Querida, a madrasta encarando a xícara calada quando a Dani fala da verdade. Essa mulher sabe do amendoim desde o começo, e vai proteger a filha até a Bárbara ficar forte demais pra segurar.
Meu namorado fantasma capítulo 13
Pensamento
Querida, a madrasta encarando a xícara calada quando a Dani fala da verdade. Essa mulher sabe do amendoim desde o começo, e vai proteger a filha até a Bárbara ficar forte demais pra segurar.
Conteúdo da publicação
Sexta-feira, 17 de maio de 2024
Estou no jardim de casa com meus pais e Benedito. Eles parecem felizes por eu finalmente ter enfrentado aquelas cobras.
- Minha senhora, a senhora fez a coisa certa. - diz Benedito com um sorriso.
- Não acredito que você finalmente falou sobre o testamento com a Branca. - diz meu pai, aliviado.
- Antes eu já tinha desistido da minha vida. - digo pensativa. - Mas o Sebastião me convenceu a continuar lutando.
- Você fez bem, filha. Agora que o Luiz está vivo outra vez, você não está mais sozinha. - diz minha mãe com convicção. - Você vai vencer essa maldição e, quando completar dezoito anos, receberá a herança que é sua por direito, e não daquela bruxa.
- Eu ainda não sei o que fazer em relação à minha maldição. - digo frustrada.
- Você precisa procurar a dona Celeste Montenegro. Só ela pode resolver a sua situação. - diz minha mãe com firmeza.
- Mas foi no caminho para a casa dela que sofremos aquele acidente. - diz meu pai, aflito.
- Não sei se vou conseguir passar por aquela estrada de novo. - digo, completamente assustada. - Foi naquela estrada que eu perdi a senhora.
- Filha, o seu namorado está vindo. - diz meu pai enquanto flutuava sobre o muro.
- O quê?! - digo surpresa, correndo até o portão.
Vou até ele e o abro rapidamente. Logo vejo um carro se aproximando. Levo um susto quando vejo Sebastião saindo junto com Ariel.
Assim que me vê, Ariel desvia o olhar e fica encarando o chão.
- Como você está? - pergunta Ariel, sem olhar nos meus olhos enquanto se aproxima.
- Melhor agora com essa visita. - digo com um sorriso.
- Desculpa por ter ignorado você. - diz Ariel, sem jeito, finalmente me encarando.
- Oi, amor. - diz Sebastião enquanto se aproxima.
- Vamos entrar. - digo enquanto os conduzo para dentro.
Entramos e vamos para o jardim.
- Eu comprei um presente para você. - diz Sebastião com um sorriso enquanto me entrega uma caixinha embrulhada. - Com a ajuda do Ariel, é claro.
- O que é? - pergunto curiosa enquanto começo a abrir o embrulho.
Assim que abro, percebo que é um baralho de tarô idêntico ao meu que foi rasgado.
- Muito obrigada. - digo emocionada.
- Você gostou, amor? - pergunta Sebastião, um pouco receoso.
- Muito obrigada. - digo novamente antes de abraçá-lo.
- É tão bom voltar aqui. - diz Ariel pensativo enquanto olha ao redor. - Tenho ótimas lembranças dessa casa.
- Eu, você e a Evelyn adorávamos brincar aqui. - digo com um sorriso nostálgico. - Mas, depois que o papai morreu, a bruxa proibiu vocês de virem aqui. - acrescento, agora com a voz triste.
- Amiga... - diz Ariel enquanto segura minha mão. - Precisamos conversar.
- É tão bom voltar a falar com você. - digo com um sorriso aliviado.
- Desculpa. Eu fui um idiota. - diz Ariel, arrependido. - Não fui um bom amigo.
- Está tudo bem. Eu entendo que você precisou de um tempo para se acostumar com a ideia de o Luiz estar no corpo do Sebastião. - digo olhando nos olhos dele.
- Agora eu já percebi isso. - diz Ariel, sem jeito. - esse cara definitivamente não é o meu Sebastião.
- O Luiz não tem nada a ver com o meu Sebastião. - diz Ariel com convicção. - Eu só estou triste por saber que o meu Sebastião se foi. - acrescenta com a voz triste.
- Vem cá. - digo puxando Ariel para um abraço. - Eu sinto muito pelo Sebastião.
- Estou sentindo muita falta dele. - diz Ariel, um pouco pensativo. - Mas, com o tempo, vou superar esse luto.
Não acredito que finalmente fiz as pazes com o Ariel, meu melhor amigo. Agora as coisas parecem que vão voltar a ser como antes.
Já era noite, e eu estava tranquila no meu quarto quando comecei a escutar os gritos da Beatrice.
Sei que é errado, mas estou adorando.
