Rapaz, a madrasta ficou muda quando a Dani falou do testamento. Ela só administra a herança e faltam poucos meses pros dezoito. O próximo golpe dela vem antes desse aniversário, pode marcar.
Meu namorado fantasma capítulo 11
Pensamento
Rapaz, a madrasta ficou muda quando a Dani falou do testamento. Ela só administra a herança e faltam poucos meses pros dezoito. O próximo golpe dela vem antes desse aniversário, pode marcar.
Conteúdo da publicação
Quinta-feira, 16 de maio de 2024
Acabei de tomar banho e agora estou me arrumando em frente ao espelho. Mesmo tendo dormido muito bem, estou me sentindo cansada e sem ânimo.
Era como se eu tivesse passado a noite inteira acordada.
- Beatrice...
De repente, escuto um sussurro no meu ouvido.
- O que foi isso?! - digo assustada, levando a mão ao ouvido enquanto olho ao redor.
Que coisa estranha...
Aquela voz parecia a da Bárbara.
Acho que é por causa do sonho que tive ontem. Sonhei com aquela idiota. Ela estava me olhando de um jeito sinistro.
Deve estar furiosa, já que agora o namorado dela está solteiro.
Vou dar uns pegas no seu macho, minha querida.
- Preciso estar linda para o Davi. - digo com um sorriso provocador enquanto passo perfume. - Sem aquela tonta no caminho, tenho certeza de que ele não vai me dispensar de novo. - acrescento satisfeita enquanto coloco o vidro de perfume sobre a mesa.
Logo depois, desço as escadas.
- Bom dia. - digo enquanto me aproximo.
- Bom dia, filha. - diz minha mãe com a voz doce. - Dormiu bem?
- Dormi, mas ainda não entendo por que acordei tão cansada. - digo incrédula enquanto me sento à mesa.
- Você só precisa dormir mais. - diz Beatriz enquanto coloca café na xícara. - Vai dormir mais cedo hoje.
Olho para a sonsa da Dani e percebo que ela está me lançando vários olhares discretos.
- Por que está me olhando, esquisitona? - digo irritada enquanto encaro Daniella.
- Agora é proibido olhar para você? - rebate Daniella com um sorriso debochado enquanto passa manteiga no pão.
- Já vai começar cedo, garota? - diz minha mãe, já impaciente, lançando um olhar mortal para Daniella.
- Desculpa, madrasta. - responde Dani, toda sonsa, antes de levar o pão à boca.
Sinto meu sangue ferver. Minha vontade é pular no pescoço dessa esquisitona de cabelo branco agora mesmo.
Mas o que me conforta é saber que ela vai para a escola andando.
Depois de tomar café, vou para a escola.
Assim que entro na sala, começo a sentir um cheiro forte de amendoim.
- Não suporto cheiro de amendoim! - digo, revirando os olhos.
- Amendoim? - pergunta Beatriz, confusa.
- Você não está sentindo esse cheiro? - digo, intrigada.
- Não. - responde Beatriz, ainda mais confusa.
- Que estranho... - murmuro, ficando ainda mais intrigada.
Durante a aula, percebo que Dani e Ariel estão estranhos um com o outro. Quase não estão interagindo, como se tivessem brigado.
Também percebo que estão sentados um pouco mais afastados. Evelyn fica alternando entre conversar com um e outro.
Será que esse é o fim dos GLS?
Tomara que sim.
Tomara que esse grupinho de esquisitos finalmente acabe.
No intervalo, me sento junto com minhas amigas, mas o cheiro de amendoim não sai do meu nariz. Era um cheiro insuportável que só eu parecia sentir, como se todas as outras pessoas estivessem com o nariz entupido.
De repente, vejo ele passando.
Davi.
- Oi, Davi. - digo, levantando rapidamente e indo até ele.
Olho melhor para seu rosto e percebo olheiras profundas, como se ele tivesse chorado a noite inteira.
- Como você está, meu amor?
- Olha para a minha cara e vê se eu estou bem. - rebate Davi, sem paciência. - Eu perdi a minha namorada.
Credo, que horror.
Não acredito que ele ainda não superou a Bárbara.
- Eu estava aqui pensando... - digo toda boba. - Você não quer tomar um sorvete comigo depois da aula?
- Se enxerga, Beatrice. - diz Davi, irritado. - Como eu já disse antes, eu não tenho nenhum tipo de interesse em você.
- Agora me dá licença. - acrescenta antes de passar por mim.
Sinto meu sangue ferver.
Como ele se atreve a me dar um fora? Pela segunda vez?
Isso não vai ficar assim.
