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ENTRE SOMBRAS E PECADOS

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CAPÍTULO 9 — CIÚMES

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CAPÍTULO 9 — CIÚMES

A porta do andar de cima se abriu lentamente.

O som atravessou a escuridão da mansão como um sussurro.

Yasmin sentiu os dedos de Liam apertarem os seus.

Não era um aperto carinhoso.

Era instinto.

Proteção.

Ou medo.

Talvez os três.

— Não solte minha mão — Liam repetiu.

Dessa vez, sua voz estava diferente.

Baixa.

Séria.

Yasmin olhou para ele, mas mal conseguia enxergar seu rosto.

— Liam...

— Fica atrás de mim.

— Eu consigo me cuidar.

— Eu sei.

— Então por que—

— Porque eu preciso saber que você está atrás de mim.

Ela ficou em silêncio.

Aquela frase a atingiu de uma maneira estranha.

Não parecia uma ordem.

Parecia uma necessidade.

Liam soltou sua mão por alguns segundos e tirou o celular do bolso. Acendeu a lanterna e começou a observar o corredor.

A música havia parado.

As conversas também.

Centenas de pessoas estavam espalhadas pela mansão, mas naquele momento parecia que não havia ninguém.

Yasmin olhou para a escada.

— A porta...

— Eu vi.

— Alguém entrou ali.

— Eu sei.

— Você sabe quem?

Liam ficou alguns segundos em silêncio.

— Tenho algumas suspeitas.

— Quem?

Antes que pudesse responder, as luzes voltaram.

O salão inteiro foi tomado novamente pela iluminação dourada.

As pessoas começaram a conversar.

Alguns riram, como se nada tivesse acontecido.

Dominic apareceu no corredor.

— O que aconteceu?

Liam olhou para ele.

— Alguém desligou a energia.

Dominic franziu a testa.

— Isso não foi uma falha.

— Eu sei.

— Como?

Liam caminhou até ele.

— Porque a sala elétrica fica trancada.

Dominic ficou sério.

— Você acha que alguém entrou?

— Não acho.

Liam olhou para o segundo andar.

— Tenho certeza.

---

Yasmin permaneceu alguns passos atrás.

Ela ainda segurava a fotografia.

Aquela imagem antiga parecia pesar mais do que deveria.

Ela olhou novamente.

Duas crianças.

Ela e Liam.

Sentados perto da árvore onde costumavam brincar.

Ela se lembrava daquele dia.

Ou achava que lembrava.

O céu estava laranja.

Liam tinha oito anos.

Ela tinha apenas sete.

Ele havia encontrado um pequeno pedaço de madeira e desenhado alguma coisa nele.

Uma casa.

Duas pessoas.

E uma árvore.

Yasmin lembrava de ter perguntado:

— Quem são essas pessoas?

Liam havia respondido:

— Nós.

— E por que tem uma casa?

— Porque quando a gente crescer eu vou construir uma para você.

Ela havia rido.

— Você nem sabe construir uma casa.

— Vou aprender.

— E se você esquecer?

Liam havia segurado o dedo mínimo dela.

— Eu não esqueço de você.

Yasmin fechou os olhos.

A lembrança parecia tão real.

Mas havia algo errado.

Um detalhe que ela não conseguia alcançar.

Uma terceira pessoa.

Ela tinha certeza de que havia alguém naquele dia.

Alguém observando os dois.

Mas quem?

— Yasmin.

Ela abriu os olhos.

Liam estava diante dela.

— Você está bem?

— Estou.

Ele olhou para a fotografia.

— Não está.

— Eu lembrei de uma coisa.

— O quê?

Ela hesitou.

— Da árvore.

O rosto de Liam mudou.

— O que você lembra?

— Nós dois.

— Só isso?

— Talvez.

Ele ficou olhando para ela.

— Tinha alguém lá.

Liam não respondeu.

Yasmin percebeu.

— Você também lembra.

Ele desviou o olhar.

— Lembro de algumas coisas.

— Então por que nunca falou?

— Porque não tinha certeza.

— E agora?

Liam encarou a fotografia.

— Agora eu tenho menos certeza ainda.

---

O SALÃO

Gabriel havia acabado de descer do palco.

Ainda estava recebendo elogios quando Yasmin se aproximou.

— Você foi incrível.

Gabriel sorriu.

— Você já falou isso.

— E continuo achando.

— Então vou acreditar.

Ele riu.

