A criatura que não persegue ninguém e só aparece de novo na frente deles porque correram, me lembra aquele tipo de sonho em que fugir é justamente o que aproxima a coisa. Medo servindo de comida é cruel demais.
Estou escrevendo umaa historia de fantasia/sobrenatural
Pensamento
A criatura que não persegue ninguém e só aparece de novo na frente deles porque correram, me lembra aquele tipo de sonho em que fugir é justamente o que aproxima a coisa. Medo servindo de comida é cruel demais.
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Capítulo 10 – O Jantar
— Vamos entrar.
Disse Leônidas.
— Sim!
Leônidas partiu em direção à enorme porta que separava o corredor principal do salão de jantar.
Nheeeee!
Todos pararam para observar a entrada deles.
Como se estivessem querendo confirmar algo.
— Uou! Esse salão é enorme, mãe.
— Sim, ele é enorme.
Sara já conhecia o salão. Afinal, muitos anos de sua vida ela estivera ali.
— Mark, esses são os Anciões.
— Atheron, Vhalek, Eryndor, Zareth e… o Ancião mais antigo, Kaelor.
Mark ficou maravilhado com a presença dos Anciões.
— É um prazer conhecê-los, senhores.
Mark demonstrou toda a educação que recebeu aos Anciões.
— O prazer é nosso, Mark.
Respondeu Kaelor, admirado com o entusiasmo do jovem.
— Tharok, você já conhece.
— É um prazer vê-lo novamente, senhor.
— É claro… É um prazer conhecê-lo, Mark.
— Hm… Aquele… é o cara com quem eu esbarrei. Qual era o nome dele mesmo? Ah! Strauss. Isso, esse era o “nome”. Afinal, ele só me disse o sobrenome.
Disse Mark, confuso.
— Você esbarrou nele, Mark?
Perguntou Sara.
— Sim, foi antes de encontrar vocês para virmos pra cá. Parece ser um cara legal e, estranhamente, forte…
— Aquele é nosso primo, Mark. Jonas Strauss. Um guerreiro formidável.
Disse Leônidas.
— Nosso… primo? Incrível.
— Ele parece tão diferente, Leônidas. O que aconteceu com ele?
— Não sei te dizer ao certo, Sara. O que eu sei é que o garoto sofreu muito. E, dado o histórico da nossa família, isso está parecendo mais normal do que deveria.
— Talvez esse seja justamente o problema da nossa família…
Murmurou Sara.
— Um dia, ele chegou até mim e pediu que eu o treinasse. Ele tinha uma energia formidável.
— Tinha? Como assim?
Questionou Sara.
— Ele era descuidado. A energia dele vivia vazando, o que acabava atraindo muitas infestações. Então, uma das primeiras coisas que ensinei a ele foi como controlar sua energia, quase a nível zero. Olhando para ele, você não pensa que ele possui energia. Porém, quando ele olha para você, dá para sentir que possui um poder enorme.
— Isso faz todo sentido. Agora eu entendo por que, quando esbarrei nele, havia algo estranho. Então ele esconde a energia!? Legal!
— Isso mesmo, Mark. Podemos dizer que ele esconde a própria energia.
— Incrível… Nem mesmo eu consigo deixar minha energia quase a zero. Leônidas, isso é incrível. E esse garoto… excelente.
Disse Sara, admirando o primo.
— Olá! Há quanto tempo não vejo você, Sara. É um prazer revê-la. Leônidas, Mark, é muito bom ver vocês.
— Oi, Jonas. Já faz muito tempo mesmo… Você cresceu.
Disse Sara, com um sorriso de canto.
— É muito bom ver você, Jonas — disse Leônidas.
— É… muito bom ver você também, Jonas.
Disse Mark, ainda intrigado. Acabava de conhecer um primo que nem sabia que existia.
— É… Jonas…
— Sim, Mark?
Curioso, Jonas aguardou a resposta.
— Amanhã… podemos fazer alguma coisa?
— Hã?
Jonas ficou surpreso com o pedido repentino.
— Como o quê? — perguntou.
— Eu queria conhecer mais daqui. E acho que Leônidas não vai poder me acompanhar… Mas só se não for atrapalhar você.
Jonas sorriu.
— É claro, Mark. Podemos explorar alguns lugares. Também estou curioso para saber mais sobre você.
— Legal!
— Pessoal, vamos nos sentar. O jantar já será servido.
Disse Leônidas.
E todos encontraram seus lugares.
