Você escreve muito bem vai ter a parte 2 da história?
Manuscrito das três faces
Sutra moral do céu (2)
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Você escreve muito bem vai ter a parte 2 da história?
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Sutra moral do céu (2)
Abaixo de um céu vermelho, tremores irromperam como o bater de tambores da boca de nove vulcões; do redemoinho dos gritos incessantes até cessar, sem motivo aparente, a primeira trombeta foi tocada.
Emergindo através da terra, a prata derretida jorrou para todos os quatro cantos, engolindo tudo, ligando o céu e a terra.
Mas era nas madrugadas de Samhain que o véu entre os mundos se tornava tênue, afinando como uma teia de aranha, tornando o outro lado palpável.
Onde os véus entre os mundos se afinam e o sobrenatural se manifesta de formas inesperadas, aguardam-se os corajosos (ou insensatos) que ousam explorar seus domínios.
Acima das nuvens, do céu e da própria estratosfera, os irmãos ouro e prata caminham em ciclo eternamente, encarnando o aspecto da mesma luz, mas em raras ocasiões se alinhando.
Com a chegada da noite de Samhain à aldeia esquecida, onde o tempo parece ter congelado em um passado distante, uma nova atração surge.
Puxando a lua suspensa por fios invisíveis sobre as costas, a grande besta de prata quadrúpede de braços dianteiros finos e os de trás tendo coxas mais grossas, com sua frente — a cabeça possuindo o formato de uma meia-lua apontada para a frente. Ela irradia por onde passa uma luz amarelada e macabra que banha a aldeia em um brilho espectral, indo para o oeste.
Não é a lua natural que ilumina suas ruas empoeiradas, mas sim uma lua artificial feita de prata preenchida de cera.
Nascendo do leste, o irmão de ouro vinha, trazendo consigo um brilho amarelo, laranja ou vermelho. Cada raio solar que atinge o solo parece animar as sombras, dando vida a figuras distorcidas de sombras que dançavam em sincronia nas paredes e nos telhados, escapando muitas vezes de seus donos.
E, se a cera banha as vidas abaixo passando através das finas fendas entre o espaço, traz a memória de um ente querido, dependendo da natureza da lembrança.
Tamanho desta dimensão minúscula, mas como antes, para criaturas que se moviam livremente pelos vastos universos, deviam parecer pequenas para eles.
Em um corredor de um metro com paredes verdes com diversas plantas nas laterais, plantadas na terra dos lados do chão de cimento, e ao fim do corredor, sentado em uma cadeira de madeira talhada, estava um jovem de pele escura e olhos vendados.
Ao seu lado, uma boneca adulta com um vestido em trapos, com o seu peito aberto, um coração e, lá em seus dedos, lâminas afiadas.
Do outro lado, usando uma vassoura, uma criança de cabelos cacheados.
Monarca celestial, um dos quatro os aguardava em completa reclusão de sua mente.
"É naturalidade, incrível demais para estes pequenos, mas a eles eu devo manter a promessa, guiando cada um ao divino. Inicia-se agora a reconstrução corporal."
Batendo o dedo no braço da cadeira, formando uma porta logo à frente do velho, uma fenda se formou nas bordas do espaço, e o capítulo do céu se desenrolou em páginas.
Sūtra moral do céu, o caminho do divino em ascensão da eternidade.
Com o desenrolar das páginas das eras se inscrevendo em dez mil caminhos eternos que se ramificam em constância da liberdade das escolhas.
A serpente guarda o portão, o rei do sábio; Primeira luz a resplandecer, a mãe do dia, repousa nos fartos e vivos campos do jardim do Éden; Khaos rastejante, besta da desordem, deleita-se do mundo no plano dos sonhos.
Guardado no embrião, chamas brancas resplandeceram, narrando nas labaredas que continham a verdade, eliminando a ignorância, queimando o apego, elevando-se acima da aversão, narrando sobre o fulgor branco das bizarras histórias distantes, o presente de agora e o futuro do além vívido, pronto a ser chamado de livros de monstros.
Este manuscrito menciona:
[Assim como eu observo como um mundo estranho, tingido de cinza... sem uma única nuvem. Ah, quando isto finalmente chegar à última página da história do mundo, Deus virá? O reino absoluto, além do meu, no qual me encontro, o estado de deificação.]
Ao contemplar as palavras correndo, o velho desabou no chão e de seus olhos um brilho de sete cores surgiu, seguido de rachaduras por toda a extremidade do corpo. Pouco a pouco sua pele foi caindo, atingindo o limite da mortalidade; ossos se quebram e se realocam, órgãos falecem e se refazem.
Naquele instante, todos sentiram as células dos seus corpos se reescrevendo em novos fatores, passando pela reconstrução corporal, reorganizando a estrutura, alterando-a completamente, elevando a alma ao patamar divino.
No céu, uma linha se formou e dela um líquido negro jorrou, ganhando a forma de um estranho encapuzado.
[Da terra ao céu, o trono se mantém vazio; à frente do trono a trindade se pôs. Por este caminho, uma visão será contemplada, a visão do nascimento, o nascimento dos filhos da Serpente Emplumada que guarda os portões dourados de Ishtar, encostado sobre as raízes de Qliphoth, sentado no trono de pedra, Enuma Elish.]
