A beldade da vitória, a resiliência da sobrevivência.
As cicatrizes ficaram, marcaram meu corpo e minha essência pela eternidade.
Julgam-me pelas marcas.
Julgam-me por eu ter sobrevivido.
Dizem que essas cicatrizes são uma aberração da natureza, falando que são a representação daquilo que me ocorreu.
Falam que essas marcas mostram o quão sórdio sou.
Que as marcas são a representação de que não me importo com a beleza daquilo em que já estou conscientizado.
Mas será que é isso mesmo ou só estão olhando o superficial?
Estão denominando da maneira correta, ou apenas pelo pensamento insalubre de tal?
Essas cicatrizes representam mais do que me aconteceu, representam que eu venci, que eu venci a guerra em que lutei tanto.
Essas marcas são a prova pura de que sai vitorioso.
Essas marcas são a representação de que ainda estou vivo para continuar.
Minhas dores quebraram meu ser.
Minhas batalhas me deixaram rachaduras.
E essas rachaduras foram concertados na vitória, restando apenas as marcas da minha Glória.
Marcas douradas, marcas que provam meu sucesso.
Marcas que reconstruiram meus quebradiços em ouro puro.
Sigo vivendo com essas marcas.
Sigo lutando em batalhas.
Sigo enfrentando guerras.
Sigo me restaurando.
Isto é tudo ou só uma unidade?
Isso é o final ou só o começo?
Ninguém sabe, a única certeza é que continuarei lutando.
A única certeza é que continuarei transformando minhas dores em ouro.
Minhas dores me destroem, mas também me melhoram.
Minhas dores me reconstroem, mas também me desafiam.
Não terei vergonha disso tudo, pois sei que sou imperfeito.
Não terei repulsa das cicatrizes, pois sei que elas mostram a vitória da minha vida.
Serei grato a tudo, pois tudo foi o que me fez voltar.
Serei grato a vida, pois muitos não conseguiram vencer a guerra que a tira.
Sou o que sou, sobrevivente dos assassinos do meu próprio psique.
Sou o que sou, um Kintsugi da minha alma.