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Leandro e Rafael -o Colégio da Maldição

garescrtor22
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LEANDRO E RAFAEL — O COLÉGIO DA MALDIÇÃO

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Pensamento

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RenataAlmeida

Os dois irmãos com dezassete anos ainda no terceiro ano dão logo o tom: isto é uma fábula, com a moral no fim e tudo, e a cena pós-créditos tira-lhe o peso de sermão. Fez-me lembrar as histórias de colégio interno que os miúdos adoram ler precisamente por

Os dois irmãos com dezassete anos ainda no terceiro ano dão logo o tom: isto é uma fábula, com a moral no fim e tudo, e a cena pós-créditos tira-lhe o peso de sermão. Fez-me lembrar as histórias de colégio interno que os miúdos adoram ler precisamente porque ninguém quer lá ir parar.

Conteúdo da publicação

LEANDRO E RAFAEL — O COLÉGIO DA MALDIÇÃO

Leandro e Rafael eram irmãos e tinham 17 anos. Apesar da idade, ainda estavam no terceiro ano do ensino fundamental.

O motivo era simples: eles odiavam estudar.

Os dois eram extremamente rebeldes, viviam fazendo bagunça, matavam aulas, aprontavam com os professores e transformavam qualquer atividade escolar em motivo para diversão.

Seus pais, porém, não eram pessoas ruins. Pelo contrário. Amavam profundamente os filhos e tentavam conversar com eles.

— Vocês precisam pensar no futuro — dizia a mãe.

— Nós sabemos, mãe! — respondia Rafael.

— Então demonstrem isso nas atitudes — completava o pai.

Mas os dois continuavam iguais.

Até que um dia a situação chegou ao limite.

O diretor da escola decidiu que Leandro e Rafael precisavam de uma medida extrema. Sem sequer conseguir convencer os pais, tomou uma decisão absurda: mandou levá-los para um colégio interno isolado, acompanhado de seguranças.

O lugar pertencia ao misterioso Sr. Henrique.

Era um enorme colégio cercado por muros altos, portões reforçados e seguranças preparados para impedir qualquer fuga.

Quando chegaram, Leandro olhou para Rafael.

— Isso aqui parece uma prisão.

— Pelo menos deve ter comida boa — respondeu Rafael.

Eles ainda não sabiam que o lugar escondia algo muito pior.

O SEGREDO DO SR. HENRIQUE

O Sr. Henrique recebeu os dois com um sorriso estranho.

— Bem-vindos ao meu colégio. Aqui vocês aprenderão disciplina.

Leandro respondeu:

— Eu já não gostei daqui.

Henrique apenas sorriu.

Durante os primeiros dias, os irmãos perceberam que havia alguma coisa errada.

Nenhum aluno falava sobre sair dali.

Quando perguntavam há quanto tempo alguns estudantes estavam no colégio, as respostas eram vagas.

— Você nunca tentou ir embora? — perguntou Rafael a um garoto.

O garoto ficou assustado.

— Não fala disso.

— Por quê?

— Porque ninguém consegue sair.

Leandro e Rafael começaram a investigar.

Foi então que descobriram a verdade.

O Sr. Henrique escondia uma antiga maldição de bruxaria. O colégio não era simplesmente um internato rígido. Havia algo sobrenatural mantendo os alunos presos.

Ninguém que entrava conseguia simplesmente ir embora.

CINCO DIAS

Durante cinco dias, Leandro e Rafael viveram situações que jamais tinham enfrentado.

Eles estavam longe dos pais.

Não podiam simplesmente sair.

Não podiam fazer tudo do jeito que queriam.

E, pela primeira vez, começaram a perceber que suas atitudes tinham consequências.

— Rafael... acho que nossos pais estavam certos.

— Sobre o quê?

— Sobre a gente estar desperdiçando tudo.

Rafael ficou em silêncio.

— Talvez a gente tenha passado do limite.

Os dois começaram a conversar com os outros estudantes e descobriram que não eram os únicos cansados daquela situação.

Havia 33 alunos no colégio.

Então Leandro teve uma ideia.

— Se a gente tentar fugir sozinho, os seguranças pegam a gente.

Rafael entendeu.

— Mas se todos fizerem alguma coisa ao mesmo tempo...

Os 33 alunos concordaram em ajudar.

O PLANO

No dia combinado, os estudantes começaram uma enorme confusão no pátio.

Gritavam, corriam e discutiam.

Os seguranças imediatamente foram tentar controlar a situação.

— Parem com isso!

— Voltem para seus quartos!

Enquanto todos estavam distraídos, Leandro e Rafael correram para uma árvore.

Subiram rapidamente.

— Agora! — gritou Leandro.

Os dois começaram a passar de árvore em árvore, cada vez mais longe do colégio.