Yasmin sorriu.

— Você está feliz?

Gabriel olhou para o palco.

— Mais do que deveria.

— Por quê?

— Porque talvez esse seja o começo.

Yasmin sabia o quanto aquele sonho significava para ele.

— Você merece.

Gabriel olhou para ela por alguns segundos.

— Obrigado.

— Pelo quê?

— Por acreditar em mim.

Yasmin ficou sem graça.

— Eu só falei a verdade.

Gabriel sorriu.

— Às vezes a verdade é exatamente o que alguém precisa ouvir.

Do outro lado do salão, Liam observava.

Seu olhar estava fixo nos dois.

Ethan percebeu.

— Lá vem.

Liam não respondeu.

— Liam.

— O quê?

— Você está encarando o Gabriel.

— Estou observando.

— Você está fazendo isso de novo.

— Isso o quê?

— Fingindo que não está com ciúmes.

Liam finalmente olhou para Ethan.

— Eu não tenho ciúmes.

Ethan soltou uma risada.

— Claro.

— Não tenho.

— Então por que está apertando tanto o copo?

Liam olhou para a própria mão.

Seus dedos estavam realmente pressionando o copo com força.

Ele soltou.

— Ele está interessado nela.

— E?

— E nada.

— Então não deveria importar.

Liam ficou em silêncio.

Ethan se aproximou.

— Você sabe qual é o seu problema?

— Tenho vários.

— Você confunde medo de perder alguém com direito de controlar essa pessoa.

Liam o encarou.

— Cuidado.

— Estou falando sério.

— Eu também.

Ethan não recuou.

— Você gosta dela.

Silêncio.

Liam olhou novamente para Yasmin.

Ela estava rindo de alguma coisa que Gabriel havia dito.

E aquilo incomodou.

Muito.

Não porque Gabriel tivesse feito alguma coisa errada.

Mas porque Yasmin parecia feliz.

E Liam queria ser o motivo daquela felicidade.

Ele odiava admitir isso.

Porque querer alguém era uma fraqueza.

E Liam havia passado a vida inteira aprendendo a não ter fraquezas.

---

A PRIMEIRA DISCUSSÃO

Yasmin se afastou de Gabriel depois de alguns minutos.

Quando caminhou pelo salão, percebeu Liam esperando perto da escada.

— Você está me esperando?

— Sim.

— Por quê?

— Precisamos conversar.

Ela cruzou os braços.

— Sobre?

— Gabriel.

Yasmin soltou uma pequena risada.

— Sério?

— Sim.

— O que tem ele?

— Nada.

— Então por que estamos conversando sobre ele?

Liam ficou sério.

— Ele gosta de você.

— E daí?

— Não gosto disso.

Yasmin levantou uma sobrancelha.

— Isso é problema seu.

— Eu sei.

— Então resolva sozinho.

Ela tentou passar.

Liam segurou seu braço.

Não com força.

Mas o suficiente para fazê-la parar.

Yasmin olhou para a mão dele.

Liam soltou imediatamente.

— Desculpa.

Ela ficou surpresa.

— Você pediu desculpas.

— Eu consigo fazer isso.

— Às vezes.

Ele respirou fundo.

— Eu não quero controlar você.

— Mas tenta.

— Eu sei.

— Então por que continua?

Liam ficou em silêncio.

Yasmin esperou.

— Porque tenho medo.

A resposta a pegou completamente desprevenida.

— Medo de quê?

Ele olhou para ela.

— De perder você.

Ela sentiu o coração apertar.

— Você nem me tem.

Liam baixou os olhos.

— Eu sei.

— Então não tente me possuir.

Ele assentiu.

— Vou tentar.

— Não.

Ela deu um passo para perto.

— Não tente.

Liam levantou os olhos.

— Então o quê?

— Escolha não fazer.

Por alguns segundos, eles ficaram em silêncio.

Liam assentiu lentamente.

— Está bem.

Yasmin sorriu de leve.

— Melhor.

Mas antes que ela pudesse sair, Liam falou:

— Só não espere que eu fique feliz vendo outro homem tentar conquistar você.

Ela riu.

— Eu não esperava.

---

AURORA

Do outro lado do salão, Aurora observava a discussão.

Dominic apareceu ao lado dela.

— O que você está olhando?

— Nada.

— Você estava olhando para Liam.

— Estava olhando para Yasmin.

Dominic permaneceu em silêncio.

