Introdução
Gênesis:
— Há muito tempo, repousando no fim da existência, uma aparência tomou forma: única e insondável, o ponto singular. Sua presença deu origem à concepção e ao nascimento do próprio ser. A culminância da totalidade de todas as coisas, formando o ciclo eterno da existência e da transcendência.
Nascido no ponto anterior ao clarão do pensamento, no vácuo frio e ausente de consciência, seres não vivos e mortos, físicos e materiais, mas ao mesmo tempo existentes, eram resquícios desorganizados e barulhentos de ideias.
— Há muito tempo já esquecido no inconsciente, consumindo-se os iguais em um ciclo infinito. Menor que os outros, maior do que tudo que o homem pode imaginar ou criar, o lorde modelou a base do universo no combate constante contra os iguais e, ao fim, restou o lorde de pé.
Contemplou ele o centro do vácuo infinito e sentiu algo se enraizar em seu interior: “solidão”.
இதோ நான் இங்கே இருக்கிறேன், இங்கேயே நிலைத்திருப்பேன்; இதுவே என் அடித்தளம்! என் பணியை ஒரு ஓவியத் திரையாகவே நான் பார்க்கிறேன்—அது ஒரு காலத்தில் வெண்மையாகவும் வெறுமையாகவும் இருந்தது... ஆனால் இப்போது அப்படியல்ல!
*(Aqui estou e aqui permanecerei; este é o meu alicerce! Vejo o meu trabalho como uma tela — outrora branca e vazia... mas não mais!)*
Branco e puro, suas asas se abriram e, dos olhos do lorde, uma chama dourada flamejante reluziu.
— Este lorde, uma compreensão da existência semelhante a um conceito vivo. Mas, em meio à adição deste princípio, a terra primitiva deu seu respiro em direção à vida… Se me perguntarem se este ser é Deus, forjador ele é, Deus jamais; pois como pode ele se chamar de Deus quando não consegue se desfazer das emoções, as amarras presentes no coração da mortalidade? Este é o ponto inicial de algo que se forjou, uma camada mais profunda do inconsciente, uma herança hereditária compartilhando a consciência coletiva… A herança que este ancestral deixou a todos nada mais é que a vontade e a resiliência de lutar, de enfrentar as adversidades da natureza…
Sob a plataforma do céu, formada a partir de ouro-branco, ao centro o grão-mestre palestrava para os três discípulos espalhados por cada canto da plataforma, todos trajados com vestes cinzas.
Erguendo sua mão em meio ao horizonte branco, o velho indagou o grão-mestre com suas dúvidas.
— Venha para a frente, pequeno; sua dúvida eu saciarei.
“Ah, eu só tenho uma coisa que quero perguntar. Por que o senhor nos trouxe aqui?”
— Hum! Bom, vamos iniciar então. A vós, escolhidos, agraciados pela graça dele…
“Ele quem? Deus, o criador… um ser antigo ou o quê?”
— Hahaha — abrindo um leve sorriso no rosto, o grão-mestre passou a falar: — Sua dúvida se revela verdadeiramente válida, mas ainda deve se manter sempre em questionamento em vossas mentes. Não Deus, há seus candidatos!
“Mas… como pode? Ele não criou tudo? Como pode ele não ser Deus?!”, tomado pela incredulidade diante da falta de coerência das palavras desferidas pelo grão-mestre.
— Acreditar e ter fé no que seus olhos não conseguem ver, mas seus sentidos sentem; a convicção absoluta no que vai além do que se entende e, ao mesmo tempo, se compreende. No fim, ações valem mais do que palavras.
Apontando o dedo para cima, uma lótus desceu do universo caótico que se abriu acima de suas cabeças.
Num instante, tudo sumiu, e ao chão os três escolhidos caíram atônitos, paralisados pelo pavor entranhado em suas células.
Surgindo no local sagrado, a lótus branca pousou na palma da mão do grão-mestre, florescendo à margem empírica, manchando pouco a pouco a lótus branca de ascensão em vermelho, subindo novamente como um balão, desfazendo-se no horizonte e formando no céu um redemoinho flamejante carmesim, girando no ciclo das almas e encontrando, no fim, uma centelha de fogo: envolto dessas faíscas ardentes, o ouroboros.
As almas se irromperam e cercaram suas costas em asas agonizantes, espectrais e reluzentes, terminando na longa cauda de uma arara dourada.
Com este desabrochar, chamas brancas reverberaram, o mundo se calou e, do silêncio, caíram nevascas espessas escorrendo, pintando o espaço.
Olhando para ele, todos os discípulos congelaram com o mundo que se reescrevia.
Descendo devagar, com a sutileza de uma pena e a graça de um pavão, o tempo parou de ter sentido, o espaço não se expandia mais: tudo é ele, todos são…
— Rénlèi Shén, esse é o nome do lorde das nove consciências.
O céu e a terra se uniram, cobrindo o espaço em um abismo; um vento impetuoso foi gerado de suas asas, soprando os discípulos para baixo.
A luz se dispersou ao redor, porém, o calor perseverou. No meio do vazio para o qual foram empurrados pelas asas de Rénlèi Shén, cada um foi seguido — guiados pela vontade dele —, e clarões coloridos desceram rumo ao despertar para atender ao grande plano.