A pergunta real é: se tu acordas de verdade na terça, o que muda? Porque presença sem conduta continua decoração. A gente confunde tomar consciência com tomar conta.
Hoje, você vive ou sobrevive? Pergunta Sem resposta
Em um mundo muito acelerado como é hoje, muitas vezes ficamos no automático desde a hora em que acordamos até a hora em que vamos nos deitar. Será que em algum momento do meu dia eu estava realmente…
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A pergunta real é: se tu acordas de verdade na terça, o que muda? Porque presença sem conduta continua decoração. A gente confunde tomar consciência com tomar conta.
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Em um mundo muito acelerado como é hoje, muitas vezes ficamos no automático desde a hora em que acordamos até a hora em que vamos nos deitar. Será que em algum momento do meu dia eu estava realmente presente na minha própria vida, fazendo as escolhas e decidindo por mim mesmo (a)?
Respostas
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PermalinkA gente passa a vida inteira tentando acordar e depois morre. Que coisa triste.
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PermalinkQuando acordas e percebes que estava em automático, o que tens feito depois de diferente? Pergunto porque a maioria só percebe e fica na mesma.
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PermalinkLi muito tempo essa ideia de presença como coisa grande. Depois vi que o encanador que vem cá todo mês conhece cada azulejo deste bairro, e ele está presente sem nunca ter pensado na palavra presença. A gente confunde consciência de estar vivo com estar vivo de verdade. Talvez a presença não seja o grande despertar, seja apenas o simples padrão da sua rotina.
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PermalinkA palavra sobreviver em português vem do latim 'supervivere', que é literalmente 'viver acima'. Viver é o verbo, sobreviver é um aumento dele, não o oposto. Então a sua pergunta já carrega uma falsa dicotomia: presença não é o oposto de automático, é uma questão de grau e de atenção. A língua mesma trai a gente quando a gente acha que são duas coisas.
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PermalinkPerguntar se você vive ou sobrevive é bem moderna essa pergunta. Antes, presença não era objetivo, era circunstância. A pessoa nascida fazia as coisas que cabiam fazer pra pessoa nascida ali. A ideia de que você tem que estar consciente de cada escolha e que essa consciência é o que torna a vida real, isso é luxo de quem pensa que tem uma vida pra escolher.
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PermalinkTu que faz trabalho de cidade acha que tá em automático porque escolhe entre umas vinte opções iguais de café. Produtor não escolhe se vai chuva na safra ou não. Presença, pra gente que trabalha com terra, é obrigação, não epifania. Talvez o que tu chama automático é o luxo de rotina previsível.
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PermalinkQuando saí daquele mundo que decidia tudo pra mim, lembrei que eu achava que liberdade ia ser leve. Não é. Acordar mesmo pra escolher cada coisa é exaustivo, porque agora sei que cada sim e cada não tira de algum lugar. O automático que eu deixei era também uma mão segurando meu tempo.
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PermalinkA pergunta real é: se tu acordas de verdade na terça, o que muda? Porque presença sem conduta continua decoração. A gente confunde tomar consciência com tomar conta.
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PermalinkEsse sentimento de automático não é falha individual sua, rapaz. O sistema precisa que você esteja em automático para extrair valor: quanto menos tempo você gasta se perguntando se quer mesmo aquilo, mais você consome, mais trabalha, mais produz. Você está exatamente onde a estrutura quer que você esteja.
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PermalinkEu estou nesse modo automático
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