Aurora conhecia aquele silêncio.

Era o silêncio que vinha antes de uma discussão.

— Não começa.

— Eu não falei nada.

— Ainda.

Dominic olhou para Liam.

Depois para Yasmin.

— Ele está interessado nela.

Aurora suspirou.

— E?

— E isso vai dar problema.

— Por quê?

— Porque Liam não sabe amar sem transformar tudo em uma guerra.

Aurora olhou para ele.

— Engraçado você dizer isso.

Dominic endureceu o rosto.

— O que quer dizer?

— Nada.

— Aurora.

— Você também não sabe amar sem transformar tudo em uma prisão.

Ele ficou imóvel.

A frase acertou exatamente onde deveria.

— Você acha que eu prendo você?

Aurora respirou fundo.

— Às vezes.

— Eu só tento proteger você.

Ela olhou para ele.

Por um instante, enxergou o menino que Dominic havia sido.

Um garoto sentado no corredor de uma casa enorme.

Esperando o pai voltar.

Esperando a mãe parar de chorar.

Esperando alguém dizer que as coisas ficariam bem.

Mas ninguém dizia.

Seu pai sempre repetia:

"Se você quer manter alguma coisa, precisa controlar tudo ao redor."

Dominic havia aprendido.

E nunca desaprendeu.

Aurora tocou seu braço.

— Você não precisa ser igual ao seu pai.

Dominic desviou o olhar.

— Você não sabe nada sobre meu pai.

— Sei mais do que você imagina.

Ele se afastou.

— Não hoje.

Aurora observou enquanto ele desaparecia entre as pessoas.

Ela sabia que havia tocado em uma ferida.

Mas também sabia que, algum dia, Dominic precisaria olhar para ela.

---

O QUARTO DE INFÂNCIA

Yasmin subiu as escadas.

Não sabia exatamente por quê.

Talvez fosse a fotografia.

Talvez fosse a lembrança.

Ou talvez fosse alguma coisa dentro dela dizendo que deveria subir.

O corredor estava vazio.

Ela caminhou lentamente.

Parou diante de uma porta.

Não era a mesma do escritório.

Era outra.

Branca.

Com pequenas marcas na madeira.

Yasmin colocou a mão na maçaneta.

A porta estava aberta.

Ela entrou.

O quarto parecia abandonado há anos.

Uma cama antiga.

Uma estante.

Alguns brinquedos.

E uma caixa de madeira sobre a mesa.

Yasmin se aproximou.

Abriu.

Dentro havia pequenos objetos.

Uma pulseira.

Um carrinho.

Um desenho.

E um pedaço de madeira.

Ela pegou.

Seu coração disparou.

Era o desenho que Liam havia feito.

A casa.

A árvore.

Duas pessoas.

Mas agora ela percebeu algo que nunca havia notado.

Havia uma terceira figura desenhada atrás da árvore.

Yasmin ficou arrepiada.

— Não...

— Você encontrou.

Ela virou rapidamente.

Liam estava na porta.

— Você sabia que isso estava aqui?

Ele não respondeu.

— Liam.

— Eu sabia que existia.

— E nunca me contou?

— Porque não lembrava onde estava.

Ela mostrou o desenho.

— Quem é essa pessoa?

Liam aproximou-se.

Olhou.

Sua expressão mudou.

— Eu não sei.

— Você está mentindo.

— Não.

— Você está.

Ele pegou o desenho.

Passou o dedo sobre a terceira figura.

— Eu lembro de alguém.

— Quem?

— Não sei.

— Homem?

— Talvez.

— Mulher?

— Talvez.

— Liam!

Ele fechou os olhos.

— Eu era criança.

— E eu também.

Ele abriu os olhos.

— Exatamente.

A voz dele ficou mais baixa.

— É por isso que tenho medo.

Yasmin se aproximou.

— Do quê?

— De lembrar.

---

A MEMÓRIA

Liam colocou o desenho sobre a mesa.

— Eu lembro da árvore.

Yasmin ficou em silêncio.

— Lembro de você sentada no chão.

Ele sorriu de leve.

— Você sempre mexia no cabelo quando estava nervosa.

Yasmin sorriu.

— Eu ainda faço isso.

— Eu sei.

— Como?

— Porque você acabou de fazer.

Ela olhou para a própria mão.

Estava mexendo em um dos cachos.

Liam continuou:

— Você também mordia o canto da boca quando tentava não chorar.

