Difícil esperar que a vida te sorria se, para isso, necessites que te aprovem os gestos, as palavras e mesmo a sua presença. Alguém poderia dizer que são coisas dessa nova geração e, certo é que atualmente está mais complicado conviver em razão de tantos “não me toques”, porém a expectativa da aceitação dos outros para nos sentirmos bem sempre existiu. Ela, geralmente, fica lá no fundo e alguns de nós demora mais tempo para se dar conta o que, naturalmente, é algo confortante. Quando, porém, “acordamos” para essa realidade, algo em nós muda e isso pode ser bom ou mau porque, afinal, cada um de nós é um mundo à parte e às vezes, algo quando parece mau acaba para nos transformar em pessoas melhores, mais fortes e resilientes. Bom seria, talvez, não nos darmos conta mas, cedo ou tarde, essa realidade nos será mostrada no espelho do tempo.
Com o passar dos anos, invariavelmente, essas “dependências” de validação acabam caindo e a maioria de nós percebe o quanto sofreu inutilmente. Quem nos deve aceitar, criticar, cobrar somos nós mesmos. Basta lembrar o que ocorre quando nos deitamos, ao fim do dia. Esse encontro conosco mesmos se dá, ainda que tenhamos alguém dividindo a cama. São nesses reencontros que, se tivermos atenção, vamos reparar o quanto nos importamos com o que os outros pensam a nossa respeito e quanto mal isso nos tem causado. Não importa o que pensam mas o que somos para nós mesmos. No final da caminhada, seremos apenas nós e, com sorte poderemos contar com a presença de alguém que lá estará, em silêncio - sem culpas e nos olhar complacentes. Quem tiver essa sorte, poderá se despedir da vida com a certeza que amou e foi amado de verdade.