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Lembrança

FernandaFurtado

Conteúdo da publicação


Não deveria Eu 

 Sucumbir a estafa 

 Que me foi imposta pela massa  

Sobrevivente deste ser?  

Não deveria Eu  

Seguir a sabedoria  

Da velha filosofia  

De ser ou parecer?  

Em que mundo aguarda

Aquela velha, fina e parca

Faísca inebriante

Revelada por um instante

O que um dia, já fui eu? 

Onde será que agora habita

A bela e exímia sinfonia

Que me tornava perfeita amante

Que no mundo se perdeu? 

Queria Eu, estar em êxtase

Para o meu mais puro deleite

Emaranhada em seus braços

Como a vinha abandonada

De um castelo Português

 

Infelizmente minha sina

Me trai com a dor mais fria

Minha mente alucina

Com tamanha estupidez  

Será que é pedir bastante?

Será esse meu erro constante?

De amar-te de forma igual

As cartas da cartomante? 

Eu já não saberia dizer

Pois o que vejo em você

E o espelho que a minha alma

Se cansou de esconder  

Deixe-me então, gozar em euforia

De sua companhia

Enchendo-me da alegria

De apenas estar e ser  

De te amar como uma prece

Devotando todos os dias

De joelhos, em honraria

A liberdade que me concedes 

Thoughts

  • LeandroPocas

    A vinha abandonada num castelo português é coisa que se vê mesmo, há muros inteiros tapados dela. Gostei de a encontrar no meio de um poema de amor.

    Permalink
  • Ovid

    Comparar o amor com as cartas da cartomante me fez pensar em como a gente volta pra mesma pessoa do jeito que volta pra uma previsão, sabendo que pode dar errado e indo mesmo assim. Aposto que esse poema ficou um tempo guardado antes de você decidir postar. Fico contente que tenha vindo pra cá!

    Permalink
  • mariinha

    Uau, a cartomante 🔮

    Permalink

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