- Minha filha, por favor, se acalme! - escuto a voz desesperada da minha madrasta.
- Sai daqui, Bárbara! - grita Beatrice, completamente histérica. - Me deixa em paz!
- Mamãe, acho melhor chamar um médico! - diz Beatriz, chocada.
- Isso... sofram. - digo satisfeita enquanto me sento na cama.
Os gritos começam a se aproximar da minha porta.
Franzo a testa.
Me levanto e vou até a porta.
Mas, antes mesmo de abrir, começo a sentir algo estranho.
Uma energia pesada.
Uma sensação sufocante.
Era a presença da Bárbara.
Um arrepio percorre meu corpo inteiro.
Respiro fundo e seguro a maçaneta.
Então abro a porta.
- Nossa... - digo, chocada ao ver a situação.
Beatrice estava caída no chão, se debatendo desesperadamente.
E Bárbara...
Bárbara estava sobre ela.
Suas unhas pareciam atravessar a pele enquanto a arranhava sem parar.
Mas aquela não era a Bárbara que eu conheci.
Ela estava diferente.
Muito diferente.
- Minha filha, por favor! - gritava minha madrasta em lágrimas, tentando segurar Beatrice. - Pare de se machucar!
- Bárbara... - digo firmemente enquanto encaro a garota.
No mesmo instante, ela para.
Lentamente, suas mãos deixam Beatrice.
Então vira o rosto na minha direção.
E começa a me olhar.
Meu coração para por um instante.
- Meu Deus... - sussurro horrorizada.
Aquele rosto...
Aquela definitivamente não era mais a Bárbara.
- O que você quer? - diz Bárbara com uma voz sinistra. - Você disse que não ia se meter nisso.
- Mas eu não estou me metendo. - digo, tentando soar firme.
- Com quem você está falando? - pergunta minha madrasta, confusa.
- Vem aqui para o meu quarto. - digo, abrindo a porta. - Vamos conversar um pouco.
- O que foi? - pergunta Bárbara, desconfiada, enquanto se aproxima de mim.
- Essa garota é uma esquisitona mesmo. - diz Beatriz em tom de julgamento.
De repente, Bárbara entra no meu quarto.
Beatrice então se acalma imediatamente.
- Obrigada, Dani. - diz Beatrice com a voz trêmula.
- Aproveita, porque é só hoje. - respondo antes de fechar a porta.
- Por que atrapalhou a minha diversão? - pergunta Bárbara, já ficando impaciente. - Fala logo o que você quer. Quero voltar a atormentar aquela psicopata.
- Você não pode atormentá-la dia e noite. - digo enquanto me sento na cama.
- Eu vou atormentar aquela garota até ela confessar o que fez comigo. - diz Bárbara com rancor na voz.
- Dá um descanso para ela hoje. - digo, me deitando na cama. - Aí amanhã você volta com força total.
- Eu estou tão revoltada, Dani. - diz Bárbara com a voz cansada. - Por que pessoas como a Beatrice sempre escapam de tudo?
- Dinheiro, minha querida. - digo, também revoltada. - Infelizmente, no país em que vivemos, muita gente acredita que dinheiro resolve qualquer coisa.
Sábado, 18 de maio de 2024
É de manhã, mas não acordei muito bem. Não dormi direito. A energia do quarto estava pesada por causa da presença da Bárbara durante a noite.
Olho para a janela e vejo Bárbara observando o jardim fixamente.
- Nunca mais faço isso. - digo com a voz cansada enquanto me levanto.
Não sei o que deu em mim. A Beatrice já me fez tanta maldade... não posso sentir pena dela.
Desço para tomar café e vejo apenas minha madrasta e Beatriz à mesa.
- Bom dia. - digo enquanto me sento.
- Então você consegue falar com fantasmas? - pergunta minha madrasta, intrigada.
- Sim. - respondo com naturalidade enquanto coloco café na xícara.
- Não sei o que você fez ontem, mas finalmente a Beatrice conseguiu dormir bem uma noite inteira. - diz minha madrasta, aliviada.
- Você devia estar em uma clínica psiquiátrica. - diz Beatriz com desprezo.
- Ah, é mesmo? - respondo em tom de deboche.
- Já chega, Beatriz. - diz minha madrasta firmemente. - Pare de implicar com a Dani.
- É melhor a Beatrice aproveitar bem o sono. - digo antes de levar um pedaço de bolo à boca. - Porque a Bárbara não vai parar de infernizar a vida dela.
- O que eu faço para essa garota deixar minha filha em paz? - pergunta minha madrasta, aflita.
- A alma da Bárbara só vai descansar quando a verdade vier à tona. - digo com convicção.
- Que verdade? - pergunta minha madrasta, fingindo não entender.
