O celular com encomenda e funcionária perguntando de pedido continua ali no meio do café, e ninguém fez disso um problema. Trabalho e casal dividindo a mesma cozinha, pelo visto deu certo.
Final - Depois da Escolha
A vida que sonhamos nunca se parece exatamente com a vida que recebemos.
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Pensamento
O celular com encomenda e funcionária perguntando de pedido continua ali no meio do café, e ninguém fez disso um problema. Trabalho e casal dividindo a mesma cozinha, pelo visto deu certo.
Conteúdo da publicação
A vida que sonhamos nunca se parece exatamente com a vida que recebemos.
Durante muito tempo, imaginei que, quando finalmente estivéssemos juntos, tudo faria sentido.
Como se quinze anos de distância, escolhas erradas, silêncios, saudades e caminhos diferentes tivessem sido apenas uma longa espera até o momento em que nossas mãos finalmente se encontrassem.
Mas a vida não funciona assim.
Não existe uma música tocando ao fundo todas as manhãs.
Não existe certeza em todos os dias.
Não acordamos apaixonados da mesma maneira todas as vezes.
Às vezes, acordamos cansados.
Às vezes, discutimos por coisas pequenas.
Às vezes, ele esquece alguma coisa que eu pedi.
Às vezes, eu me fecho quando deveria falar.
Às vezes, a rotina ocupa tanto espaço que precisamos nos lembrar de parar e olhar um para o outro.
E, ainda assim, havia beleza naquilo.
Naquela manhã, por exemplo, eu estava na cozinha tentando tomar meu café enquanto conferia algumas mensagens do trabalho.
Meu celular não parava.
Uma nova encomenda.
Uma funcionária perguntando sobre um pedido.
Fotos de alguma novidade na loja.
Planos para o fim de semana.
Contas para pagar.
Coisas comuns.
Ele apareceu na cozinha ainda sonolento, pegou minha xícara sem perguntar e tomou um gole.
— Esse café é meu — reclamei.
Ele sorriu.
— Agora não é mais.
Revirei os olhos, mas sorri também.
Pouco depois, ouvi passos pela casa.
A voz da filha dele veio do corredor, trazendo aquela energia que sempre parecia mudar o ambiente.
— Pai!
Ele se virou imediatamente.
E eu fiquei observando aquela cena por alguns segundos.
A menina entrando na cozinha, contando alguma coisa que parecia urgente, Pedro tentando acompanhar a história enquanto preparava alguma coisa para ela comer.
E foi naquele instante que percebi.
Era isso.
Não havia nada extraordinário acontecendo.
Não estávamos em uma viagem inesquecível.
Não havia uma declaração de amor.
Nenhum reencontro cinematográfico.
Era apenas uma manhã.
A nossa manhã.
A casa tinha barulho.
Havia louça na pia.
Meu celular continuava tocando.
Ele precisava trabalhar.
Eu tinha uma reunião.
No sábado, provavelmente discutiríamos sobre para onde iríamos, e no domingo talvez acabássemos fazendo planos que nunca sairíamos do papel.
A vida continuava acontecendo.
E, pela primeira vez, eu não queria que ela fosse diferente.
Eu passei tantos anos imaginando como seria finalmente ficar com ele que quase esqueci de imaginar como seria viver com ele.
E viver era muito mais bonito.
Porque amar alguém não era encontrar uma pessoa que tornasse todos os dias perfeitos.
Era encontrar alguém com quem os dias imperfeitos também fizessem sentido.
Olhei para Ele.
Ele percebeu.
— O que foi?
Balancei a cabeça.
— Nada.
Ele sorriu daquele jeito que eu conhecia tão bem.
E voltou para a filha.
Eu fiquei ali, observando os dois, sentindo uma paz que durante muito tempo achei que só encontraria quando finalmente tivesse aquilo que desejava.
Mas talvez a paz não estivesse no momento em que conseguimos alguma coisa.
Talvez estivesse no momento em que paramos de fugir daquilo que escolhemos.
Durante quinze anos, eu achei que o nosso final feliz seria finalmente ficarmos juntos.
Hoje sei que não existe final feliz.
Existem dias felizes.
Existem dias difíceis.
Existem escolhas.
Existem recomeços.
E existe a pessoa que, mesmo conhecendo tudo o que você é, ainda decide caminhar ao seu lado.
Talvez fosse isso que havíamos escolhido.
Não um final.
Uma vida.
Thoughts
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PermalinkO Pedro tentando acompanhar a história urgente da menina enquanto faz a comida dela é a minha manhã das 6h40, só que sem ninguém roubando meu café.
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PermalinkO celular com encomenda e funcionária perguntando de pedido continua ali no meio do café, e ninguém fez disso um problema. Trabalho e casal dividindo a mesma cozinha, pelo visto deu certo.
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PermalinkA filha chamando o pai lá do corredor e ele se virando na hora. Lá atrás ela ainda estava vendo se você ficava mesmo, e agora entra na cozinha contando urgência como quem é de casa, visse.
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PermalinkQuero contribuir com a minha opinião sobre esse lindo texto, que mostra a felicidade — ou talvez a descoberta dela — na simplicidade do viver, sem a necessidade de grandes acontecimentos. E nos lembra que são os momentos simples que, muitas vezes, se tornam verdadeiramente importantes e apaixonantes.
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