Há uma coragem silenciosa em dizer “Estou aqui, mesmo que não dê certo.” Não é a coragem de quem tem certeza, mas é justamente o contrário. É a coragem de quem não sabe o que vai acontecer, mas decide permanecer. Porque, às vezes, a gente espera demais para começar. Quer a garantia de que vai funcionar, de que ninguém vai rir, de que o caminho será seguro, de que o esforço será recompensado. Só que a vida raramente oferece garantias, pois ela oferece possibilidades. E foi assim que aprendi que estar presente já é uma forma de vitória.
Estou aqui, mesmo que o projeto não aconteça como imaginei. Mesmo que a música não alcance todos os ouvidos. Mesmo que aquela porta não se abra. Mesmo que alguém diga que não vale a pena. Mesmo que eu precise começar outra vez. Estou aqui. Não porque tenha vencido, mas porque ainda não desisti.
Há uma diferença enorme entre fracassar e não tentar. O fracasso pode ser apenas uma fotografia de um momento. A desistência, às vezes, transforma aquela fotografia em endereço. Talvez não dê certo. E tudo bem. Talvez dê certo de uma maneira que eu ainda não consigo imaginar.
A vida tem dessas delicadezas: algumas coisas que julgamos fracassos acabam nos levando para lugares que jamais teríamos coragem de procurar. Uma porta fechada pode nos obrigar a olhar para outra. Uma perda pode nos ensinar a escolher melhor. Um “não” pode nos devolver a nós mesmos. Por isso, hoje, não preciso prometer que vai dar certo, preciso apenas prometer que estarei inteiro enquanto tento. Com medo, mas tentando. Cansado, mas tentando. Sem aplausos, mas tentando. Porque talvez a verdadeira vitória não esteja no resultado que esperamos, mas na pessoa que nos tornamos enquanto caminhamos em direção a ele.
E se amanhã tudo der errado? Eu estarei aqui. Talvez com algumas marcas, algumas dúvidas e uma nova maneira de enxergar o caminho. Mas estarei aqui. Porque, enquanto houver vontade de continuar, a história ainda não terminou. Estou aqui, mesmo que não dê certo, e talvez seja justamente isso que faça dar certo.