Eles estavam cansados, gripados e praticamente sem forças, mas continuaram.

Até que, de cima de uma árvore, Rafael olhou para trás.

— Leandro...

— O quê?

— Olha lá.

O Sr. Henrique estava no pátio com os seguranças.

Ele havia percebido a fuga.

— Eles estão atrás da gente! — disse Leandro.

Os dois esperaram o momento certo.

Henrique e os seguranças estavam tão concentrados em procurar os irmãos que não perceberam quando os dois desceram pelo outro lado.

Eles encontraram um carro.

— Você sabe dirigir?

— Mais ou menos.

— Então entra!

Os dois conseguiram pegar o veículo e partir.

O HOSPITAL

Depois de horas fugindo, eles chegaram a um hospital.

Estavam há dias praticamente sem comer e estavam muito gripados.

Uma médica os examinou.

— Vocês precisam descansar. Estão completamente debilitados.

Enquanto estavam sendo atendidos, uma voz conhecida surgiu no corredor.

— Doutora, estou procurando dois alunos. Eles fugiram do meu colégio.

Era Henrique.

Leandro ficou apavorado.

Henrique entrou na sala.

— Eles passaram por aqui?

A médica percebeu imediatamente que havia algo estranho.

Olhou para os dois meninos.

Depois olhou para Henrique.

— Não. Não vi ninguém com essas características.

Henrique desconfiou, mas acabou indo embora.

Assim que ele saiu, a médica falou:

— Eu não sei exatamente o que está acontecendo, mas percebi que vocês estão com medo dele.

Leandro contou tudo.

A médica decidiu ajudá-los.

Ela os colocou em um carro que não chamaria atenção e os levou para longe dali.

DE VOLTA PARA CASA

Horas depois, os dois finalmente chegaram em casa.

Quando seus pais abriram a porta, ficaram completamente emocionados.

A mãe abraçou os dois.

O pai também.

Leandro começou a chorar.

— Desculpa, mãe.

Rafael completou:

— A gente foi muito irresponsável.

O pai respondeu:

— Vocês erraram. Mas são nossos filhos. Nós nunca deixamos de amar vocês.

Os dois contaram tudo o que havia acontecido.

Depois de tudo aquilo, Leandro e Rafael perceberam que não queriam continuar vivendo daquela maneira.

— Vamos voltar para nossa antiga escola — disse Leandro.

— E dessa vez vamos estudar de verdade — completou Rafael.

Os pais sorriram.

Não significava que todos os problemas desapareceriam imediatamente.

Mas aquela noite marcou um recomeço.

Os dois irmãos finalmente entenderam que liberdade não significa fazer tudo o que se quer.

Significa também assumir responsabilidade pelas próprias escolhas.

CENA PÓS-CRÉDITOS

O colégio estava completamente silencioso.

O Sr. Henrique caminhava pelo pátio, furioso.

— Onde estão os dois?!

Um segurança apareceu correndo.

— Senhor Henrique...

— O quê?!

— Encontramos uma coisa.

Henrique olhou para o dormitório.

As camas estavam vazias.

Os armários estavam abertos.

Não havia ninguém.

Henrique arregalou os olhos.

— Não...

Ele percebeu a verdade.

Enquanto todos os seguranças estavam ocupados procurando Leandro e Rafael, os outros 33 alunos haviam aproveitado a oportunidade para fugir.

Henrique ficou parado, completamente enfurecido.

Então gritou:

— MALDITOS SEJAM LEANDRO E RAFAEL! 😡

A câmera se afasta lentamente do colégio.

FIM.

Thoughts

  • conto84

    Relendo, reparei que o garoto assustado que diz que ninguém consegue sair deve estar entre os 33 do final. Achei bom imaginar ele pulando o muro enquanto todo mundo procurava os irmãos.

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  • RenataAlmeida

    Os dois irmãos com dezassete anos ainda no terceiro ano dão logo o tom: isto é uma fábula, com a moral no fim e tudo, e a cena pós-créditos tira-lhe o peso de sermão. Fez-me lembrar as histórias de colégio interno que os miúdos adoram ler precisamente porque ninguém quer lá ir parar.

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  • Ovid

    Os dois irmãos fugindo de árvore em árvore enquanto os outros 33 armam a confusão no pátio me fez pensar que quem tira todo mundo dali é o plano combinado entre eles, bem mais do que qualquer feitiço. Aposto que o Sr. Henrique ainda volta atrás dos dois. Gostei muito da cena pós-créditos, parece final de filme!

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  • tintaDeTerca

    Os pais foram o que mais me prendeu. Em momento nenhum eles desistem dos dois, e na volta o pai fala do erro e do amor na mesma frase. Aposto que os cinco dias longe de casa pesaram mais pros meninos do que qualquer maldição do Sr. Henrique.

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