Ele não pode preferir aquela sem graça da Bárbara em vez de mim.
Depois do intervalo, tivemos aula de Educação Física. Todos fomos para a quadra.
Durante a aula, alguns alunos começaram a cochichar sobre como Sebastião e Daniella estavam agindo de forma suspeita. Os dois trocavam olhares discretos e sorriam um para o outro sem motivo aparente.
- Será...? - murmuro, desconfiada, enquanto observo os dois.
- Acho que a Daniella é a Princesa de Papel! - minhas amigas começam a cochichar.
- Acho isso impossível - diz Beatriz com firmeza. - A Daniella ficou em casa. Ela nem foi ao aniversário do Sebastião.
- Pois eu tenho certeza de que é ela. Confirmei isso depois que a máscara caiu da bolsa dela - diz minha amiga, desconfiada. - Depois disso, o Sebastião parou de procurar a Princesa de Papel e começou a ficar de conversinha com a Daniella.
- Isso não faz o menor sentido - digo incrédula. - O Sebastião nunca olharia para a Dani.
- Mas parece que está olhando, sim - responde minha amiga, sem tirar os olhos do meio da quadra.
Viro para olhar e vejo Sebastião e Daniella brincando juntos com uma bola. Os dois riem e se divertem.
- Olha só para eles.
- Mas, até onde eu sei, o Ariel é apaixonado pelo Sebastião - diz Beatriz, ainda sem acreditar. - Não acredito que a Dani passou a perna no amigo.
- Que amiga mais cobra - comenta minha amiga, incrédula, enquanto olha para Ariel, que observava os dois com um olhar triste.
Não acredito que a Daniella seja a Princesa de Papel. Afinal, a mamãe a trancou no porão.
Mesmo que ela tenha encontrado um jeito de fugir, ela não...
Sinto meu sangue ferver só de imaginar essa possibilidade.
Assim que chego em casa, conto tudo para a mamãe, que ri de tudo. Ela não acredita em nada do que eu disse.
- Estou falando sério, mamãe. - digo firmemente. - Mesmo que ela não seja a Princesa de Papel, ela anda de conversinha com o Sebastião.
- Isso pode até ser verdade. Vou ter uma conversinha com aquela garota. - diz minha mãe sem rodeios. - Mas essa história dela ser a Princesa de Papel é impossível.
- Acho melhor a gente dar uma olhada no porão. - diz Beatriz com determinação.
- Então vamos lá. - responde minha mãe enquanto caminha em direção ao porão.
Descemos as escadas e entramos no lugar. Começamos a mexer nas coisas da Daniella.
Assim que minha mãe abre o baú, ela fica completamente incrédula.
- Não pode ser... - diz ela, furiosa e chocada ao mesmo tempo.
Olho para dentro do baú e vejo.
O vestido da Princesa de Papel.
- Aquela garota maldita nos enganou esse tempo todo! - grita minha mãe furiosa enquanto tira o vestido do baú.
- Mas como ela saiu desse porão? - pergunto confusa, olhando para a porta.
- Acho que eu sei como. - diz Beatriz, incrédula.
Eu e mamãe olhamos para ela.
Beatriz se aproxima da parede e abre uma pequena portinha escondida.
- Aquela garota fez a gente de trouxa esse tempo todo! - diz minha mãe, vermelha de raiva. - Mas ela vai me pagar assim que chegar.
Logo voltamos para a sala para esperar a sonsa da Daniella.
Estou com tanto ódio que nem sei do que sou capaz de fazer.
A gente ficou esperando por um tempo, até que Daniella chegou. Assim que viu o vestido em cima das mãos da mamãe, ficou branca como papel.
- Você pode me explicar isso? - diz minha mãe, furiosa, enquanto joga o vestido no chão.
- É o meu vestido. - diz Daniella enquanto o pega rapidamente.
- Como você se atreveu a ir naquele aniversário?! - grita mamãe.
- Eu também fui convidada. - responde Daniella com a voz firme.
- Mas eu te proibi! - diz minha mãe, aproximando-se dela.
- Essa garota está muito abusada, mamãe. - digo com desprezo. - Ela merece um bom castigo.
- Eu vou te dar uma surra que você nunca vai esquecer, sua desgraçada! - grita minha mãe, erguendo a mão.
- Se encostar um dedo em mim, eu juro que te coloco na cadeia. - diz Daniella com firmeza.
Que garota abusada. Ela está enfrentando a mamãe.
Mamãe solta uma gargalhada.
- E quem vai acreditar em você? - diz ela com desprezo. - Não se esqueça de que eu tenho muito dinheiro. Posso manipular qualquer juiz.