- A senhora sabe muito bem qual é. - digo, já sem paciência. - A Beatrice precisa pagar pelo que fez.
Minha madrasta não diz nada. Apenas desvia o olhar e fica encarando a xícara de café em silêncio.
A decisão é dela, mas ela precisa agir rápido, porque, a cada dia que passa, Bárbara fica mais forte.
Depois de tomar café, fui me encontrar com Sebastião, Evelyn e Ariel no shopping.
É tão bom me sentir livre outra vez.
Mas não posso baixar a guarda com a bruxa. Tenho certeza de que ela está tramando alguma coisa contra mim. Só acho que ela não vai agir agora, já que ainda tem o problema da Beatrice para resolver.
Estamos todos sentados na praça de alimentação, e o clima está leve.
- Meu maior sonho era poder estar entre vocês. - diz Sebastião, todo contente.
- Mas você sempre esteve entre nós. - rebate Evelyn com convicção. - Só que, no caso, eu e o Ariel não podíamos te ver.
- Luiz, você pode me dizer como você era? - pergunta Ariel, curioso. - A Dani falava que você sempre aparecia vestido de palhaço quando era fantasma. Me conta, como era a sua aparência quando você era humano?
- Na verdade, eu era assim. - diz Sebastião com um leve sorriso enquanto aponta para o próprio rosto. - O Sebastião é idêntico a mim.
- É melhor a gente se apressar. - diz Evelyn enquanto olha para o celular. - O filme já vai começar.
- Vamos. - digo enquanto me levanto.
- Vamos, amor. - diz Sebastião enquanto entrelaça os dedos nos meus.
- Bora, amor. - diz Ariel em tom de deboche enquanto se agarra ao braço de Evelyn.
O comentário faz todos nós cairmos na gargalhada.
Depois de comprar pipoca e outras coisinhas, a gente entrou na sessão do cinema.
As luzes logo se apagaram, mergulhando tudo na escuridão. O som do filme começou a ecoar pela sala, enquanto a tela iluminava os rostos das pessoas ao redor.
No início, tentei relaxar.
Mas então um personagem apareceu na tela.
Um soldado.
Assim que o vi, senti um frio intenso percorrer minha espinha.
A roupa...
Meu coração disparou imediatamente.
Era igual à do soldado dos meus sonhos.
O jovem usava um uniforme militar do período do Brasil Colônia. Uma casaca azul-escura cheia de detalhes dourados cobria seu corpo magro. Os botões brilhavam sob a luz da tela, enquanto o colarinho alto dava um ar rígido e elegante ao uniforme.
Nos ombros, pequenas ombreiras douradas destacavam sua posição militar. Ele também usava um cinturão de couro atravessado sobre o peito, preso a uma espada antiga na cintura.
As botas pretas iam até abaixo dos joelhos, marcadas por barro seco e desgaste, como se ele tivesse caminhado por estradas de terra durante anos.
Na cabeça, havia um chapéu militar colonial escuro, com as abas dobradas e um símbolo metálico na frente.
Ele aparentava ter a minha idade.
E os olhos castanhos...
Eram exatamente os mesmos dos meus sonhos.
- Acho que estou ficando paranoica... - murmuro baixinho.
Então...
O soldado da tela olha diretamente para mim.
Meu sangue gela.
Ele não estava olhando para a câmera.
Estava olhando para mim.
- Não está me reconhecendo, Daniella? - pergunta o soldado em voz baixa, sem desviar os olhos.
Sinto um arrepio violento percorrer todo o meu corpo.
Minha respiração falha.
Então ele começa a andar lentamente em direção à tela.
Passo.
Passo.
Passo.
O som das botas ecoa pelo cinema inteiro.
Meu coração dispara ainda mais quando ele ergue a mão lentamente...
E atravessa a tela.
- AAAAAH! - grito assustada.
- O que houve, amor?! - pergunta Sebastião, assustado com a minha reação.
Mas eu não consigo responder.
O soldado começa a sair de dentro da tela lentamente, como se estivesse atravessando um véu invisível.
Meu corpo inteiro paralisa.
- Daniella... - ele sussurra enquanto se aproxima. - Seu dia está chegando.
Sinto meus olhos se encherem de lágrimas.
O soldado para bem na minha frente.
Então ele inclina levemente a cabeça e abre um pequeno sorriso.
- Em breve... você virá comigo.
Thoughts
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PermalinkQuerida, a madrasta encarando a xícara calada quando a Dani fala da verdade. Essa mulher sabe do amendoim desde o começo, e vai proteger a filha até a Bárbara ficar forte demais pra segurar.
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PermalinkEita, o Sebastião achar um tarô igualzinho ao que foi rasgado, e ainda com a ajuda do Ariel. Esse menino lembra de tudo da Dani 😊
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