Há um lugar dentro de nós
onde ninguém consegue entrar,
um pequeno universo sem portas,
onde até o silêncio aprende a falar.
Ali moram palavras nunca ditas,
abraços que ficaram para depois,
perguntas que nunca tiveram resposta
e sonhos que ainda esperam por nós.
Há sentimentos que não pedem passagem,
simplesmente chegam e ficam.
Sentam no canto da alma
e esperam que um dia os compreendamos.
Alguns chegam vestidos de alegria,
outros carregam o peso da saudade.
Há aqueles que parecem pequenos,
mas ocupam uma eternidade dentro da verdade.
E existe algo que ninguém nos ensina:
o coração também tem suas estações.
Às vezes floresce sem perceber,
às vezes precisa de tempo para entender suas próprias emoções.
Já reparou que o coração pode sorrir
mesmo quando os olhos estão cansados?
Que podemos estar cercados de pessoas
e ainda sentir falta de sermos verdadeiramente encontrados?
Talvez sentir seja isso:
carregar mundos que ninguém consegue enxergar
e, mesmo sem saber explicar o que acontece,
continuar acreditando que alguém poderá escutar.
Porque nem todo silêncio é vazio.
Alguns silêncios estão cheios de histórias.
Cheios de nomes, lembranças, sonhos,
pequenas derrotas e grandes vitórias.
E talvez a coisa mais bonita sobre sentir
seja justamente não conseguir controlar tudo.
Porque é quando o coração perde o controle
que descobrimos o quanto somos humanos.
Há sentimentos que chegam para ficar,
outros chegam apenas para ensinar.
Alguns mudam nossa maneira de amar,
outros mudam a maneira de enxergar.
Mas nenhum sentimento é completamente inútil.
Até aquilo que um dia nos fez chorar
pode, com o passar dos anos,
ensinar nossa alma a agradecer.
Então, se algum dia você não souber explicar
o que está acontecendo dentro de você,
não tenha vergonha do silêncio.
Talvez sua alma esteja escrevendo
uma história que suas palavras ainda não aprenderam a ler.
E quando finalmente conseguir entendê-la,
talvez descubra algo extraordinário:
que sentir nunca foi uma fraqueza.
Foi a maneira mais silenciosa
que a vida encontrou
de provar que ainda existe um coração
batendo dentro de nós.
Autor: João Guilherme Guimarães de Souza
Engenheiro Beltrão – Paraná