Com este último capítulo eu encerro as histórias dos filhos da serpente. Finalizando assim a minha homenagens aos meu amigos que contribuíram para que elas nascessem.
Manuscrito das três faces
Vagantes condenados: John Spard
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Pensamento
Com este último capítulo eu encerro as histórias dos filhos da serpente. Finalizando assim a minha homenagens aos meu amigos que contribuíram para que elas nascessem.
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Vagantes condenados: John Spard
Rasgando o asfalto da estrada, um motoqueiro passava em alta velocidade, quebrando a barreira do som com o rugido potente de sua Harley-Davidson Fat Boy. Ele acelerava cada vez mais em uma perseguição frenética a seu alvo, retirando uma carabina de repetição calibre 12 do suporte lateral da moto. Disparando uma rajada de tiros, ele torcia o espaço ao redor, criando um vácuo devastador que destruía tudo à sua passagem.
Correndo desesperadamente, um belo jovem de feições delicadas, quase femininas, desviava-se das balas com seus reflexos aguçados, evitando ferimentos fatais. Porém, seu respiro de alívio durou pouco, pois o carrasco, observando a futilidade dos esforços de sua presa, intensificou o ataque, desencadeando uma chuva de disparos que atingiram o corpo do rapaz, dilacerando seus membros e reduzindo-os a pó.
Caído e agonizando no chão, o jovem debatia-se em uma agonia lancinante, seus dentes rangendo enquanto lutava para respirar. O carrasco parou sua moto, aproximando-se lentamente da vítima e recarregando sua arma.
"Argh... haa... haa... ah!", gemeu o rapaz, seu corpo retorcendo-se como o de um animal ferido.
O carrasco, com um olhar frio e impassível, indagou: "Qual o sentido de tudo isso, criança? Por que tanta desobediência?"
O jovem tentava em vão se soltar das garras de seu carrasco, aplicando pressão com os pés contra o corpo do agressor, mas o silêncio deste era a única resposta que recebia. "Última chance!", advertiu o carrasco, aumentando a força sobre as costelas da vítima até que o som de ossos se rompendo ecoasse pelo local.
"Aaaaaaaaah... haa... haaa... o quê?", respondeu o prisioneiro com deboche, o que resultou em sua mandíbula sendo arrancada com um violento chute. "Cac!"
"Por que complicam suas vidas? Por que são assim? Vamos, ele o espera", advertiu o carrasco.
O prisioneiro, acorrentado pelos braços e pernas, foi então preso à motocicleta do carrasco. Ao ligar o motor, o ar vibrou intensamente e, com a partida, eles rasgavam as dimensões, atravessando-as com extrema facilidade. O carrasco observava os arredores e, usando uma das mãos para controlar a moto, puxou sua arma com a outra, trazendo o alvo mais próximo com o auxílio das correntes.
No corredor dimensional, uma fenda se abriu e, de lá, milhões de ganchos negros, acoplados nas pontas das correntes, dispararam em sua direção, deixando rastros sombrios por onde passavam.
"Vlad", murmurou, movendo sua mão para retirar uma espada de cabo curto e lâmina longa, cortando todas as correntes. Isso forçou a parada em um universo rochoso, rodeado por vulcões.
Descendo do rasgo do céu, um imenso dragão vermelho de três cabeças e seis chifres apareceu, suas escamas brilhando em um vermelho puro como o sangue. Com um tom imponente, ele se dirigiu a seu irmão:
[Como vai, irmão?]
"Já estive melhor… se você e os outros estivessem cumprindo a função para a qual foram designados", respondeu ao dragão, com certa resignação. "Então me diga, por que eles não estão andando na linha?"
[Isso é diferente...], começou a responder o irmão, mas foi interrompido quando John desferiu um rápido golpe de espada em Vlad, fazendo seu corpo voar a quilômetros de distância.
[Uaaaaaargh! Isso... quiec... Foi um bom golpe!], rugiu o dragão, erguendo seu colossal corpo. Suas escamas caíam no chão junto de seu sangue, criando rios vermelhos que, ao entrarem em contato com o solo, evaporavam, levantando uma cortina de fumaça escarlate.
O cenário era de puro caos e poder. O dragão vermelho, com suas três cabeças imponentes e seis chifres brilhantes, demonstrava sua força de maneira avassaladora abrindo sua boca e varrendo os vulcões à sua frente com sua baforada de fogo.
Enquanto o ar ficava denso com o vapor vermelho, John olhava friamente para o dragão, esperando pacientemente pelo que estava por vir — ou era isso que Vlad esperava que ele fizesse. Movendo sua espada, ele cortou a cortina de fumaça, partindo o peito de seu irmão e fazendo o sangue jorrar. Partindo para cima dele, direcionou a ponta de sua espada à cabeça de Vlad, que desviou a trajetória da lâmina com a palma da mão, contra-atacando com suas garras e rasgando o espaço à sua volta. John chutou o ar, puxando sua arma e disparando tiros consecutivos.
