... e, infelizmente, cheguei à mesma conclusão.

Então... se isso for mesmo um "problema científico"... acho melhor você vir resolver logo.

Envio a mensagem.

Logo em seguida, outra notificação aparece.

— Estou com muita vontade de te comer...

— escreve Joel.

— O quê?! — grito, assustado.

— Escrevi errado 😅... quis dizer: estou com vontade de comer com você. Vamos tomar café juntos?

— corrige Joel.

— Escreveu errado, sei... — digo, com um sorriso malicioso, antes de começar a digitar.

— Pode vir aqui em casa, doutor. Vou fazer um lanchinho pra você. Mas vem daqui a uns 30 minutos, porque vou à feira comprar algumas coisas.

Envio a mensagem.

— Eu não vou aguentar... quero te ver logo. Deixa eu ir à feira com você?

— responde Joel.

— Tá bom, então... só não demora muito pra vir.

— escrevo.

— Já estou aqui na frente do seu condomínio.

— manda Joel.

— Nossa... — murmuro, chocado.

— Já estou descendo, doutor.

— respondo.

Vou com o Joel até a feira e mostro tudo a ele.

Assim que chegamos, o cheiro de frutas frescas, temperos e o barulho dos feirantes gritando ofertas tomam conta do lugar. Joel observa tudo com atenção, como se estivesse entrando em um novo laboratório a céu aberto.

— Vem — digo, pegando na mão dele e o levando até uma barraquinha de alface.

— Olha só... pensa nisso como física básica — explico, pegando um maço de alface e apertando levemente as folhas.

— Se a folha reage rápido à força que eu aplico e volta à forma original, ela tem boa elasticidade. Isso significa que ainda está viva, cheia de água. Verdura mole demais é igual a um sistema em colapso.

— Olha, muito bem, chefe — diz Joel, surpreso.

Seguimos para os tomates. Pego um e o giro levemente na mão.

— Repara no peso — digo, jogando o tomate de uma mão para a outra.

— Se parece leve demais, é porque perdeu água. Densidade importa. Um bom tomate tem massa proporcional ao volume — acrescento.

De repente, um feirante tropeça e derruba uma caixa cheia de batatas. A caixa cai em cheio sobre o pé do Joel, fazendo um estalo seco.

— Ai, meu Deus! Você está bem?! — digo, desesperado.

— Me desculpa, meu jovem — diz o feirante, apressado, tirando a caixa de cima do pé do Joel.

— Não se mexe! Seu pé deve estar machucado — falo, me abaixando às pressas.

No momento em que vou tocar no pé dele, Joel o puxa para trás.

— Tá tudo bem. Não machucou — diz ele, dando alguns passos para longe.

Meu estômago se contrai.

Como isso é possível?

Eu vi. Eu vi claramente a caixa cair. Era pesada. O impacto foi direto. Tinha esmagado o pé dele.

As pessoas ao redor da feira ficam assustadas, assim como eu.

— Se uma caixa dessas tivesse caído no meu pé, eu estaria gritando de dor agora — diz um dos feirantes, incrédulo. — Você é resistente, garoto...

Fico olhando para o Joel, tentando encontrar qualquer sinal de dor — qualquer careta, qualquer vacilo.

Mas ele apenas desvia o olhar.

Não faz sentido.

Como ele pode não estar sentindo dor nenhuma?

#romance

Thoughts

  • tmoreira93

    Caixa de batata em cheio no pé e o Joel nem pisca, ainda puxa o pé antes do Ariel encostar. Aposto que esse doutor esconde coisa bem maior que um pé machucado.

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