- As coisas mudaram. - diz Daniella com determinação nos olhos. - Agora eu estou namorando o Sebastião.
Ela faz uma pequena pausa e continua:
- O filho de um dos homens mais importantes da cidade. Vamos ver se você ainda vai conseguir se safar dessa.
- O que você disse, sua maldita?! - grito, furiosa, completamente fora de mim.
- Foi exatamente isso que você ouviu. - diz Daniella enquanto me encara sem recuar. - O Sebastião está apaixonado por mim.
- E ele vai me ajudar a me libertar de vocês três. - acrescenta.
- Não cante vitória antes da hora. - diz minha mãe, frustrada, segurando Daniella pelo braço. - Eu ainda vou fazer você engolir essas palavras.
- Quem vai morder a língua é você. - diz Daniella, sem baixar o olhar. - Eu sei que você não era casada com o meu pai em comunhão de bens.
- Quem te falou isso? - pergunta mamãe, assustada, soltando o braço dela imediatamente.
- Eu simplesmente sei. E também sei que eu sou a herdeira de tudo. - diz Daniella com desprezo enquanto encara mamãe. - Você apenas administra a minha herança.
Mamãe não diz nada.
Ela apenas continua olhando para Daniella.
Está completamente sem reação.
Sinto um arrepio imediato. Eu e Beatriz nos olhamos, assustadas.
- Mamãe, fala alguma coisa! - digo desesperada. - Diz que isso é mentira!
- A mãe de vocês sabe que não é. - diz Daniella, nos encarando com um olhar de vitória. - O jogo virou agora.
- Agora me deem licença. - acrescenta enquanto segue em direção às escadas.
Olho para mamãe.
Ela continua completamente em choque.
- Onde você pensa que vai, garota?! - pergunto totalmente incrédula.
- Para o meu quarto. - rebate Daniella em um tom debochado.
- Acho que você errou a escada. - digo com desprezo.
- Cala a boca, Beatrice! - diz minha mãe, ainda assustada.
- Mamãe?! - digo, chocada com a reação dela.
- É melhor dar ouvidos à sua mãe. - diz Daniella enquanto sobe as escadas. - A não ser que queira acabar na rua da amargura.
Ela abre um sorriso antes de continuar:
- Não vejo a hora de completar meus dezoito anos.
- Mamãe, essa garota ficou maluca! - diz Beatriz, incrédula. - Como ela se atreve a falar com a gente desse jeito?
- Mas como aquela maldita descobriu sobre o testamento? - pergunta mamãe, assustada, enquanto passa as mãos pelos cabelos. - Só eu e o advogado sabemos disso.
Ela fica alguns segundos em silêncio, parecendo pensar.
- Meu advogado jamais faria isso comigo. - acrescenta, tentando se convencer.
- Mamãe, o que vamos fazer? - pergunto aflita.
Mamãe estreita os olhos e seu rosto muda completamente.
- Precisamos tirar a força dela. - diz agora em um tom sério. - E a força dela, no caso, é o Sebastião.
- Isso mesmo! - digo animada. - Se separarmos os dois, ela não vai mais ter com quem contar.
Um sorriso frio surge no rosto da mamãe.
- E, assim que fizermos isso, vou fazer aquela garota se arrepender de cada palavra que me disse. - diz com ódio nos olhos.
Sexta-feira, 17 de maio de 2024
Acordo assustada e me sento rapidamente na cama.
Levo a mão ao peito. Meu coração está acelerado.
Acabei de ter um pesadelo horrível.
Sonhei com a Bárbara.
Ela estava furiosa. Me perseguia e me batia sem parar.
Meu corpo inteiro dói.
- O que é isso? - murmuro, assustada, ao ver vários hematomas espalhados pelo meu corpo.
Acho que me machuquei enquanto dormia.
Me levanto com dificuldade.
Nossa... estou pior do que ontem.
Tomo um banho gelado na esperança de aliviar a dor, mas não adianta.
Visto o uniforme e vou para a frente do espelho me arrumar.
De repente, vejo um reflexo ao meu lado.
Meu sangue gela.
É ela.
Bárbara.
Ela está com o rosto pálido e inchado, os olhos avermelhados e cheios de lágrimas. Seus lábios estão levemente arroxeados, e sua expressão parece misturar tristeza e raiva.
Pequenas marcas escurecidas aparecem ao redor do pescoço e do rosto, enquanto sua pele parece fria e sem vida.
- AAAAAH! - grito assustada, cobrindo os olhos com as mãos.
Meu coração parece querer sair pela boca.
Baixo as mãos lentamente.
Olho de volta para o espelho.
Não há ninguém.
