Ele quer quebrar a maldição da Dani e agora descobre que tem assunto de outra vida com o Ariel. Bah, o Luiz não descansa nem morto.
Meu namorado fantasma capítulo 12
Pensamento
Ele quer quebrar a maldição da Dani e agora descobre que tem assunto de outra vida com o Ariel. Bah, o Luiz não descansa nem morto.
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Sexta-feira, 17 de maio de 2024
Ontem conversei bastante com a minha bela dama. Acho que a melhor solução para nós é encontrar um jeito de quebrar a maldição dela, e não apenas encontrar uma forma de eu sair do corpo do Sebastião.
Quando conheci Daniella, ela estava muito abalada. Tinha acabado de perder o pai e ficado órfã. Durante todo esse tempo, não pude fazer nada para protegê-la, mas agora posso.
Porque estou vivo outra vez.
- Filho, está me ouvindo? - diz minha mãe, me tirando dos meus pensamentos.
- Desculpa, mamãe. A senhora pode repetir? - digo sem graça.
- Hoje ele parece estar no mundo da lua. - diz meu pai, desconfiado. - Por acaso estava pensando em alguma gatinha?
- Provavelmente na sua Princesa de Papel! - diz Cecília com convicção. - Ainda mais agora que ele a encontrou.
- Cecília! - digo, tentando impedi-la, mas ela já tinha falado.
- Você já encontrou ela, filho? - pergunta minha mãe, chocada. - Por que não nos contou nada?
- Quem é? - questiona meu pai, curioso. - Quero um nome.
- É a Daniella. - digo todo bobo.
- Daniella? A enteada da Branca? - pergunta minha mãe, sem acreditar.
- É ela mesma, mamãe. - diz Cecília em tom provocativo. - Os dois estão completamente apaixonados.
- A Dani aparenta ser uma garota muito simpática. - diz minha mãe com um sorriso. - Você precisa trazê-la aqui para nos apresentar oficialmente.
- Ela é o quê... sua sexta namorada? - pergunta meu pai com orgulho.
Fico sem graça e não digo nada.
Ah, se vocês soubessem que a Dani é minha primeira namorada... Eu não sou um garanhão igual ao Sebastião.
- Filhos, a prima de vocês chega amanhã. - diz minha mãe empolgada. - Ela vem passar o final de semana com a gente.
- Que prima? - pergunto, confuso.
- A nossa prima Juliana. - diz Cecília antes de levar o garfo à boca.
- Ah, sim. - digo, tentando parecer natural.
- Tá ficando maluco, filho? - diz meu pai, incrédulo. - Eu não tenho nenhuma sobrinha chamada Juliana.
- Hã? - digo, chocado.
- Às vezes eu penso que você é um sósia do meu irmão e foi colocado no lugar dele. - diz Cecília, desconfiada. - Todas as indiretas que eu jogo em você, você cai como um patinho.
Sinto meu coração acelerar.
Será que fui descoberto?
- Você tá viajando. Sabe como eu sou, gosto de entrar nas suas brincadeiras. - digo, tentando parecer convincente.
- Tá bom, parem com esses joguinhos vocês dois. - repreende minha mãe.
- E amanhã comporte-se, hein? - diz meu pai, me olhando sério. - Eu sei o quanto você gosta de provocar sua prima.
Durante a aula, percebi que a Dani estava muito triste. Seus olhos estavam inchados; ela tinha chorado. Meu coração apertou imediatamente.
Viro o rosto e começo a olhar para Beatrice e Beatriz. Não consigo esconder a raiva nos meus olhos. Beatriz logo desvia o olhar, toda sem graça.
Olho para Beatrice, mas ela está estranha. Seu rosto parecia abatido, e ela ficava olhando para todos os lados, desconfiada. Parecia assustada, como se estivesse se escondendo de alguém.
No intervalo, não consigo me conter e puxo Daniella para conversar.
- O que aconteceu com você, bela dama? - pergunto totalmente preocupado. - Por acaso aquelas três fizeram alguma coisa com você?
- A Beatrice rasgou o meu baralho de tarô. - diz Daniella com a voz trêmula. - Aquele baralho foi o último presente que meu pai me deu antes de morrer.
Sinto meu sangue ferver.
Não vou mais me conter.
- A Beatrice vai escutar umas verdades minhas. - digo furioso.