Alguns minutos se passaram até que o jantar fosse servido.
Mark observava tudo ao seu redor com um olhar atento. Notava algumas pessoas cochichando sobre coisas estranhas, como se estivessem falando dele.
Aquilo o incomodava.
— Mark, pare de prestar atenção na conversa dos outros.
Disse Sara, firme.
— Ai! Como ela percebeu?
Mark ficou congelado.
— É sério isso? Ele achou mesmo que ela não perceberia?
Pensou Leônidas, envergonhado.
— Esse cara… é estranhamente interessante.
Pensou Jonas.
— Se esse é o homem que Leônidas acredita ser o nosso salvador, iremos todos morrer antes mesmo de ele tentar nos proteger.
Resmungou Tharok, levando as mãos à cabeça.
O jantar então foi servido.
Havia tantas coisas gostosas, tantas opções diferentes. Todos pareciam felizes com aquele momento de confraternização.
Porém, algo tirava a atenção de Leônidas.
Alguns cochichos entre os Anciões, Zareth e Atherom quebravam parcialmente a confiança que Leônidas depositava neles. Afinal, havia sido combinado que nada além de um simples jantar aconteceria.
— Diga-me, Mark… o que você sabe sobre o mundo?
Perguntou Tharok, de forma arrogante.
— O quê? É a terceira vez que me perguntam isso…
Mark parou por alguns segundos.
— O que eu sei sobre o mundo?
Ele respirou fundo antes de continuar.
— Eu sei que o mundo não é um lugar maravilhoso. Ele também traz coisas horríveis. Porém, mesmo um lugar capaz de trazer coisas horríveis pode trazer coisas boas.
Mark olhou ao redor.
— Eu não sei nada sobre esse mundo. Mas, se tem uma coisa que eu sei sobre o meu mundo, é que nele encontrei pessoas boas. Pessoas que eu amo… e pessoas que me amam.
Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.
— Meu pai. Minha mãe. Meus amigos.
Antes que Mark pudesse terminar, Tharok o interrompeu.
— Sua mãe? Hah! Não me faça rir. Sua mãe é uma de nós, não uma humana.
Mark permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então, levantou os olhos para Tharok.
— Para você, ela pode ser uma “de vocês”. Mas, para mim?
Mark não desviou o olhar.
— Ela é tão humana quanto eu. Ou quanto meu pai.
Tharok ficou em silêncio.
— Ela é a mais humana entre todos aqui. E, mesmo que você não perceba… essa é a maior força dela.
Naquele momento, Tharok encarou Mark.
Mark o encarou de volta.
Nenhum dos dois desviou o olhar.
— E se você continuar com isso… achando que pode nos desmerecer só porque somos diferentes…
Mark estreitou os olhos.
— Eu vou tirar esse sorrisinho da sua cara à força.
Tharok ficou surpreso.
Não esperava tamanha força nas palavras de Mark.
Por alguns segundos, apenas o encarou.
Então…
— Hahaha!
Tharok começou a rir.
— Tirar à força? Gostei de você, moleque.
Mark franziu a testa.
— Agora eu entendo…
— Entende o quê?
Questionou Mark.
Tharok apenas sorriu.
— Esquece. Estou indo.
Ele se levantou e começou a se afastar.
— Até outro dia.
Tharok saiu dali de certa forma satisfeito.
Pela primeira vez, talvez tivesse encontrado algo naquele garoto que não conseguia enxergar nos outros.
Algo que o fez sorrir.
Todos à mesa ficaram surpresos com a fala de Mark.
Para alguns, era apenas a ousadia de um garoto.
Para outros, era quase uma promessa.
Afinal, ninguém ali conhecia o verdadeiro poder de Mark. Nem mesmo Leônidas.
Apenas Sara havia visto uma pequena fração do que ele era capaz de fazer.
Capítulo 11 – Lembranças de um passado próximo.
— Vamos, Mark! Você está devagar!
Gritou Leônidas.
— Cara, eu não consigo acompanhar… Ai!
Mark e Leônidas estavam em um treino intenso.
Leônidas acertou um golpe em Mark, lançando-o para longe.
— Ai!
POW! POW!
Mark capotou algumas vezes até parar.
— Ahaa… ahaa…
— Você está bem?
Perguntou Leônidas.
— Eu só preciso descansar um pouco…
— Certo.
Leônidas então olhou para Sara.
— Sara! Venha até aqui, por favor.
— Estou indo.