O sorriso dela desapareceu.

— Você lembra disso?

— Lembro.

— Mais alguma coisa?

Liam pensou.

— Você odiava trovões.

— Ainda odeio.

— E quando tinha medo, fingia que não tinha.

Yasmin olhou para ele.

— E você?

— Eu fingia que não tinha medo também.

Ela riu.

— Você era péssimo nisso.

— Você também.

Os dois sorriram.

Por um momento, parecia que estavam novamente naquela infância.

Sem famílias.

Sem segredos.

Sem medo.

Então Yasmin perguntou:

— O que aconteceu depois daquele dia?

O sorriso de Liam desapareceu.

— Não sei.

— Você não lembra?

— Lembro de uma coisa.

— O quê?

Ele olhou para o desenho.

— Alguém chamou meu nome.

— Quem?

— Minha mãe.

Yasmin sentiu o corpo arrepiar.

— E depois?

Liam respirou fundo.

— Depois eu ouvi uma porta bater.

Silêncio.

— E então?

— Sangue.

Yasmin ficou imóvel.

— Liam...

— Eu não sei de quem era.

---

O PASSADO DE GABRIEL

Enquanto Liam e Yasmin estavam no quarto antigo, Gabriel havia saído para o jardim.

Ele precisava respirar.

A noite estava fria.

Ele sentou em um banco.

Seu celular vibrou.

Uma mensagem da gravadora.

"Gostamos da sua apresentação. Queremos conversar sobre um contrato."

Gabriel ficou olhando para a tela.

Era tudo o que sempre quis.

Mas imediatamente lembrou da mãe.

"Pessoas como ele nunca oferecem nada de graça."

Ele sabia que ela estava falando de Liam.

Gabriel guardou o celular.

— O que eu estou fazendo?

— Fugindo?

Gabriel olhou para trás.

Era Valentina.

— Não.

— Parece.

Ela sentou ao lado dele.

— Você cantou bem.

— Obrigado.

— Está feliz?

Gabriel deu de ombros.

— Não sei.

— Por quê?

Ele mostrou a mensagem.

Valentina leu.

— Isso é ótimo.

— É.

— Então por que parece assustado?

Gabriel olhou para a mansão.

— Porque tenho a sensação de que tudo nessa cidade vem com um preço.

Valentina sorriu de lado.

— Finalmente alguém percebeu.

---

O SEGREDO DE LIAM

No quarto, Yasmin olhava para Liam.

— Você sabia que minha família estava envolvida?

— Não.

— Tem certeza?

— Tenho.

— Então por que aquele documento tinha o nome deles?

— Porque alguém queria que nós encontrássemos.

— Quem?

— Essa é a pergunta.

Yasmin se aproximou.

— E se for alguém da sua família?

Liam ficou sério.

— Pode ser.

— Seu pai?

Ele não respondeu.

— Liam.

— Meu pai é capaz de muitas coisas.

— Inclusive machucar você?

— Principalmente.

Yasmin sentiu um aperto no peito.

— Você tem medo dele?

Liam soltou uma pequena risada.

— Não.

Ela percebeu.

— Tem.

— Eu não tenho medo de homens.

— Mas tem medo dele.

Liam olhou para ela.

— Eu tenho medo do que ele consegue fazer com as pessoas que amo.

Yasmin ficou em silêncio.

A frase carregava algo maior.

Algo que ele não estava dizendo.

— Liam...

— Não.

— O quê?

— Não pergunte.

— Por quê?

— Porque se você perguntar, eu vou responder.

— E isso é ruim?

— Para você, talvez.

Ela deu um passo para perto.

— Eu decido isso.

Liam sustentou seu olhar.

— É justamente isso que mais me assusta em você.

---

O HOMEM NO CORREDOR

Um ruído veio do lado de fora.

Liam imediatamente virou.

Abriu a porta.

O corredor estava vazio.

Mas uma sombra havia passado no final.

Ele correu.

Yasmin foi atrás.

— Liam!

Ele chegou à escada.

Nada.

Então viu algo no chão.

Uma pequena chave.

Pegou.

Havia uma inscrição:

B-17

Yasmin chegou.

— O que é isso?

Liam fechou a mão.

— Não sei.

— Você sabe.

— Não.

— Liam.

Ele olhou para ela.

— B-17 era o número do quarto onde minha mãe trabalhava.

Yasmin ficou em choque.

— Sua mãe trabalhava aqui?