- Deixa ela, amor. - diz Daniella, segurando meu braço. - O que é dela está guardado.
- Eu vou conversar com meu pai. Não vou mais tolerar que você seja maltratada. - digo com determinação. - Vou fazer sua madrasta ser presa pelos maus-tratos.
- Ontem eu enfrentei as três. - diz Daniella, parecendo aliviada. - Deixei sair tudo o que estava acumulado dentro de mim.
- Nossa, amor, isso é incrível. - digo orgulhoso. - Você mandou muito bem.
- Eu falei sobre o testamento do papai. - diz Daniella com firmeza. - Elas ficaram com medo e não estão mais me maltratando.
- Foi tão bom não ficar calada. - diz Daniella, aliviada. - Eu contei tudo... até sobre você.
- Contou que estamos namorando?! - digo, chocado.
- Sim. - responde Daniella com um sorriso. - E também disse que você não vai tolerar que eu seja tratada como lixo.
- Então não tem mais necessidade de eu sair desse corpo. - digo com determinação enquanto seguro a mão de Daniella. - E também não precisamos mais esconder o nosso relacionamento.
- O que vamos fazer em relação à minha maldição? - pergunta Daniella, aflita. - Meu tempo está acabando.
- Vamos encontrar um jeito de quebrá-la, meu amor. - digo determinado. - E vamos viver felizes para sempre.
Os alunos logo começam a cochichar ao perceberem que eu e Daniella estávamos de mãos dadas.
- Assumam logo que vocês estão namorando. - diz Nathan enquanto se aproxima.
- Hoje eu não vou me sentar com vocês. - digo com naturalidade. - Hoje vou passar o intervalo com a minha namorada. - acrescento enquanto passo o braço ao redor dos ombros de Daniella.
Nathan e Augusto arregalam os olhos.
- Você ouviu? Ele assumiu! - algumas alunas começam a cochichar.
- Vamos procurar um lugar para sentar, amor. - diz Daniella com um sorriso enquanto me puxa.
- Isso até parece um sonho. - digo todo bobo. - Eu sempre quis fazer isso com você.
- E o Ariel? - pergunta Daniella com um olhar preocupado. - Ele mal está falando comigo.
- Amor, o Ariel precisa entender que eu não sou o Sebastião. - digo com firmeza. - Eu sou o Luiz, seu namorado.
A gente entra no refeitório, e todos não tiram os olhos de nós. Ariel logo nos vê e desvia o olhar. Ele estava sentado junto com Evelyn.
- Vamos nos sentar aqui. - diz Daniella com a voz um pouco triste enquanto me puxa até uma mesa. - O Ariel precisa de tempo para absorver a ideia de que você está no corpo do Sebastião.
- Estou me sentindo dentro de um reality show cheio de câmeras. - digo desconfortável enquanto me sento. - O povo nem disfarça que está nos encarando.
- Você agora é o Sebastião, membro da Trindade de Ouro. - diz Daniella com convicção. - Vai precisar se acostumar com isso.
- Amor, a minha mãe quer que você vá lá em casa. - digo sem tirar os olhos de Daniella. - Minha família quer te conhecer oficialmente.
- Tá bom. - diz Daniella empolgada. - Não vejo a hora.
A relação entre Dani e Ariel está muito tensa. Os dois ainda não estão se falando. Percebo a tristeza no olhar da Dani, e isso aperta meu coração.
Eu preciso falar com o Ariel. Ele não pode ficar distante da minha bela dama.
Já é de tarde, então resolvo ir até a floricultura ver o Ariel.
Assim que saio do carro, vejo Ariel regando as plantas. Ele está de costas, mas parece perceber imediatamente que sou eu.
- Boa tarde, Sebastião. - diz Ariel, ainda de costas, enquanto continua regando as plantas.
- Como soube que era eu? - pergunto totalmente intrigado.
- As plantas me falaram. - responde Ariel com naturalidade. - O que faz aqui? - acrescenta enquanto se vira para me olhar.
- Precisamos conversar. - digo com cuidado. - Você precisa se acertar com a Dani.
- Nossa... - diz Ariel, surpreso.
- Você precisa entender que eu não sou o Sebastião que você amava. - digo olhando nos olhos dele. - Não fique com raiva da sua amiga.
- Eu não estou com raiva da Dani. - diz Ariel com convicção.