Sara se aproximou, intrigada.
— Sim?
— Quando eu disse que iríamos treinar o Mark, eu não fazia ideia de como você está atualmente. Faz anos que não vejo você lutar.
Leônidas assumiu uma postura de combate.
— Mostre-me sua força atual.
Sara sorriu.
— Certo!
Ela deu um salto para trás, ganhando distância de Leônidas.
VOOOOOOOM!
Uma energia verde surgiu ao redor de Sara.
Seu arco se manifestou em suas mãos.
Mark, que ainda descansava no chão, imediatamente voltou sua atenção para os dois.
— Incrível… O arco surgiu do nada.
Mark franziu a testa, tentando entender como aquilo funcionava.
— Faz anos que eu não via seu arco, Sara.
Leônidas observou a arma por alguns segundos.
— Ele continua tão imponente quanto antes. É como se fosse a primeira vez que o vejo.
Sara avançou em direção a Leônidas.
— Um ataque frontal com o arco?
Leônidas estreitou os olhos.
— Isso não parece com você, Sara…
— Toma essa!
Sara correu em direção ao irmão.
Leônidas se preparou para receber a flecha que certamente viria.
— O que ela está pensando em fazer?
Perguntou Mark.
Sara levou a mão até a corda do arco e fez o movimento de puxá-la.
Mas nenhuma flecha surgiu.
Leônidas franziu a testa.
Então baixou a guarda.
Algo estava errado.
E foi nesse instante que—
POOOOW!
Sara acertou um soco diretamente no rosto de Leônidas.
— Ngh!
O golpe o deixou desorientado.
Sara imediatamente puxou a corda do arco.
VOOOOOOOM!
Uma flecha surgiu a poucos centímetros de Leônidas.
BOOOOOOM!
A explosão lançou Leônidas para longe.
Mark arregalou os olhos.
— Então essa era sua ideia?
Leônidas se levantou, limpando o sangue do canto da boca.
Um sorriso surgiu em seu rosto.
— Muito bom, Sara.
Mark estava maravilhado.
— Incrível… Como ela pensou nisso?
Ele olhou para o arco.
Depois, para a mãe.
— O tempo todo eu estava focando no arco…
Mark sorriu.
— Mas a verdadeira arma é a minha mãe.
Ele balançou a cabeça, impressionado.
— Sinistro.
Leônidas estava cativado.
— Vamos nessa, maninha.
Leônidas aumentou a velocidade e, em um instante, estava cara a cara com Sara.
— Incrível… ele é extremamente rápido.
Mark franziu a testa e tentou alertar Sara.
— Mãe, cuidado!
— Obrigada, filho.
— Hmm?
Leônidas franziu a testa por um momento.
— O que foi, Leônidas? — perguntou Sara.
— Mark!
— Sim?
— Você conseguiu ver meu movimento? — perguntou Leônidas, confuso.
Mark franziu a testa e ficou alguns segundos mentalizando o que havia acabado de acontecer.
— Hmm… De certa forma, acho que sim. Não sei por quê.
Leônidas permaneceu em silêncio.
— Para mim, a melhor escolha seria aquela que você fez.
Mark apontou para Leônidas.
— Uma esquiva seguida de um soco na costela. Seria o movimento ideal.
Leônidas arregalou levemente os olhos.
— Fantástico…
Logo após a análise precisa de Mark, uma voz ecoou pelo campo de treinamento.
— Vejo que vocês estão bem ocupados.
— Hã?
Todos olharam na direção da voz.
Jonas se aproximava, observando o treinamento.
— Estava observando vocês. Esse treino está muito bom. E sobre o que o Mark acabou de dizer… como você soube disso, Mark?
— Então, Jonas… para mim, seria a escolha óbvia. Eu faria exatamente esse movimento. E, analisando o Leônidas… pelo que me falaram, ele é um guerreiro extremamente habilidoso. Eu não esperava menos.
— Entendo…
Sara olhou para Leônidas, ainda um pouco confusa.
— Leônidas…
— Sim, Sara?
— Sobre o que o Mark falou… você realmente faria aquilo? Aquele movimento exato?
Sara estava intrigada. Afinal, nem mesmo ela conseguia prever os movimentos do próprio irmão.
Leônidas ficou em silêncio por alguns segundos.
— Sim… era exatamente o que eu estava prestes a fazer.
Sara arregalou levemente os olhos.
— Incrível… quando foi que ele cresceu tanto?
Ela permanecia confusa.
