Nela eu encontrei tudo que eu sempre almejei ter. Encontrei aquilo que, por tanto tempo, procurei em lugares, pessoas e momentos que nunca conseguiram preencher o espaço que eu nem sabia explicar. Encontrei nela uma espécie de paz que não sabia que precisava, um conforto que não sabia que procurava e uma presença que, de alguma forma, parece fazer sentido até nos meus dias mais confusos.
Seria ela a minha “cara-metade”?
Ou seria ela uma versão alternativa de mim mesma, alguém que carrega pedaços meus que eu nunca soube reconhecer?
Às vezes, penso que talvez seja por isso que me sinto tão ligada a ela. Porque existe algo nela que me parece familiar, como se eu já a conhecesse antes mesmo de conhecê-la. Como se algumas partes de sua personalidade conversassem diretamente com partes de mim que sempre permaneceram em silêncio.
São tantas dúvidas que, às vezes, eu me perco nesse turbilhão de questões que envolvem ela.
Me pergunto se foi apenas coincidência termos nos encontrado ou se existe algum significado escondido por trás de tudo isso. Se ela chegou à minha vida por acaso ou se, de alguma maneira, era inevitável que nossos caminhos se cruzassem.
Talvez eu nunca encontre uma resposta exata para essas perguntas.
Talvez ela não seja minha cara-metade, porque talvez eu nunca tenha precisado de alguém que me completasse. Talvez ela seja alguém que me transborda. Alguém que não veio preencher vazios, mas despertar partes de mim que estavam adormecidas.
E talvez seja justamente isso que torna tudo tão bonito e, ao mesmo tempo, tão assustador.
Porque quanto mais eu conheço ela, mais descubro sobre mim.
Nos seus gestos, encontro reflexos meus. Nas suas palavras, encontro pensamentos que eu mesma já tive. No jeito como ela enxerga determinadas coisas, encontro uma perspectiva que parece estranhamente familiar. E, ainda assim, existem nela tantas coisas diferentes de mim que me fazem querer conhecê-la cada vez mais.
É como olhar para um espelho que não reflete exatamente a minha imagem, mas uma versão que poderia existir em outro universo.
Uma versão diferente, mas estranhamente parecida.
E talvez seja isso que ela seja para mim: não a metade que faltava, mas um pedaço de mundo que eu nem sabia que queria conhecer.
Porque nela eu encontrei coisas que sempre sonhei viver, sentimentos que sempre tentei transformar em poesia e uma presença que, sem pedir licença, encontrou morada em mim.
E, no fim, talvez eu continue sem saber se ela é minha cara-metade ou uma versão alternativa de mim mesma.
Mas existe uma coisa da qual, aos poucos, eu tenho certeza: entre tantas pessoas, tantos caminhos e tantas possibilidades, foi nela que alguma coisa dentro de mim decidiu ficar.