Esse príncipe negro que caminha sem rumo, ele é tipo o coração da história ou mais uma camada?
Manuscrito das três faces
Princípios do universo
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Esse príncipe negro que caminha sem rumo, ele é tipo o coração da história ou mais uma camada?
Conteúdo da publicação
Princípios do universo
Descendo abaixo, logo atrás dos discípulos, pisando na terra dos mortos.
Sob cascos pesados, os cavaleiros negros se moviam em sincronia por onde pisavam, no cemitério dos hereges, o oitavo círculo do inferno. Do solo, suas tampas rangiam em um eco gutural enlouquecedor; labaredas saíam de dentro de seus túmulos, luzes subiam em direção ao céu, rompendo o teto do oitavo círculo do inferno, local designado aos seres que tentaram escapar de Hades.
Olhando intensamente as gravuras nas árvores à volta, cercado pela matilha de cães negros deformados e quiméricos, que rosnavam liberando uma forte sede de sangue e um odor pútrido. Mas, ainda assim, mesmo com tamanho ímpeto demoníaco, Pangu não demonstrava preocupação com a ameaça que o cercava.
『O fatídico dia abençoado chegou a mim, então, como um representante da imortal vontade dele, eu, Pangu, devo realizar em total perfeição o desejo.』
Balançando seu longo machado, uma linha se formou no ar, dividindo tudo em duas partes. Um caminho surgiu entre o céu e a terra, revelando, abaixo dessa camada superficial da verdade, o universo estrelado. Abriram-se portas para uma massa de caos infinito, contendo o estado primordial do céu, da terra e de todas as coisas.
Águas negras de um oceano primordial caótico, onde era difícil enxergar qualquer coisa; um oceano fervilhante tinha ondas revoltas e agitadas. As tempestades caíam com tanta força que era difícil imaginar a existência de qualquer organismo.
O oceano primitivo de onde todas as vidas saíram, e a essas águas, as entranhas de Yggdrasil.
No instante em que adentrou o local, Pangu foi recepcionado por uma enxurrada de inúmeros pensamentos e intenções.
Palavras misturadas com desejos de pensamentos alheios, incapazes de ser compreendidos, ensurdecedores demais aos ouvidos; ruídos carregados de um peso impossível de mensurar, capazes apenas de fazer estremecer a alma e fazer sentir cada estrutura da própria existência colapsar.
O oceano de Nun se agitava a alturas vertiginosas, debatendo-se, contraindo, expandindo, agarrando e puxando violentamente em monstruosas ondas. Encontrando sua calmaria na divisão do mar negro, ergueu-se do vazio completamente escuro uma imensa quantidade de pensamentos e ideias que se solidificavam em um material sagrado de beleza tamanha, de brilho indistinto, exuberante e suntuoso. Não mais um simples vazio caótico, mas sim um espaço sublime de construções do âmago ancestral.
Existia um ser que nem sequer se conseguia começar a mensurar, um mísero rastro da extensão da vastidão deste imensurável venerável. Mesmo em comparação com as estrelas do universo, a sistemas solares inteiros, até mesmo a galáxias do universo...
『Não... a existência do recipiente existindo em totalidade à parte, não existe por ele, é ele; a outra margem, um conceito inconsciente que se encontra presente em cada pedaço do universo. Existe porque ele existe: antigo, insondável e eterno... O lorde das nove consciências.』
Tudo não passa de um mero e minúsculo grão de poeira. Ver o ser indistinguível revela-se um insulto, uma audácia e a maior prova de arrogância de formas insensatas que tentam espiar mais do que podem olhar. É na escuridão absoluta que ele repousa, mas seu tamanho era algo além da compreensão.
O espaço foi distorcido e curvado pela pressão de sua permissão, uma ordem para passar que foi obedecida. Então, quando o conceito de coordenadas entrou em colapso e o fulgor manchou a tela do mundo, o pequeno tragou.
Glorificado em honra à dádiva e ao presente da visão: a visão da mão se abrir, viajando até o fim do universo, virando sua palma estendida e formando um cosmos preenchido pelo brilho de incontáveis galáxias. No centro de sua palma, a roda dharma girou.
Dos quatro eixos do mundo e seis sentidos, a roda dharma gira trazendo a declaração da mudança. Do seu movimento, cinco faíscas brilham em círculo, voando e se dispersando: são elementos cravando-se no mundo. Invertendo os polos, as quatro estações rodam; do calor ao frio, a semente e o fruto, a colheita terminou no corte limpo da foice: o inverno.
No vasto mundo resplandecente do horizonte dividido — o primeiro palco, o local datado como o alvorecer do grande cisma dos irmãos primogênitos —, uma passagem bombardeada por raios e trovões celestiais. Convergindo na destruição do princípio, o mundo dobrou-se, expandindo-se e, no fim, reunindo-se num único ponto. No centro, girava um líquido venenoso, moldando-se na forma de três figuras: porco (ignorância), pássaro (apego) e a serpente (aversão).
Fechando o plano superior de vidro, linhas separavam-se e se fechavam em dedos, apanhando as bordas da roda da vida.
Erguendo-se do solo, Yama trouxe consigo, segurando, a roda dos seis reinos da consciência.