Jonas observou Mark por alguns instantes antes de responder.
— Seu menino não é só mais um menino, Sara. Ele cresceu. Evoluiu. E, se me lembro bem, na luta contra Thayen você disse que ele fez algo semelhante.
Sara lembrou quase imediatamente daquele momento.
— Sim… ele fez.
Ela abaixou o olhar, pensativa.
— Na hora, achei que fosse apenas reflexo. Mas agora… ele nem sequer estava lutando e conseguiu prever o movimento de Leônidas.
Jonas deu um pequeno sorriso.
— Exatamente.
Então, olhou para Mark.
— Mark, vamos. Quero te mostrar algumas coisas.
— Sim!
Mark se virou rapidamente.
— Mãeeee! Eu vou dar uma volta com o Jonas. Não vou demorar!
— Tudo bem, filho. Cuidado.
— TÁ!
Mark saiu acompanhando Jonas.
Sara permaneceu olhando para os dois enquanto se afastavam.
Leônidas se aproximou dela.
— Parece que seu filho está começando a nos surpreender.
Sara suspirou.
— É… e isso está começando a me preocupar.
Após os acontecimentos, Mark e Jonas saíram para explorar as maravilhas daquele mundo.
— Hmm…
Jonas olhou para Mark.
— Então, Mark… o que você quer saber?
— Hã?
Mark ficou confuso.
— Você está inquieto. O que gostaria de saber?
Mark arregalou levemente os olhos.
“Incrível… eu nem falei nada e ele percebeu.”
— Eu… queria saber mais sobre você.
— Sobre mim? O quê, por exemplo?
— Você parece ser tão forte, mas ao mesmo tempo tão jovem. Como conseguiu todo esse poder? Já enfrentou uma infestação? O que você acha de…
Antes que terminasse, Jonas o interrompeu.
— Mark, calma. Uma coisa de cada vez, certo?
— Haha… certo. Desculpa.
Jonas sorriu.
— Então… você quer saber por que eu sou tão forte, mesmo sendo tão jovem?
— É.
— Está interessado em poder, Mark?
Mark não entendeu o sentido da pergunta.
— Hmm… não exatamente.
Ele pensou por alguns segundos.
— É porque, quando vi meu tio pela primeira vez, eu sabia que ele era forte. Ou pelo menos tinha a impressão de que ele era realmente forte. Dá para perceber pela experiência que ele carrega.
Mark olhou para Jonas.
— Mas você… você parece ser tão jovem quanto eu.
— Hã?
Jonas riu.
— Haha… entendi onde você quer chegar.
Ele colocou as mãos atrás da cabeça enquanto caminhava.
— Você deve estar pensando que sou muito jovem para ser forte.
— É…
— E você não está errado.
Mark ficou surpreso.
— Mas como assim?
Jonas continuou caminhando tranquilamente.
— Algumas pessoas levam anos para chegar ao auge de seu poder. Outras simplesmente não têm as experiências necessárias para alcançar todo o seu potencial.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Então, parou embaixo de uma árvore.
— Mas existem três coisas que podem fazer alguém se tornar forte.
Os olhos de Mark brilharam.
— Uooou! O que são?
Jonas sorriu.
— As três coisas que podem fazer uma pessoa se tornar forte, Mark…
Ele ergueu um dedo.
— Primeiro: o tempo.
— Uma pessoa pode passar anos treinando e, mesmo assim, nunca atingir todo o seu potencial. Mas o tempo traz experiência. Cada batalha, cada erro, cada escolha… tudo isso ensina alguma coisa.
Jonas ergueu um segundo dedo.
— Segundo: o amor.
Mark ficou em silêncio, prestando atenção.
— Muitas pessoas se tornam fortes para proteger aqueles que amam. Às vezes, nem percebem isso. Elas lutam, correm atrás e se esforçam desesperadamente para ficarem fortes o suficiente para proteger alguém.
Jonas então ergueu o terceiro dedo.
Seu sorriso desapareceu.
— E terceiro… a dor.
Mark percebeu imediatamente a mudança em seu tom.
— Algumas pessoas se tornam fortes porque não têm escolha. Elas precisam se tornar fortes para não sofrer novamente.
Jonas abaixou o olhar.
— Algumas passam por uma dor tão imensa que começam a acreditar que nunca mais serão felizes.
Ele fez uma pequena pausa.
— Mas isso é mentira.
Mark permaneceu em silêncio.
