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Manuscrito das três faces

miguelv341
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Reunião familiar (1)

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Reunião familiar (1)

— Profundo, insondável... precede o próprio conceito de existência. É o abrir — ou entreabrir-se — de um caminho para a fenda presente nas raízes mais profundas de nossas mentes. Um abismo formado no âmago das trevas, ganhando peso e significado através das mais brutais e venenosas emoções tecidas no coração humano.


— Uau, irmão! Suas palavras tornaram-se ainda mais tocantes com o passar das eras.


— Kekeke… Pequenas palavras rasas de um entusiasta dos segredos vindo do longo véu das estrelas.


— Francamente... continua preso a tais pensamentos, meu querido irmão? — O desagrado era visível na voz de Sama ao repreendê-lo. — Sua forma de ver o mundo é, no fim, o que o impede de ir além e alcançar a pena incumbida a nós.


— Sama, você sabe que, diferente dos meus irmãos, eu não quero mais...


— Eu sei como você é! Mas, ainda assim... Como membros do clã Anunnaki, nosso castigo e dever...


— Já chega dessa conversa, irmão! Não quero quebrar o único laço de irmandade de verdade que me resta. Mas diga-me: você sabe o motivo desta convocação? O Pai precisa de nossa ajuda contra o avanço do Rei da Noite?


— Impossível. As chances de isso ocorrer são mínimas.


— Algum palpite sobre o que seria?


— O retorno de um novo irmão pode ser um dos motivos, mas... ah, esqueça! A última vez que um irmão retornou foi quando Nêmesis despertou.


— E isso ocorreu há trezentos anos. É impossível, não é, Sama? Ou... pode ser por causa dele. Acho que você pensou a mesma coisa.


— Rá! Sim... ele.


— Estão falando de quem?! — Uma voz grave ecoou ao adentrarem a pequena igreja decrépita.


Um belo rapaz de pele pálida e olhos escuros, trajando um longo manto negro com entalhes dourados, caminhava calmamente até eles. O bater Ritmado da ponta de sua bengala no chão de pedra liberava sua presença maliciosal.


— Como sempre, trazendo uma presença maliciosa e destrutiva — comentou um deles.


— Sua natureza destrutiva está ainda pior do que eu lembrava... Kekeke!


— Se não baixar essa aura neste instante, meu punho afundará na sua cara, Vlad! — alertou Sama, levantando a voz e cerrando os punhos em aviso.


— Calma! Para que tanta agressividade, Sama? Hahaha! Ai, ai... francamente, não importa quanto tempo passe, você sempre será o cara fechado e carrancudo de sempre. Só sabe falar de responsabilidades... nunca troca o disco?


— Tagarela como sempre, Vlad. Por que não nos diz você o motivo desta convocação?


— Hã? Por que meu irmão, meu igual, está me crucificando dessa forma? Até parece que sou um amontoado de problemas sem fim!


— Talvez o motivo disso seja a queda de alguns de nossos irmãos provocada por você no passado.


— Viver para destruir ou viver para satisfazer o que nos falta? O que acha, irmão Vlad?


— Hmm... vejo que os outros chegaram.


Sob a linha do horizonte, incontestáveis figuras humanoides caminhavam em direção à igreja.

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