Não sou estrela,
nem ruína,
nem pensamento claro.
Sou o intervalo
entre o instante
e a eternidade.
Preso às escolhas que me moldaram,
sigo morrendo em cada gesto,
refém de um destino
que se move por acaso.
Sou um manifesto
contra o próprio esquecimento.
Sou uma célula
que deseja ser universo,
uma planta
que deseja crescer
para fora do solo,
a vontade
que busca
a vontade de viver.
E o que somos,
senão o nada
tentando rivalizar
com a luz do sol?
Por que invejamos seu brilho,
se nem sequer
compreendemos o nosso?