Jonas levantou os olhos novamente.
— A dor pode mudar você, Mark. Pode te destruir… ou pode te ensinar.
Ele sorriu levemente.
— Mas, no fim, não importa o que aconteceu com você.
— Você ainda pode escolher o que fazer depois disso.
Jonas voltou a caminhar.
— Você faz a sua própria felicidade.
— Cara… descul-
Antes mesmo de terminar, Jonas interrompeu Mark.
— Não tem por que se desculpar. O fato é que o que aconteceu comigo é uma verdadeira confirmação do que acabei de falar para você. E isso é o que importa, porque quem me ensinou isso estava completamente certo.
Mark ficou em silêncio por alguns segundos.
— Quem te ensinou isso, Jonas?
Jonas desviou o olhar.
— Meu pai…
Anos antes.
— Pai! O que torna uma pessoa forte?
O homem olhou para o filho e sorriu.
— Jonas… sente-se aqui.
Os dois se sentaram próximos a uma grande árvore.
O vento soprava suavemente por entre os galhos, fazendo seus cabelos balançarem.
— É tudo tão lindo, não é, filho?
— Sim!
O pai olhou para o horizonte.
— Jonas, existem três pilares que tornam uma pessoa forte.
— Quais?
— O tempo, o amor e a dor.
Jonas franziu a testa.
— Como assim, pai?
O homem apontou para a árvore.
— O tempo.
— Uma pessoa pode passar anos treinando e, mesmo assim, nunca atingir todo o seu potencial. Mas o tempo traz experiência. Cada batalha, cada erro, cada escolha… tudo isso ensina alguma coisa.
Jonas permanecia atento.
— O amor.
— Muitas pessoas se tornam fortes para proteger aqueles que amam.
Então o pai ficou em silêncio por alguns instantes.
— E, por último… a dor.
Jonas o encarou.
— Algumas pessoas se tornam fortes porque não têm escolha. Elas precisam se tornar fortes para não sofrer novamente.
Jonas ficou confuso.
Ainda era jovem demais para compreender completamente o significado daquelas palavras.
Mas, de alguma forma, elas ficaram marcadas em sua memória.
— Vamos para casa. Está ficando tarde.
— Certo!
Os dois se levantaram e começaram a caminhar.
— Hahaha! Não é? É tão engra-
Jonas parou.
Seu sorriso desapareceu.
Ao se aproximarem de casa, os dois se depararam com uma cena de completo desespero.
Casas destruídas.
Pessoas caídas pelas ruas.
O silêncio havia tomado conta do lugar.
— O-oq… o que aconteceu aqui?
O pai ficou imóvel.
Jonas segurou sua mão.
— Pai…
Sua voz tremia.
— Filho… fique atr-
Antes que pudesse terminar, uma criatura surgiu em meio aos destroços.
Era completamente sombria.
Não possuía olhos.
Seu corpo estava coberto por um manto escuro como a própria noite, e onde deveria existir um rosto, havia apenas um vazio.
Ao redor dela, uma energia verde se contorcia.
O homem arregalou os olhos.
— Uma Infestação?
Ele observou a criatura por alguns segundos.
— Não…
Sua expressão mudou.
— Isso é diferente.
Jonas começou a tremer.
— Que criatura é essa?
A criatura deu um passo em sua direção.
— AAAAAAAAAAA!
Jonas e seu pai começaram a correr.
Mas havia algo estranho.
A criatura não os perseguia.
Eles continuaram correndo até estarem longe o suficiente.
Pararam.
Jonas estava ofegante.
— Acho que… conseguimos…
O pai olhou para trás.
Nada.
Nenhum sinal da criatura.
— Espere…
O homem ficou em silêncio.
Então sentiu algo.
— Jonas…
— O quê?
O pai lentamente virou o rosto.
A criatura estava diante deles.
Novamente.
Jonas arregalou os olhos.
Ela não havia corrido.
Não havia seguido seus passos.
Simplesmente estava ali.
Como se tivesse surgido do próprio medo deles.
A criatura não era movida pelo desespero, como as Infestações.
Ela era movida por…
Medo.
O medo que causava nos outros era o que a alimentava.
Jonas mal teve tempo de reagir.
Em um instante, estava olhando para seu pai.
No outro…
A mão da criatura atravessava o peito dele.
— P-Pai…
O homem arregalou os olhos.
Sangue escorreu por sua boca.
— Jonas…
Seu corpo caiu.
O mundo pareceu parar.