- Então por que não está falando com ela? - pergunto confuso.
- É que eu estou com vergonha. - admite Ariel, desviando o olhar. - Mesmo sabendo que você não é o Sebastião que eu amava, os meus sentimentos por você não foram embora.
- Você tem uma personalidade totalmente diferente da do Sebastião. - diz Ariel, voltando a me olhar. - Você é gentil, educado e muito fofo... e eu acabei me apaixonando por você.
- Esse é o motivo de eu estar evitando a Dani. - acrescenta.
- Eita... - digo totalmente chocado.
- Nossa, estou me sentindo bem melhor agora. - diz Ariel com um sorriso aliviado. - Agora sinto que vou conseguir te superar mais rápido.
Fico em silêncio.
Não consigo dizer uma palavra.
- Por favor, não conta nada disso para a Dani. - implora Ariel. - O clima ficaria ainda pior se ela descobrisse que eu gosto de você.
- Acho que agora sou eu quem precisa de um tempo para absorver essa revelação. - digo, ainda chocado.
- É só fingir que você não ouviu nada. - diz Ariel com naturalidade. - Já comecei até a desgostar de você, afinal, você é o namorado da minha amiga.
Não consigo dizer nada.
Apenas dou um sorriso sem graça.
- A Dani está tão tristinha hoje. - diz Ariel, tentando mudar de assunto.
- É que a Beatrice rasgou o baralho de tarô dela. - digo com a voz triste.
- Não acredito que ela fez isso! - diz Ariel revoltado.
- Eu queria fazer alguma coisa para animá-la. - digo frustrado. - Mas não sei o quê.
- Que tal a gente comprar um novo baralho de tarô para a Dani? - sugere Ariel, empolgado. - Assim ela não vai ficar mais tristinha.
- Isso! - digo com um sorriso. - Mas eu não faço ideia de onde vendem essas coisas.
- Pois eu sei. - diz Ariel enquanto entra na floricultura. - Mãe, vou dar uma saidinha!
- Tá bom, filho. - responde a mãe dele.
Ariel então me leva até uma loja chamada Lua Mística, um lugar cheio de cristais, incensos, velas aromáticas, amuletos e vários baralhos de tarô espalhados pelas prateleiras.
A gente fica alguns minutos dentro da loja, observando tudo ao redor. Até que a dona do lugar se aproxima.
- Posso ajudar vocês, meus jovens? - pergunta ela enquanto caminha em nossa direção.
- A gente quer comprar um baralho de tarô. - diz Ariel enquanto vai até a prateleira onde estavam as cartas. - Essas aqui são idênticas às cartas da Dani.
- Mais alguma coisa? - pergunta a senhora enquanto pega o baralho.
- Só isso mesmo. - responde Ariel com um sorriso.
Fico olhando para algumas pedras coloridas dentro de uma caixa de vidro.
- Essas pedras são muito boas. - diz uma mulher enquanto se aproxima de mim. - Cada uma tem uma energia diferente.
- Como assim? - pergunto, intrigado.
- Tem pedras ligadas à energia do amor, da saúde, da proteção e muitas outras coisas. - explica a mulher enquanto abre a caixa e pega uma pedra rosa.
- Que pedra linda. - digo encantado, observando a pedra.
- Essa se chama quartzo rosa, a pedra do amor. É muito usada por casais para fortalecer os sentimentos entre eles. - diz a mulher com convicção. - Você devia comprar uma para usar com seu namorado. - acrescenta, olhando para Ariel, que estava conversando com a vendedora no balcão.
- A gente é só amigo. - digo sem graça.
- Sério? - pergunta a mulher, surpresa. - Pela energia de vocês dois, eu jurava que eram um casal.
- Não entendi. - digo confuso.
- Meu guia está me dizendo que vocês têm uma ligação muito forte, um vínculo vindo de uma vida passada. - diz a mulher em um tom firme. - Tenho quase certeza de que vocês foram um casal.
- O quê?! - digo, completamente chocado.
- Sim. Vocês têm assuntos inacabados de uma vida passada. - diz a mulher enquanto fecha os olhos e leva a mão à cabeça. - Assuntos que precisam ser resolvidos nesta vida.
Não consigo dizer nada.
Apenas sinto um arrepio percorrer minha espinha.
Que tipo de assunto inacabado eu teria para resolver com o Ariel nesta vida?
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