— Antes de desaparecer.

— Então alguém deixou isso para você encontrar.

Liam observou a chave.

— Ou deixou para você.

---

A DECISÃO

No fim da noite, os convidados começaram a ir embora.

Dominic ficou na entrada.

Aurora passou por ele.

— Você vem?

— Daqui a pouco.

Ela continuou andando.

Dominic chamou:

— Aurora.

Ela parou.

— Sim?

Ele demorou.

— Desculpa.

Ela ficou surpresa.

— Pelo quê?

Dominic desviou os olhos.

— Por algumas coisas.

— Isso não parece suficiente.

— Eu sei.

Ela voltou alguns passos.

— Então descubra por que você faz isso.

Dominic franziu a testa.

— Isso o quê?

— Por que você precisa controlar tudo.

Ela tocou o peito dele.

— Porque alguma coisa aqui dentro está sempre esperando alguém ir embora.

Dominic ficou imóvel.

Aurora saiu.

Ele permaneceu olhando para ela.

Pela primeira vez, aquela frase parecia explicar algo que ele nunca havia conseguido entender sobre si mesmo.

---

LIAM E YASMIN

Yasmin estava na varanda quando Liam apareceu.

A festa havia acabado.

A mansão estava silenciosa.

— Você vai embora? — perguntou ele.

— Ainda não.

— Por quê?

Ela olhou para a cidade.

— Quero entender.

Liam ficou ao lado dela.

— Vai demorar.

— Eu tenho tempo.

Ele sorriu.

— Você sempre foi teimosa.

— E você sempre foi controlador.

— Justo.

Ela riu.

Depois ficou séria.

— Liam.

— Sim?

— Se eu descobrir coisas ruins sobre você...

Ele olhou para ela.

— Você vai embora?

Ela demorou.

— Não sei.

Liam assentiu.

— É justo.

— Mas eu quero que você saiba de uma coisa.

— O quê?

— Eu não quero conhecer apenas o homem que você mostra para todo mundo.

Ele ficou em silêncio.

— Quero conhecer você.

Liam desviou o olhar.

— Você pode se arrepender.

— Talvez.

Ela sorriu.

— Mas eu prefiro me arrepender de descobrir a verdade do que passar a vida imaginando.

Liam a encarou.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Então ele levantou a mão e tocou delicadamente um de seus cachos.

Yasmin ficou imóvel.

— Você ainda faz isso — ele murmurou.

— O quê?

— Quando está nervosa.

Ela sorriu.

— E você ainda percebe.

— Eu sempre percebi.

Ele retirou a mão.

— Boa noite, Yasmin.

Ela segurou seu braço.

— Liam.

Ele parou.

— Obrigada por não mentir dessa vez.

Ele olhou para ela.

— Eu menti.

O sorriso dela desapareceu.

— O quê?

Liam abriu a mão.

A chave B-17 estava ali.

— Eu disse que não sabia quem deixou isso.

— E sabe?

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

— Tenho uma ideia.

— Quem?

Liam olhou para a escuridão além da propriedade.

— Meu pai.

Yasmin sentiu o coração acelerar.

— Por quê?

Liam apertou a chave.

— Porque B-17 não era apenas o quarto onde minha mãe trabalhava.

Ele olhou para ela.

— Era o lugar onde ela guardava tudo o que descobriu sobre o Projeto Blackwood.

Yasmin ficou sem palavras.

— E onde fica esse lugar?

Liam respondeu:

— Debaixo da antiga estação ferroviária.

Um vento frio atravessou a varanda.

Yasmin olhou para a cidade.

Longe dali, as luzes de um prédio se apagaram.

Uma janela permaneceu iluminada.

E atrás dela...

uma pessoa observava a mansão.

Na mão, segurava uma fotografia.

A mesma fotografia de Liam e Yasmin crianças.

A pessoa passou o dedo sobre o rosto dos dois.

Depois falou sozinha:

— Vocês estão lembrando rápido demais.

E guardou a fotografia.

Enquanto isso, dentro da mansão, Liam fechou a mão sobre a chave.

Ele não sabia o que encontraria na antiga estação.

Mas sabia uma coisa.

A partir daquela noite, o passado não estava mais enterrado.

Estava procurando por eles.

E, pela primeira vez...

Liam tinha medo de que a verdade não destruísse apenas sua família.

Talvez destruísse a única pessoa que ele realmente queria manter ao seu lado.

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