De repente, vi uma forte luz branca, e ali estava eu, nascendo novamente como uma criança pronta para aprender novas lições, ciente de que erros seriam cometidos, mas disposto a não repetir os mesmos da minha vida passada.
A luz do sol bate em meu rosto todas as manhãs, lembrando-me de que é um novo dia. Um dia no qual agora tenho a liberdade de escrever partes de uma nova história.
Na maioria dos dias, me pego sorrindo e com um bom humor que eu já não tinha no fim da minha antiga vida. O celular já nem tem mais tanta graça assim como costumava ter, ou como eu achava que tinha. Encontro motivos para sorrir nas pequenas coisas, e as lembranças da minha morte já nem mesmo me abalam.
Algumas coisas, no entanto, permanecem. Parece que meu desejo, e a habilidade, modéstia à parte, de cozinhar só aumentaram, assim como a felicidade que sinto ao fazer isso. Voltei a ouvir músicas. Lembro que, quando estava em meu leito de morte, não conseguia sequer ouvir um som sem que meu corpo o rejeitasse quase que instantaneamente.
Hoje vivo inteiramente para mim. É uma vida solitária, mas na qual me sinto bem comigo mesmo. Ainda assim, tenho pessoas ao meu lado que, de alguma forma, me fazem lembrar que também fizeram parte da minha última vida, e elas continuam me fazendo bem.
Também tenho pessoas novas. Uma, em especial. Para ser sincero, é a única que ainda me faz dar alguma importância ao celular. Ver seu jeito de levar a vida, mesmo quando está enfrentando seus próprios problemas, faz com que eu a admire mais do que qualquer outra pessoa. E talvez ouvir sua voz seja a minha melodia favorita. Na verdade, eu falaria por horas sobre ela... Mas isso fica para outro texto.
Carrego comigo o amor de quem esteve ao meu lado nos meus últimos momentos, e por essas pessoas farei de tudo nesta vida.
Mas também me lembro daquela que me matou. Da forma mais fria, olhando nos meus olhos com um sorriso falso enquanto girava a faca sem pestanejar, já com o próximo assassinato sendo planejado.
E a ela, sempre desejarei que pague e encontre a devida justiça pelo que fez comigo, seja ela qual for. Mas não lhe dou permissão para participar da minha nova vida, da minha ótima vida.
Então, de certa forma, agradeço por ter girado aquela faca. Sem isso, eu jamais teria construído esta vida. Imperfeita, sim, mas uma vida que vale a pena ser vivida.
– Brayan Feitosa