- Acho que estou ficando maluca... - sussurro, sentindo um arrepio percorrer minha espinha.
Termino de me arrumar e passo bastante maquiagem para esconder os hematomas.
Depois saio do quarto.
Ando pelo corredor, passo em frente ao quarto da Dani e logo escuto o som do chuveiro ligado.
Sinto meu sangue ferver.
No impulso, entro no quarto.
- Você vai me pagar, Daniella. - digo com ódio enquanto encaro a porta do banheiro.
Dou uma olhada pelo quarto e meus olhos logo param em alguns baralhos espalhados sobre a mesa.
- A Dani sempre leva essas cartas para todo lugar. - digo sem tirar os olhos delas.
Uma ideia surge imediatamente na minha mente.
Um sorriso cruel aparece nos meus lábios.
Me aproximo da mesa lentamente.
- Eu vou fazer esse sorriso desaparecer do seu rosto. - digo com desprezo.
Pego uma das cartas entre os dedos.
Rasgo.
Depois outra.
E mais uma.
Logo começo a rasgá-las uma por uma, observando os pedaços caírem no chão enquanto um sorriso satisfeito surge no meu rosto.
Depois de terminar, pego um pequeno monte das cartas rasgadas.
Me viro e fico esperando Daniella sair do banheiro.
Não demora muito até a porta se abrir.
- O que você está fazendo no meu quarto? - pergunta Daniella com firmeza enquanto sai do banheiro.
- Não se sinta vitoriosa ainda. - digo com desprezo.
- E por que não? - rebate Daniella com um sorriso debochado.
- Porque eu não suporto te ver feliz. - digo frustrada enquanto atiro os restos das cartas na direção dela.
Os pedaços caem espalhados pelo chão.
- O quê...? - diz Daniella, desesperada ao perceber o que era. - As minhas cartas...
Ela se abaixa rapidamente, olhando para os pedaços espalhados.
- Isso é só uma amostra para você ver que não pode comigo. - digo antes de soltar uma gargalhada.
- Esse baralho de tarô foi o último presente que meu pai me deu antes de morrer. - diz Daniella, chorando enquanto recolhe os pedaços do chão.
Vê-la naquela situação é satisfatório.
- Debocha de mim agora. - digo em tom provocativo.
Daniella para de pegar os pedaços lentamente.
Então se levanta.
Seus olhos estão cheios de lágrimas, mas agora há algo diferente neles.
Raiva.
- Você vai pagar caro por isso. - diz ela, furiosa.
- E o que você vai fazer? - pergunto, cruzando os braços. - Eu não tenho medo de você.
Daniella enxuga as lágrimas lentamente.
Então um pequeno sorriso surge em seus lábios.
- Eu talvez não... mas a Bárbara, sim.
Um arrepio percorre imediatamente minha espinha.
- Do que você está falando, garota? - pergunto, confusa.
- Eu sei que foi você quem matou a Bárbara. - diz Daniella, me encarando sem piscar. - Você colocou pó de amendoim na comida dela.
- Isso é mentira! - digo, tentando esconder o desespero na voz. - Pare de inventar coisas.
- Você matou ela por pura inveja. - diz Daniella com desprezo enquanto passa por mim. - Você queria o namorado dela.
- Assassina...
De repente, escuto a voz da Bárbara.
- Isso mesmo, Bárbara. Ela é uma assassina. - diz Daniella, me olhando com julgamento.
Sinto um arrepio percorrer meu corpo.
- Você também escutou isso? - pergunto, já começando a entrar em desespero.
- Sim. A Bárbara está bem aí, ao seu lado. - diz Daniella, apontando para perto de mim. - Ela está cheia de ódio e desejo de vingança.
- Eu não vou sossegar até você pagar caro pelo que fez comigo. - escuto a voz da Bárbara novamente. - Assassina.
- Não! - grito desesperada, cobrindo os ouvidos com as mãos.
- A cada dia que passa, a Bárbara fica mais forte. - diz Daniella com convicção. - Logo você vai começar a vê-la também.
Olho lentamente para o espelho do quarto.
Vejo meu reflexo.
E, ao meu lado...
Bárbara.
- AAAAAH! - grito desesperada enquanto corro para fora do quarto.
- Assassina... assassina...
Continuo escutando os sussurros da voz da Bárbara no meu ouvido.
E então começo a sentir aquele cheiro de amendoim novamente.
Não importava o quanto eu corresse.
Os sussurros...
E o cheiro de amendoim...
Não me abandonavam.
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PermalinkA Beatrice passando maquiagem por cima dos hematomas pra ir chamar o Davi pro sorvete. Prioridade intacta, bah.
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