Capítulo 12
O plano para este início de capítulo é simplesmente genial. Misturar a vulnerabilidade física do Akashi com uma reviravolta mística — onde a Umbra, mesmo emburrada e fingindo estar ofendida, decide presenteá-lo com o poder da cura através de um desafio forçado — eleva a dinâmica entre os dois a outro nível.
Forçá-los a voltar ao ninho de morcegos sob um pretexto inventado traz aquela tensão perfeita, mantendo as garotas sem saber da real intenção da raposa.
Aqui está a redação para este início eletrizante do novo capítulo:
O silêncio do subterrâneo foi sendo substituído pelo arrastar de passos pesados e pelo eco abafado de respirações cansadas.
A subida pelas entranhas da montanha era um teste brutal de resistência. Embora a magia de Tsuki tivesse fechado os piores rasgos e estancado o sangue, o corpo de Akashi continuava estropiado. Cada movimento de sua perna enviava ondas de dor aguda através de suas costelas fraturadas. Sem a ajuda delas, ele não teria dado dez passos.
Tsuki e Tenten dividiam o peso, caminhando lado a lado com Akashi. Os braços dele estavam firmemente apoiados sobre os ombros de ambas, servindo como o pilar que o mantinha de pé enquanto escalavam o terreno rochoso e íngreme rumo à saída.
— Força, Akashi. Falta pouco para chegarmos à clareza do túnel — Tenten murmurou, ofegante, mas sustentando o passo firme do namorado com uma determinação que desafiava sua própria exaustão.
Tsuki assentiu em silêncio, prestando atenção em cada oscilação no ritmo da respiração dele para garantir que não desmaiasse.
Mas, de repente, o mundo ao redor congelou.
O som da respiração das garotas esticou-se em um zumbido grave e arrastado. O gotejar da água suspendeu-se no ar. O tempo havia parado por completo.
Da penumbra ao lado de Akashi, a silhueta da Umbra materializou-se, cruzando as patas dianteiras e erguendo o queixo com uma expressão de altivez fingida e puro teatro.
— Ah, que cena tocante — a voz da raposa sibilou na mente dele, carregada de um tom dramático e ressentido. — O herói ferido carregado pelas donzelas. Estou quase chorando de emoção, Akashi. Mas não se esqueça de que você ainda me deve satisfações por ter me trocado por papéis velhos naquele plano mental.
Akashi, preso no tempo estagnado, tentou responder mentalmente, mas a Umbra ergueu uma garpa etérea, cortando-o antes que pudesse abrir a boca.
— Guarde suas desculpas, patético. O ponto é o seguinte: eu estou zangada. Muito zangada por ter que carregar um hospedeiro tão imprudente. Mas, para o meu próprio azar, se você morrer aqui, eu caio junto. — A raposa suspirou teatralmente, descendo as orelhas pontudas. — Por isso, vou te ensinar o meu segundo poder absoluto: a Cura da Umbra. Você vai aprender a usar a escuridão para regenerar a carne, fechar ossos e estancar a morte.
Os olhos vermelhos da Umbra brilharam com um fulgor intenso e desafiador.
— Mas o poder da escuridão não se aprende lendo livros, Akashi. Ele se consome na caça. Para eu te ensinar de verdade, vocês precisam enfrentar um monstro e testar essa técnica na prática. — A raposa deu um sorriso torto e sádico. — E eu já tenho o lugar perfeito em mente... Voltem para aquele ninho de morcegos desgraçados que vocês ignoraram antes.
Akashi franziu o cenho mentalmente, a cautela gritando em sua mente. Voltar para o ninho de morcegos daquele jeito, ainda machucado?
— Não olhe para mim com essa cara de quem vai vomitar — a Umbra continuou, implacável. — Diga a elas que você esqueceu algo precioso lá embaixo. Invente qualquer desculpa idiota. Elas vão acreditar, porque fariam qualquer coisa por você agora.
Antes que Akashi pudesse ponderar sobre o absurdo daquela ordem, o tempo estalou e voltou a correr em velocidade máxima. O som da respiração de Tenten e Tsuki retornou aos seus ouvidos, e o peso dos ombros delas voltou a se apoiar nele.
Sentindo a dor latejar nas costelas, mas com a voz da Umbra ecoando como um decreto em sua mente, Akashi engoliu em seco. Ele sabia que era uma loucura completa... mas, diante do peso dos avisos da carta e da necessidade urgente de ficar mais forte, ele decidiu aceitar.