Fileiras de correntes negras voavam em direção a John, que rapidamente deslizou sua espada afiada, estendendo-a e cortando as correntes que o prendiam. Livre das amarras, John voou em direção ao imponente dragão, desdobrando sua lâmina em movimentos ágeis e precisos. A espada se estendia em vários ângulos, cortando e rasgando a pele escamosa da criatura em questão de segundos.
"Ah... Aaaaaaaaargh! Mer...", o dragão urrou em agonia, sua voz ecoando pela paisagem. Sem hesitar, John passou sua lâmina veloz pelo pescoço do dragão, forçando-o a retornar à sua forma humana, decepando sua cabeça e desmembrando seu corpo, deixando-o incapacitado.
John então se virou para a cabeça decepada do dragão, que, mesmo separada do corpo, continuava a falar. "Venha, irmão. Temos contas a acertar com o pai." Dizendo isso, John ergueu a cabeça de Vlad, o dragão, e a prendeu em sua cintura.
“Que corte incrível, meu irmão! Eu cheguei tão perto... se eu tivesse um pouco mais de força, talvez… eu tivesse vencido. Me diga, irmão, não se cansa disso tudo?”
"Depende. Não se cansa de agir como uma criança mimada?", perguntou John a Vlad, com um sorriso debochado.
"Hehehe... cuhuhuhuuhu... cuhahahahahaha!", Vlad riu como um louco, sem parar. Sua gargalhada ecoava pelas dimensões, quebrando a ondulação do espaço à medida que atravessavam os mundos.
Luzes brilhantes se propagavam como a Via Láctea, enquanto Vlad e seu irmão passavam por cenários deslumbrantes. Subitamente, tudo foi tomado pelo negro, um vazio escuro que consumia seus sentidos. Não havia chão, não havia céu, não havia percepção de tempo ou espaço. Estavam imersos em uma vertigem infinita, em uma confusão sem fim, desconectados de qualquer lei natural.
Adentraram um mundo acessível apenas àqueles que romperam os grilhões da ordem natural, um limiar entre o abismo e Fallen. Mesmo sem a sensação de um chão sólido, John se movia com naturalidade — ambiente onde outros seres conseguiriam apenas flutuar ou nadar. À sua frente, portões dourados se estendiam até onde a mente não conseguia alcançar, indo além do raciocínio mortal.
Ao parar diante desses portões, John ergueu o braço direito, revelando marcas vermelhas que ressoavam com a imponente estrutura dourada. Com um ranger, os portões se abriram, e John foi tragado para dentro, rumo a um destino desconhecido.
Em seus olhos, fortes luzes se propagaram, revelando a zona central dos pensamentos, a raiz e o estado de totalidade e completude da essência da mente.
"Vasto, sem propósito... um lugar repugnante onde o tempo não flui. Não há nada para nós além da loucura e da autoafirmação", Vlad dialogava consigo mesmo, enquanto sua cabeça balançava suavemente presa à cintura de John. Seu olhar descia, observando as almas que fluíam do ciclo da reencarnação, dividindo-as em duas partes distintas. Uma parte era lavada de suas experiências e encaminhada para o inferno, enquanto a outra se tornava uma com a energia do céu e da terra.
Eles caminharam até uma imensa árvore, cujo tronco era atravessado por profundas rachaduras que se conectavam com as almas, como raízes de uma árvore. Passando suavemente por elas, essas rachaduras formavam folhas que brilhavam em um tom branco-azulado. Essa luz revelava a majestade de um ser de grande poder, sentado em um trono de pedra esculpido com letras rúnicas. Diante da vastidão que se estendia a seus olhos, podia-se ver seus súditos, reverenciando-o ajoelhados, com as testas tocando o chão.
Trajados com longos mantos negros em conjunto de máscaras brancas e recitando sussurros desorganizados, os súditos abriam caminho por onde John passava. A melodia sinistra dilacerava o corpo dos irmãos em poças de sangue e carne, mas isso não o incomodava, graças à forte vitalidade concedida a eles por pertencerem à raça dos Anunnakis.
John é uma figura temida entre os Anunnakis. Mesmo os membros dessa raça ancestral e poderosa que habitam as sombras deste mundo não desejam se encontrar com ele. Com sua presença imponente e seu olhar penetrante, ele tem em suas mãos o poder para punir e julgar seus irmãos, que preferem abaixar a cabeça diante de sua autoridade inquestionável do que confrontá-lo.
Mas John observava tudo com uma calma aterradora que se sobressaía frente a seus irmãos, conferindo-lhe uma imunidade a qualquer dor ou sofrimento.
O carrasco arrastou seus irmãos diante da presença de seu pai, curvando-se a ele em respeito.
“Eu honro teu nome, ó grande pai!”
Levantando sua cabeça coberta por um manto negro que revelava seus olhos azuis, o pai presenciou o estado em que jaziam suas crianças, em uma poça de sangue e carne dilacerada de formas grotescas. Ele os contemplava com um olhar distante e sem emoção, como se aquela carnificina não passasse de um simples evento fútil e sem valor a ser apreciado.
Abrindo suas asas, a mulher sentada em seu colo decidiu tomar a frente e falar por ele:
“Vamos começar o julgamento.”
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