As águas do denso mar negro escorriam, fluindo das brechas entre os grandes lençóis do deserto branco para dentro, incessantemente, convergindo e retornando para o abismo de onde se originaram.
Convergindo, na totalidade de um mundo negro, para uma fenda colossal que rasga o tecido do além visto no mundo.
Um abismo profundo, cedendo às ondas que se quebram, rendem-se e deslizam pelas bordas ao encontro das cinzas do purgatório que subiam, culminando no fatídico encontro em véus líquidos, formando cascatas infinitas que desapareciam na escuridão abaixo.
Das bordas ao redor da fenda, correntes gigantescas estão cravadas nas rochas, descendo junto das águas e segurando, no epicentro das correntes, o palácio do imperador que governa no caos, Angra Mainyu.
Desaparecendo nas profundezas, sugerindo que algo lá embaixo está preso... ou tentando subir.
No centro, uma linha se revelou, por onde uma luz corta o vazio verticalmente, abrindo-se as grossas portas do palácio em recepção aos filhos amados do imperador.
Um a um, suas silhuetas foram se revelando e, junto delas, uma energia caótica e disforme em cada um.
Como se nadasse no ar, uma criatura dourada com um corpo alongado de serpente, mas escamoso com patas de crocodilo, terminava com sua cabeça: um sol radiante detentor de feições da inocência de um bebê.
Uma beleza com oito asas vermelhas impressionantes caminhava elegantemente sobre o longo tapete vermelho, transpassando a distorção em seu tronco que exibia um longo sorriso doentio, pernas entrelaçadas em sua ponta, carregando uma pequena esfera florida.
E ao longo do caminho, lá embaixo, mal visível através do breu das profundezas aquáticas, o barco do primogênito do caos vinha trazendo o resto de seus irmãos.
"Da separação entre o céu e a terra se formou, e deste firmamento, o caos primordial dividiu-se em dez emanações do poder da origem."
Dez autoridades, dez emanações do poder, dez princípios da criação. Habitando para além das terras de areia branca, os dez grandes portões espectrais se mantêm à frente das densas camadas de névoa vermelha, seguidas de carregadas nuvens de raios.
Um cenário confuso, pedaços de terra costurados dos fragmentos de forças ancestrais do universo.
Caminhando por uma realidade constantemente sobrepujando o frágil tecido do espaço em um deserto branco com um céu de cor piscina vermelho-sangue.
Selada no interior de uma armadura negra, uma presença destrutiva. À frente de um vasto domínio arenoso, surgiu uma face branca esquelética, com os dentes negros como os de um grande tigre; no lugar de seus olhos, havia mandíbulas, e sobre sua testa, uma coroa de espinhos com três rosas na frente.
— O príncipe negro, sozinho e solitário, aquele que caminha sem ter rumo ou direção.
[Não pedi para nascer, mas aqui estarei, sozinho, vazio, sem desejos ou sonhos.]
Dividindo o céu vermelho-sangue, uma dimensão azul-escura estrelada, com plataformas translúcidas os rodeando.
Flutuando acima do céu escuro e estrelado, um colar incrustado com cabeças de dragões cercava o pescoço da entidade humanoide translúcida e esquelética, com bactérias bioluminescentes a preenchendo.
— A primeira governante do submundo, aquela que as almas rege e as leis das ações de punição. O algoz, ela foi a primeira.
[Reinei, reinar e reinou, mas trabalhar tanto para quê?]
Entre sussurros e lamentos, forças ancestrais posteriores à luz dos primeiros dias e ao abismo caótico, naquele vasto domínio cósmico. O equilíbrio delicado daquele universo estava sendo perturbado de maneira drástica, prenunciando uma transformação profunda que iria reverberar por toda a eternidade.
Eis que, em seus lamentos, Yama e os dez princípios universais cercavam o horizonte deste mundo costurado, convergindo na incursão do rodar da roda de samsara.
A manada dirigiu-se às águas vindas dos seis córregos coloridos, convergindo do poço de Yemen: um imenso buraco no chão, um halo que tragava espíritos obsessores. Havia um forte cheiro de decomposição vindo diretamente dos corpos enterrados pelos viajantes que por ali passavam, perdidos ou executados; os gritos ainda podiam ser ouvidos.
Nadando no abismo infinito, a tartaruga-leão, uma das dez bestas colossais que só poderiam habitar o vazio, observava.
Existindo em dualidade de oposição de pares iguais, cujo simples ato se decretava inviável: duas ações opostas unidas em um único acontecimento, possibilitado através do intermédio dos princípios da espada do coração.
Thoughts
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PermalinkOs nomes misturados parecem puxados de mitologias diferentes. Fico curioso do que inspirou as combinações.
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PermalinkSenti que vinha mais coisa embaixo desse abismo. O que tá preso ali?
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PermalinkGostei demais da criatura com cabeça de sol. Uma imagem bem inesperada.
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PermalinkPangu descendo, Yama, os dez princípios - isso é tudo do mesmo universo ou camadas diferentes?
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PermalinkAquele oceano primordial puxou meu foco toda vez que aparecia.
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PermalinkA roda dharma volta sempre. Por que ela é tão importante nessa cosmologia?
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PermalinkPerdi a conta de quantos reinos apareceram ali 😵
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PermalinkEsse príncipe negro que caminha sem rumo, ele é tipo o coração da história ou mais uma camada?
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