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Quais providências os pais adotam quando o (a) filho (a) apronta na escola? Pergunta Sem resposta

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Quais providências os pais adotam quando o (a) filho (a) apronta na escola?

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Quais providências os pais adotam quando o (a) filho (a) apronta na escola?

Por: Professor Edson Carlos de Sousa Leal

A escola é um espaço de aprendizagem, convivência, formação humana e construção de valores. Entretanto, é também um ambiente onde crianças e adolescentes testam limites, cometem erros, entram em conflitos, desobedecem regras e, algumas vezes, protagonizam situações que exigem a intervenção da família e da própria escola. É justamente nesses momentos que surge uma pergunta importante: o que os pais fazem quando o filho apronta na escola?

A resposta revela muito sobre a maneira como cada família compreende autoridade, responsabilidade, educação e respeito.

Há pais que, ao serem chamados pela escola, primeiro procuram entender o que aconteceu. Escutam o professor, a equipe gestora e, principalmente, o próprio filho. Não chegam à escola com uma sentença pronta. Sabem que educar não significa defender o filho de qualquer consequência, mas ensiná-lo a compreender que toda atitude produz resultados. Esses pais não são menos amorosos; pelo contrário, demonstram um amor que também sabe estabelecer limites.

Existem, porém, pais que imediatamente acreditam que o filho está sempre certo. Antes mesmo de saberem o que ocorreu, perguntam: “O que fizeram com meu filho?”Em vez de questionarem “O que meu filho fez?”. A escola passa, então, de espaço de parceria para espaço de confronto. O professor é tratado como culpado, a direção é questionada e qualquer tentativa de estabelecer limites é interpretada como perseguição.

Há ainda aqueles que defendem o filho com o argumento de que “ele é apenas uma criança”, como se a idade fosse uma autorização para desrespeitar colegas, professores e funcionários. É evidente que crianças e adolescentes estão em processo de formação e precisam ser compreendidos de acordo com sua idade e desenvolvimento. Mas justamente por estarem em formação precisam aprender, desde cedo, que existem regras, responsabilidades, limites e consequências.

Também existem os pais que nunca aparecem.

A escola chama, envia comunicado, solicita reunião, tenta conversar e procura estabelecer uma parceria, mas a família permanece ausente. O problema vai crescendo silenciosamente até chegar a uma situação mais grave. Quando isso acontece, muitas vezes a escola é cobrada por não ter resolvido aquilo que, desde o início, dependia de uma ação conjunta entre família e instituição.

Há ainda um tipo de pai ou mãe que só aparece para defender o filho quando ele é responsabilizado, mas desaparece quando a escola solicita sua participação no acompanhamento pedagógico, na frequência escolar ou na construção de hábitos de estudo. É como se a família desejasse participar apenas da parte em que precisa contestar a escola, mas não daquela em que precisa assumir responsabilidades.

Outro comportamento preocupante é o dos pais que ameaçam a escola ou o professor. Diante de uma ocorrência, chegam exaltados, elevam o tom de voz e transformam uma situação pedagógica em uma disputa pessoal. Alguns confundem autoridade parental com autorização para intimidar profissionais da educação. Esquecem que o professor também merece respeito e que ninguém educa verdadeiramente uma criança ensinando-a que seus problemas devem ser resolvidos pela intimidação.

Existe também aquele pai que diz: “Em casa ele não faz isso.”

Essa frase pode ser verdadeira. Mas também pode revelar que a família desconhece o comportamento do próprio filho em outros ambientes. Crianças e adolescentes podem apresentar comportamentos diferentes em casa, na escola, entre amigos e em outros espaços sociais. Por isso, a escola não deve ser automaticamente desacreditada quando relata uma situação, assim como a palavra do aluno também não deve ser ignorada. O caminho mais responsável é investigar, ouvir e compreender.

Há pais que vão ao extremo oposto: reconhecem o erro do filho, conversam seriamente com ele, procuram a escola e perguntam: “Como podemos ajudá-lo?”. Esses pais entendem que educar é um trabalho compartilhado. Não entregam toda a responsabilidade à escola e também não esperam que a escola substitua a família.

Esse talvez seja o ponto central: família e escola não podem ocupar o lugar uma da outra, mas precisam caminhar juntas.

Quando um aluno agride um colega, desrespeita um professor, danifica o patrimônio escolar, pratica bullying, interrompe constantemente as aulas, utiliza o celular de maneira inadequada ou descumpre deliberadamente as regras da instituição, não basta perguntar quem será punido. É necessário perguntar: o que esse comportamento está revelando e como podemos educar esse estudante para que ele compreenda seus atos?

A consequência precisa ter caráter educativo. Não se trata de humilhar, rotular ou excluir. Trata-se de ajudar o aluno a compreender responsabilidade, reparação, respeito e convivência.

E há uma diferença enorme entre punir uma criança e educá-la para assumir as consequências de suas escolhas.

Pais que justificam todos os erros dos filhos podem, involuntariamente, criar adultos incapazes de reconhecer os próprios erros. Pais que nunca permitem que os filhos sejam contrariados podem estar preparando-os para uma sociedade que, inevitavelmente, irá contrariá-los. A vida adulta não funciona sob a lógica de que alguém sempre estará disponível para justificar nossas atitudes.

A escola, por sua vez, também precisa fazer sua parte. Não pode transformar todo conflito em caso disciplinar, nem tratar todo estudante como um problema. Precisa ouvir, dialogar, registrar, orientar e agir de acordo com as normas educacionais e institucionais. O professor não deve ser colocado sozinho diante de situações que exigem intervenção da gestão e da família.

Da mesma forma, não é justo exigir que o professor seja, simultaneamente, educador, psicólogo, assistente social, mediador familiar e responsável exclusivo pela formação moral de uma criança. A escola possui uma função essencial, mas a educação de uma criança começa muito antes de ela entrar no portão da escola.

É dentro de casa que a criança aprende, inicialmente, a respeitar, esperar sua vez, ouvir um “não”, cumprir responsabilidades, tratar os outros com dignidade e compreender que suas ações têm consequências.

Quando família e escola se unem, quem ganha é o estudante.

Quando família e escola entram em guerra, quem perde também é o estudante.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “O que os pais fazem quando o filho apronta na escola?”, mas: “Que tipo de adulto estamos ajudando nossos filhos a se tornarem quando reagimos aos erros deles?”

Defender um filho não significa dizer que ele está certo quando está errado. Amar não significa proteger alguém de toda consequência. Educar também é corrigir, orientar, estabelecer limites e ensinar a reconhecer os próprios erros.

O verdadeiro amor dos pais não está em livrar os filhos de todas as dificuldades, mas em prepará-los para enfrentá-las com responsabilidade, respeito, autonomia e caráter.

Porque filho não precisa de pais que sempre tenham uma justificativa para seus erros. Precisa de pais que tenham coragem de dizer: “Você errou. Nós vamos ajudá-lo a entender o seu erro e a fazer diferente da próxima vez.”

É assim que a família deixa de ser apenas defensora do filho e passa a ser, de fato, parceira da escola na missão de educar para a vida.

E o Sr. como pai, como resolve esse tipo de conflito?

E a Sra. como mãe, como resolve esse tipo de conflito?