Majestoso, encantador e tentador, uma fusão de sentimentos engoliu o pequeno escolhido que, sem nem ao menos notar, se encaminha em direção ao estranho encapuzado. A cada passo ele se aproximava: dez passos, nove passos, oito passos, sete passos... A seis passos o pequeno parou, retornando do transe em que se encontrava.
Olhando para suas trêmulas mãos, o suor frio escorria por suas costas. Ofegando pesado, ele olhou com um olhar temeroso para o estranho ser.
"Por... por que eu... por que eu sinto um desejo inerente de explorar e descobrir o que está além desta passagem?”
— Uma curiosidade inerente vinda de sua alma, a alma que o procura para descobrir a história. Apenas atravessando por ela é que você irá entender o que está para lá."
Engolindo em seco, a hesitação o prendeu, mas logo ele não a conteve mais. Tomando coragem, ele avançou, atravessando para lá.
Do alto ao baixo, de perto ao longe, de frente ou atrás. Sentado ao trono o rei repousa, com o abrir de seus olhos uma imensidão como um céu azul, mas pesado como um vasto oceano.
Naquele instante, o espaço onde ele se encontrava ficou negro. Mas não parou por aí: em um instante, toda a área foi tingida de preto.
Graças a isso, ele foi forçado a ter que confrontar o espaço negro.
Nuvens escuras se acumularam no céu como se o céu e a terra tivessem respondido ao seu chamado. A escuridão estava por toda parte, trovões e relâmpagos rugiam, e ventos de furacão sopravam em todas as direções.
Mas, assim como um som estático, uma voz dotada de graça e divindade ecoou dentro de sua mente: 『Este é o vazio que move até mesmo os princípios do universo.』
Foi então que ocorreu uma grande mudança no céu, que escureceu completamente. Ele, que observa o fenômeno flutuando sobre aquele espaço vazio, ficou boquiaberto, em choque.
"O céu está se abrindo!"
No céu rachado não havia azul, mas sim o universo de incontáveis estrelas.
'O universo?'
"Estou observando o universo?", ele estava confuso.
Na verdade, isso não era o universo, mas sim o próprio caos que foi criado quando o Céu e a Terra se separaram.
Cerrou os dentes e ergueu as mãos no ar, como se estivesse tentando se proteger.
O universo, que estava repleto de luz das estrelas, começou a tremer.
"O que está acontecendo?"
Respondendo à sua pergunta, mais uma vez a voz ecoou por dentro de sua cabeça:
『Veja, esta é minha existência se manifestando, mesmo que um pedaço dela.』
Assim que a voz terminou de falar, todas as estrelas começaram a se mover simultaneamente no universo trêmulo e agitado.
Um conjunto de quatro estrelas brilhantes fixas é visto como guardião do céu, cada uma protegendo um dos quatro pontos cardeais do universo.
Giraram em ciclos celestes, formando formas espirituais: Aldebaran, o "Olho do Touro", ligada ao leste e à primavera; Regulus, o "Coração do Leão", associada ao norte e ao verão; Antares, o "Coração do Escorpião", conectada ao oeste e ao outono; e Fomalhaut, a "Boca do Peixe Austral", relacionada ao sul e ao inverno.
『Deseja entender?』
"... Sim!"
Puxando o universo com sua força. Naquele breve instante, enquanto uma enorme energia explodiu ao redor, a compreensão do universo e a verdade de que ele havia sido detido no tempo foram compreendidas.
Com o despertar do sexto e sétimo sentidos, os olhos dele romperam a barreira entre as três dimensões e vislumbraram uma nova dimensão, vendo, mesmo que por relance, a forma de uma constelação serpentária. Contemplando seu brilho, lendo sua vasta e densa existência, a luz em seu olhar foi o preço que pagou.
Escorrendo por suas bochechas, lágrimas de sangue caíam, mas seu sorriso se mantinha enquanto seu corpo começava a se estilhaçar.
Contudo, a verdade foi desvendada: o novo plano superior, não revelado nem mesmo após a morte.
O instinto inerente do iluminado desejava abandonar este mundo. Naquele instante, luz e escuridão brilharam juntas.
Esse novo mundo o estava atraindo. Ele estava cruzando a fronteira, adentrando um ponto em que apenas os mais fortes seres que transcenderam a ordem, providência ou causalidade habitam — entidades que, sem sombra de dúvidas, são as mais próximas da trindade suprema.
Thoughts
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PermalinkNo final ele quer escapar, abandonar tudo. Então aquela transformação toda era libertação ou era prisão? Porque a gente fica confundida junto com ele, né.
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PermalinkEssa escuridão toda, vazio que move tudo, transformação forçada. É horror mas não é também. Disso eu gosto.
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PermalinkO preço é a luz no olhar dele. Tipo, pagar com o que você mais precisa pra aprender. Que coisa pesada de ler.
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Permalinkas imagens são malucas, mano. o céu inteiro rachando, universo na cabeça dele
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PermalinkQue é que ele tava procurando mesmo naquela passagem? A conversa com o encapuzado parecia que ele já sabia a resposta, sabe?
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