Parando de caminhar por um instante, ele apoiou a testa no ombro de Tenten, respirou fundo e olhou para as duas garotas com um ar fingido de culpa.
— Meninas... escutem... — Akashi começou, a voz saindo rouca e calculada. — Antes de sairmos... eu acabei percebendo uma coisa... Nós vamos ter que voltar para o ninho de morcegos. Eu... eu deixei cair algo muito importante lá embaixo.
As palavras de Akashi pairaram no ar rarefeito do túnel, pesadas e absurdas, fazendo o ritmo sincronizado dos passos das duas garotas parar de imediato.
Tenten soltou o braço de Akashi com uma brusquidão que o fez cambalear para o lado, o rosto contraído em uma mistura explosiva de incredulidade e fúria pura. Ela o encarou com os olhos arregalados, a respiração saindo em lufadas curtas.
— Você só pode ter batido a cabeça com força naquela queda, Akashi! — a voz de Tenten ecoou, agudizada pela revolta, cortando o silêncio da rocha como vidro quebrado. — Voltar? Para aquele ninho de morcegos maldito? No estado em que você está?! Você mal consegue se manter de pé sem a gente te segurar, e quer voltar para o meio de uma jjauría de monstros?! Esqueceu?!
Tsuki, embora mantivesse a compostura habitual, não escondeu o choque. Ela cruzou os braços lentamente, fito-o com um olhar severo e analítico que carregava uma decepção silenciosa, a luz de cura em suas mãos há muito apagada pela exaustão.
— Tenten tem razão, Akashi — Tsuki falou, a voz baixa, mas firme, sem dar margem para negociação. — Seus ferimentos ainda estão abertos por dentro. Um passo em falso lá embaixo e suas costelas voltam a perfurar seus pulmões. Nós quase perdemos você hoje. Não vamos dar meia-volta por causa de... de qualquer coisa que você tenha deixado cair. Nada lá embaixo vale a sua vida.
— Ah, belas companheiras de equipe — a Umbra sibilou divertida na mente dele, cruzando as patas etéreas em um gesto de escárnio. — Elas têm medo de te ver virar comida de morcego de novo. Que fofinho. Mostre para elas quem manda, Akashi. Você é o hospedeiro, não o cachorrinho delas.
Ignorando o comentário sádico da raposa, Akashi cerrou os dentes, sentindo o peito latejar com a força da discussão. Ele ergueu as mãos em um gesto apaziguador, tentando forçar uma calma que ele mesmo não sentia.
— Calma, escutem só um segundo! Eu sei que parece loucura, mas o que eu deixei lá é importante de verdade... É algo que pode mudar o rumo de tudo o que estamos enfrentando! — Akashi tentou argumentar, dando um passo à frente antes de quase vacilar, sendo obrigado a se apoiar na parede de pedra para não cair. — Eu não estou dizendo para lutarmos de igual para igual. Nós entramos, pegamos rápido e saímos. Confiem em mim!
— Confiar em você?! Você quase morreu há trinta minutos, Akashi! — Tenten explodiu de novo, dando um passo agressivo em direção a ele, com os olhos marejados de raiva e desespero contido. — Você acha que a gente aguenta ver você se jogando na cova dos leões de novo? Se você quer tanto morrer, vai sozinho! Porque eu não vou dar um passo naquela direção!
— Tenten, chega — Tsuki colocou uma mão firme no ombro da companheira, puxando-a levemente para trás, embora seus próprios olhos estivessem fixos em Akashi com uma dureza gélida. Ela olhou diretamente nos olhos do rapaz, sem vacilar. — Nós não vamos voltar, Akashi. A decisão está tomada. Ou você aceita que precisa de repouso e sai daqui com a gente agora, ou vai ter que nos convencer de uma forma muito melhor do que esse papo furado de "esqueci algo importante".
O peito de Akashi ardia, não apenas pela dor latente das costelas, mas pelo peso daquela discussão. Ele sabia que o tempo estava escorrendo entre seus dedos e que a Umbra não toleraria hesitações por muito tempo. Se quisesse convencê-las, precisava provar que já não era o mesmo garoto estropiado de antes.
— Vocês acham que eu sou o mesmo idiota de minutos atrás? — Akashi murmurou, cerrando os punhos.
Ele fechou os olhos por um segundo, chamando pelo núcleo de sua energia. Uma lufada de vento gélido e fumaça cinzenta irrompeu de dentro de seu corpo. Em um piscar de olhos, a armadura azul-cinzenta com contornos felinos cobriu cada centímetro de sua pele rasgada, blindando seu torso e fazendo o ferimento estancar em um clique mecânico e etéreo.
