Capítulo 5 — O que ficou
Depois de entender que precisava deixar ir, eu achei que seria fácil.
Não foi.
Porque deixar alguém ir não significa deixar de sentir.
Às vezes, a pessoa vai embora da nossa rotina, mas continua aparecendo nos pequenos detalhes. Em uma música. Em um lugar. Em uma lembrança que chega sem avisar.
E foi assim comigo.
Eu não procurava mais por ele.
Não inventava motivos para encontrá-lo.
Não esperava mensagens.
Mas, de vez em quando, ainda sentia saudade.
E talvez essa fosse a parte mais difícil de aceitar.
Eu podia seguir em frente e ainda sentir falta.
Podia sorrir e, em algum momento do dia, lembrar daquele olhar.
Podia dizer para mim mesma que tinha acabado e, mesmo assim, desejar que tivesse sido diferente.
Porque algumas histórias não terminam quando deixam de acontecer.
Elas terminam quando a gente finalmente entende que não pode continuar escrevendo sozinha.
E eu estava começando a entender.
Só não sabia ainda que, às vezes, o fim de uma história é justamente o começo da nossa própria.