Capítulo 6 — Quando a saudade aparece
Eu achei que a saudade fosse embora com o tempo.
Mas descobri que o tempo não apaga tudo.
Ele apenas ensina a gente a conviver com aquilo que antes parecia impossível suportar.
Havia dias em que eu nem lembrava dele.
E havia outros em que uma simples música era suficiente para trazer tudo de volta.
O jeito de falar.
Os olhares.
As conversas que eu gostaria de ter tido.
Os momentos que nunca aconteceram, mas que, na minha cabeça, pareciam ter acontecido mil vezes.
Era estranho sentir falta de alguém que já não fazia parte da minha vida.
Mais estranho ainda era sentir falta de uma história que, talvez, nunca tivesse realmente começado.
Às vezes eu me perguntava:
“Será que ele também sente minha falta?”
E logo depois tentava afastar aquele pensamento.
Porque esperar uma resposta de alguém que escolheu o silêncio também é uma forma de se machucar.
Então eu continuei.
Um dia de cada vez.
Sem procurar sinais.
Sem tentar descobrir se ele ainda pensava em mim.
Eu estava aprendendo que nem toda saudade merece um reencontro.
Algumas saudades existem apenas para nos lembrar de quem fomos quando amamos alguém.
E talvez fosse isso que ele tivesse deixado em mim.
Não uma promessa.
Não um futuro.
Apenas uma versão minha que um dia acreditou que poderia existir um “nós”.
E, por mais doloroso que fosse admitir…
talvez o nosso “nós” tivesse sido apenas um sonho bonito que eu demorei demais para acordar.