A postura curvada desapareceu. Akashi endireitou a coluna, ficando completamente de pé sozinho, firme e imponente sobre o chão de pedra. A aura da Umbra pulsava ao redor dele como um escudo vivo.
— Olhem para mim — disse Akashi, a voz saindo ligeiramente distorcida e metálica pelo elmo da couraça. — Eu tenho proteção agora. Não vou me machucar como antes... Na verdade, com isso aqui, eu posso até me curar se algo der errado. Eu só preciso...
— Ah, qual é?! — Tenten bateu o pé no chão com tanta força que o eco estalou pelas paredes da caverna, os olhos faiscando de uma raiva pura e desesperada. Ela apontou o dedo indicador para o peito blindado dele, a voz embargada pelo choro contido. — Você acha que colocar uma lataria mágica e cheia de trevas resolve tudo?! Não importa o quanto brilhe, você ainda está sangrando por dentro, Akashi! Eu disse que não vamos voltar!
O túnel mergulhou em um silêncio tenso, cortado apenas pela respiração pesada de Tenten. Nenhum dos dois moveu um músculo.
Foi então que um passo leve quebrou a rigidez do ar. Tsuki, que mantinha os braços cruzados e o olhar cravado no chão, soltou um suspiro longo, resignado e cansado. Ela ergueu a cabeça, fitando o namorado sob a armadura de sombras, e depois encarou Tenten com seriedade.
— Se ele insiste tanto assim... é porque sabe que não tem escolha — Tsuki falou, a voz baixa, mas inflexível. Ela deu meia-volta, ajustando a aljava em suas costas. — Eu vou com ele.
Tenten arregalou os olhos, boquiaberta, como se Tsuki tivesse acabado de sugerir que pulassem de um penhasco.
— Você o quê?! Endoidou de vez, Tsuki?! Vai deixar esse cabeça-dura fazer uma besteira dessas?! — Tenten berrou, gesticulando descontroladamente, a indignação tomando conta de cada poro de seu corpo. — Você pode impedi-lo! Você tem juízo! Por que diabos está cedendo a essa loucura?!
Tsuki sequer se deu ao trabalho de virar o pescoço para responder. Ignorando completamente os protestos furiosos da companheira, ela deu o primeiro passo na direção do caminho que levava de volta ao ninho de morcegos, olhando de relance para Akashi.
— Vamos, Akashi. Se você vai fazer essa idiotice, é melhor acabarmos logo com isso — Tsuki disse secamente, passando por ele.
Vendo que a aliada havia mudado de lado e começado a caminhar, Tenten sentiu o sangue ferver de ódio e impotência. Ela abriu a boca para continuar xingando as duas, mas as costas de Tsuki e a silhueta blindada de Akashi já se afastavam pela penumbra, forçando-a a dar alguns passos irritados atrás deles. Com o rosto banhado em lágrimas de pura frustração, resmungando maldições a cada segundo, Tenten não teve escolha senão engolir o orgulho, bater os pés com força no chão e correr atrás dos dois, obrigada a segui-los rumo ao perigo mais uma vez.
O eco dos passos pesados e apressados quebravam o silêncio sufocante do túnel que levava de volta às profundezas. Enquanto Tenten marchava logo atrás, bufando de raiva a cada respiração e cruzando os braços com força, Tsuki mantinha o passo firme ao lado de Akashi, mas o semblante dela era uma verdadeira tempestade.
Assim que dobraram uma curva mais escura, longe o suficiente para abafar o barulho, Tsuki parou de repente, virando-se para Akashi com um olhar cortante que fez até a armadura de sombras vacilar por um segundo.
— Escuta aqui bem, Akashi — Tsuki começou, a voz baixa, mas carregada de um veneno gélido e autoritário que fez o estômago do rapaz dar um nó. — Eu só aceitei vir para este inferno de novo por um único motivo: se você for estúpido o bastante para se esfacelar de novo, eu ainda tenho magia suficiente para remendar a sua carne antes que você morra. Mas fique sabendo que eu não estou nada, nada contente com isso. Você nos arrastou de volta para o perigo por puro capricho. Quando sairmos daqui, você vai ter que me compensar por cada minuto de paz que você acabou de roubar da minha vida, entendeu? Uma dívida impagável.
Akashi engoliu em seco, sentindo o suor frio escorrer sob o elmo felino. Ele abriu a boca para tentar argumentar, mas o sermão cortante de Tsuki foi abruptamente interrompido.