Jonas ficou imóvel.
Não conseguia ouvir nada.
Não conseguia pensar.
Não conseguia respirar.
Então…
Algo dentro dele se rompeu.
Seu medo desapareceu.
A tristeza deu lugar à raiva.
E sua energia explodiu.
Uma quantidade absurda de energia tomou conta do local, completamente descontrolada.
⸻
A alguns quilômetros dali…
Leônidas abriu os olhos.
— O quê?
Ele sentiu uma energia que jamais havia sentido antes.
— Essa energia…
Leônidas imediatamente partiu em sua direção.
⸻
Ao chegar ao local, Leônidas ficou espantado.
Diante dele estava uma criatura sombria.
E, diante dela…
Uma criança.
— Um espectro…
Leônidas olhou para Jonas.
— E uma criança?
Ele imediatamente correu para salvá-lo.
Mas então percebeu algo.
Jonas não estava tentando fugir.
O garoto estava enfrentando o espectro.
Tomado pela raiva, Jonas avançava contra a criatura.
O espectro tentava fugir.
Mas Jonas era rápido.
Forte.
E, acima de tudo…
Inteligente.
Ele observava cada movimento da criatura.
Esperava.
Analisava.
Até que, finalmente, surgiu uma oportunidade.
Jonas avançou.
E atravessou o braço diretamente pelo peito do espectro.
Leônidas parou.
Seus olhos se arregalaram.
— Esse garoto…
O espectro começou a desaparecer diante de Jonas.
E, naquele momento, Leônidas percebeu que aquilo que acabara de testemunhar…
Não era apenas o nascimento de uma força.
Era o nascimento de alguém que carregaria aquela dor pelo resto da vida.
Dias atuais.
— Sinto muito pelo seu pai, Jonas. Ele parecia ser uma ótima pessoa.
Jonas parou, olhou atentamente para o seu, e sorriu.
— De certa forma, Mark, meu pai está comigo.
— Entendi.
— Mark, quer ver uma coisa legal?
— Claro, o que seria?
— Você já viu um dragão?
— O que? Dragões existem aqui?
— Claro, vamos.
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Fixado por quem publicou
PermalinkPessoal, capítulos novos: https://www.seavien.com/discussion/estou-escrevendo-uma-historia-de-fantasiasobrenatural-ZswxOAa3gVaK/conversations
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PermalinkA Sara puxando a corda sem flecha nenhuma só pra encaixar o soco, isso eu adorei. O Leônidas baixou a guarda e eu baixei junto.
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PermalinkCapítulo novo pessoal: https://www.seavien.com/discussion/estou-escrevendo-uma-historia-de-fantasiasobrenatural-I0FlYwXTqHbk/conversations
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PermalinkPronto, o dragão.
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PermalinkA criatura que não persegue ninguém e só aparece de novo na frente deles porque correram, me lembra aquele tipo de sonho em que fugir é justamente o que aproxima a coisa. Medo servindo de comida é cruel demais.
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PermalinkPessoal, sequência postada. Vem conferir: https://www.seavien.com/discussion/estou-escrevendo-umaa-historia-de-fantasiasobrenatural-UL05z6lRDPj9?sv_s=r56b3grlds5v
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PermalinkOs três pilares o Jonas repete do jeitinho que o pai falou debaixo da árvore, e só depois a gente entende o que aconteceu com o homem. Isso me fez pensar que ele decorou aquilo num dia e entendeu num outro.
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PermalinkO Jonas entra como o primo simpático que todo mundo fica feliz de rever, e aí cê joga aquele passado em cima dele, o pai caindo na frente do menino daquele jeito. Fiquei apertada na parte do silêncio, quando ele não consegue nem respirar. Aposto que ele ainda não contou isso inteiro pro Mark.
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PermalinkO Mark achando que ia escutar a mesa inteira cochichando sem a mãe notar, bah. Mãe nota. Ele congelou ali e eu ri sozinho.
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PermalinkO Tharok saiu satisfeito depois de levar aquela resposta do moleque, gente. Esse tipo de figura sempre volta. Ele vira aliado do Mark ou ainda vai aprontar?
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PermalinkA resposta do Mark pro Tharok, aquela de que a mãe dele é a mais humana de todos ali, me fez pensar num personagem que ganha a mesa sem levantar a voz. Aposto que o Tharok volta como aliado dele, riu demais pra quem tinha saído ofendido. Obrigado por continuar postando os capitulos aqui!
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