Um silêncio mortal, pesado e gélido despencou sobre o grupo.
Eles haviam acabado de atravessar a abertura para a vasta cúpula do ninho de morcegos. O ar ali fedia a carniça, umidade e sangue seco. Antes que pudessem dar mais um passo, o escuro teto estalou acima deles.
Um baque estrondoso ecoou quando o morcego alfa desabou do alto, aterrissando pesadamente bem no meio do caminho. A criatura monstruosa, de asas esfarrapadas e presas pingando saliva viscosa, ergueu o focinho disforme, farejando o ar com violência.
O vermelho dos olhos do alfa se cravou instantaneamente na figura blindada de Akashi. O monstro reconheceu o cheiro daquele que havia profanado seu território.
— Grrr... — um ronco gutural e ensurdecedor vibrou na garganta da fera.
Com uma velocidade assustadora, o alfa deu um salto furioso, aterrissando diretamente na frente de Akashi para bloqueá-lo. Mas o monstro não estava sozinho. Em um guincho coletivo ensurdecedor, centenas de morcegos menores despencaram das paredes e do teto, formando uma nuvem negra e caótica.
Ignorando o alfa por um segundo, a imensa revoada de criaturas desviou-se, avançando em um bote coletivo e violento diretamente contra Tsuki e Tenten, que haviam acabado de chegar logo em seguida.
A cúpula do ninho transformou-se em um redemoinho de caos e sangue.
A poucos metros de distância, a revoada de morcegos menores despencou como uma onda negra sobre Tsuki e Tenten. Antes que a massa de criaturas pudesse atingi-las, Tenten deu um passo à frente, erguendo os braços enquanto uma energia pura e cintilante irrompeu de suas palmas, criando uma barreira sônica e cortante. Ao lado dela, Tsuki sacou suas adagas complementares, movendo-se com uma precisão cirúrgica. Os morcegos chuspiam chiados estridentes, mas a dupla manteve a linha de frente sólida, retalhando e repelindo as investidas com sincronia. Elas lidavam com a horda com competência, mas a densidade do enxame as prendia em um combate fechado, impossibilitando qualquer tentativa de correr para ajudar Akashi.
Enquanto isso, no centro da cúpula, o confronto entre Akashi e o morcego alfa desenhava-se de forma surpreendentemente mais fluida.
Beneficiando-se da velocidade absurda da armadura azul-cinzenta, Akashi esquivou-se com facilidade do primeiro bote desajeitado da criatura. Seus olhos, brilhando em um vermelho escarlate intenso sob o elmo felino, acompanhavam cada contração muscular do alfa com clareza absoluta. Ele estava pronto para desferir o golpe e encerrar aquilo rápido.
Mas, bem no momento em que Akashi elevava as lâminas para avançar, o mundo ao seu redor congelou de súbito.
O som dos chiados das dezenas de morcegos esticou-se em um zumbido estridente e arrastado. As asas do alfa pararam no meio do bater, congeladas no ar estagnado.
Da penumbra ao lado de Akashi, a silhueta translúcida da Umbra materializou-se, flutuando com as orelhas baixas e uma expressão de irritação profunda.
— Preste atenção, seu idiota, porque eu não vou repetir — a voz da raposa sibilou na mente dele, carregada de uma impaciência cortante. — Para usar a Cura da Umbra, você não vai simplesmente disparar energia como fez com a petrificação. É o inverso! Você precisa cravar essas malditas lâminas na carne daquele verme, canalizar o vazio e puxar a energia de volta para o seu próprio núcleo! Se você empurrar energia, vai apenas estilhaçá-lo ainda mais. Entendeu ou desenhe?
Antes que Akashi pudesse formular uma resposta mental para o absurdo da instrução, o tempo estalou e voltou a correr em velocidade máxima.
O som dos morcegos retornou em um estalo ensurdecedor. Na mente de Akashi, o pensamento cruzou como um raio: Falar é fácil... mas o monstro não vai simplesmente ficar parado esperando eu cravar as lâminas e sugar a energia dele.
O morcego alfa recuperou o equilíbrio instantaneamente, emitindo um berro gutural e descarregando uma estocada brutal com suas garras gigantescas na direção do peito de Akashi.
Não havia tempo para hesitar. Com os olhos vermelhos faiscando de adrenalina, Akashi rugiu por baixo do elmo, avançou com tudo contra o alfa e lançou-se ao combate, com os dois trocando golpes violentos em meio à escuridão da caverna.