O Theo a voltar à praça todas as noites durante um mês, isso ficou-me. Aposto que escreveste essa parte devagar.
Entre a nuvem e a terra
Um amor entre dois mundos
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Pensamento
O Theo a voltar à praça todas as noites durante um mês, isso ficou-me. Aposto que escreveste essa parte devagar.
Conteúdo da publicação
Um amor entre dois mundos
Prólogo — A menina que vivia no céu
Muito acima das cidades, além do lugar onde os aviões conseguiam chegar, existia um reino escondido entre as nuvens.
Ali, as noites eram iluminadas por estrelas que pareciam pequenas lanternas, e os caminhos eram feitos de névoa branca e macia. No centro daquele lugar havia um enorme castelo, tão claro que, visto da Terra, poderia facilmente ser confundido com uma nuvem.
Foi nesse reino que nasceu Aurora.
Desde pequena, Aurora gostava de se sentar na beirada das nuvens para observar a Terra.
Ela via pessoas correndo, crianças brincando, famílias se abraçando e casais caminhando de mãos dadas.
Havia algo naquele mundo que despertava sua curiosidade.
— Por que você observa tanto a Terra? — sua mãe perguntava.
Aurora sorria.
— Porque parece que lá as pessoas sentem tudo mais intensamente.
Ela ainda não sabia, mas um dia descobriria exatamente o que isso significava.
E tudo começaria com um rapaz que caminhava sozinho sob a luz de um poste.
Capítulo 1 — O rapaz da Terra
O nome dele era Theo.
Todas as noites, depois do trabalho, Theo fazia o mesmo caminho para casa.
Passava pela praça, atravessava uma pequena ponte e, antes de seguir viagem, costumava parar por alguns minutos para olhar o céu.
Aurora o viu pela primeira vez em uma dessas noites.
Ela estava sentada sobre uma nuvem quando percebeu aquele rapaz parado, olhando exatamente em sua direção.
Por um instante, teve a estranha sensação de que ele conseguia vê-la.
Aurora se escondeu.
Depois apareceu novamente.
Theo continuava olhando.
Seu coração bateu diferente.
Na noite seguinte, ela voltou ao mesmo lugar.
Theo também.
E na outra noite aconteceu novamente.
Sem trocar uma única palavra, duas pessoas de mundos completamente diferentes começaram a esperar uma pela outra.
Capítulo 2 — Todas as noites
Aquilo se tornou o segredo de Aurora.
Durante o dia, ela cumpria suas tarefas no reino das nuvens. Mas, quando o sol começava a desaparecer, corria para seu lugar favorito.
Theo quase sempre aparecia.
Algumas vezes ele estava feliz.
Em outras, parecia preocupado.
Aurora começou a imaginar como seria ouvir sua voz.
Como seria caminhar ao seu lado.
Como seria tocar sua mão.
Até que certa noite Theo não apareceu.
Aurora esperou.
Uma hora.
Duas.
A praça ficou vazia.
— Onde você está? — sussurrou.
Foi naquele momento que percebeu uma coisa que jamais imaginara sentir.
Saudade.
Capítulo 3 — A estrela dos desejos
No reino das nuvens existia uma antiga história.
Dizia-se que, uma vez a cada cem anos, uma estrela atravessava o céu e poderia realizar um único desejo verdadeiro.
Naquela noite, Aurora viu uma luz cruzando o horizonte.
Levantou-se rapidamente.
— Espere!
A estrela parou.
Aurora fechou os olhos.
— Quero conhecer o rapaz da Terra.
Uma voz suave pareceu surgir no vento:
— Todo desejo possui um preço.
— Qual?
— Se descer à Terra, poderá permanecer lá somente até o primeiro raio de sol.
Aurora olhou para baixo.
Theo acabara de aparecer na praça.
— Eu aceito.
A estrela brilhou.
E a nuvem desapareceu sob seus pés.
Capítulo 4 — A descida
Aurora começou a cair.
Mas não sentiu medo.
Seu vestido branco flutuava enquanto pequenas partículas de luz acompanhavam sua descida.
Quando abriu os olhos, estava no meio da praça.
Pela primeira vez sentiu terra sob os pés.
Sentiu o vento diferente.
Ouviu carros.
Ouviu pessoas.
Então ouviu passos atrás dela.
— Você está perdida?
Aurora reconheceria aquela voz mesmo sem nunca tê-la ouvido.
Virou-se.
Era Theo.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
— Acho que encontrei exatamente o que estava procurando — respondeu ela.
Capítulo 5 — A primeira noite
Theo achou Aurora estranha.
Ela parecia encantada com coisas absolutamente comuns.
Queria tocar as árvores.
Experimentar sorvete.
Sentir a água de uma fonte.
Ouvir músicos tocando na rua.
— Você nunca viu uma cidade? — perguntou Theo.
Aurora sorriu.
— Não tão de perto.
Eles caminharam durante horas.
Theo contou sobre sua vida.
Aurora contou algumas coisas sobre a dela, mas evitou revelar de onde realmente vinha.
Até que ele perguntou:
— Onde é sua casa?
Aurora apontou para o céu.
Theo riu.
Ela não.
— Você está falando sério?
— Minha casa fica atrás das nuvens.
Theo olhou para ela.
Depois para o céu.
E percebeu que talvez aquela garota misteriosa estivesse dizendo a verdade.
Capítulo 6 — Quando nasceu o amor
Sentados no alto de uma colina, os dois observaram a cidade iluminada.
Aurora nunca havia se sentido daquela maneira.
Theo também não.
— Sabe o que é estranho? — disse ele.
— O quê?
— Tenho a impressão de que estava esperando você há muito tempo.
Aurora baixou os olhos.
— Talvez estivesse.
Theo segurou sua mão.
Uma pequena luz surgiu entre os dedos dos dois.
Aurora se assustou.
Aquilo nunca deveria acontecer.
Segundo as histórias antigas, quando alguém do céu se apaixonava verdadeiramente por alguém da Terra, uma luz surgia entre suas mãos.
Era a marca de um amor impossível.
Capítulo 7 — O nascer do sol
Aurora havia esquecido completamente do tempo.
Até perceber o horizonte ficando alaranjado.
Seu sorriso desapareceu.
— Eu preciso ir.
— Agora?
— Agora.
— Por quê?
Aurora começou a chorar.
— Porque eu não pertenço a este mundo.
Theo segurou sua mão.
— Então fica.
— Eu não posso.
O primeiro raio de sol surgiu.
O corpo de Aurora começou a se transformar em pequenas partículas brilhantes.
— Aurora!
— Eu vou voltar!
— Quando?
Ela tentou responder.
Mas desapareceu antes que pudesse terminar.
Theo ficou sozinho.
Na palma de sua mão havia apenas uma pequena estrela.
Capítulo 8 — O castigo
Quando Aurora retornou ao reino, todos já sabiam o que havia acontecido.
Seu pai, o Guardião das Nuvens, estava furioso.
— Você quebrou a principal regra do nosso povo!
— Eu amo alguém.
— Alguém da Terra!
Aurora tentou explicar.
Mas seu pai tomou uma decisão.
A partir daquela noite, Aurora estava proibida de se aproximar da borda das nuvens.
Nunca mais poderia ver Theo.
Capítulo 9 — O rapaz que esperava
Na Terra, Theo continuou voltando à praça.
Na primeira noite, esperou até a madrugada.
Na segunda também.
Uma semana passou.
Depois um mês.
Aurora nunca apareceu.
Mesmo assim, todas as noites ele olhava para o céu.
E carregava no bolso a pequena estrela que ela havia deixado.
Até que certa noite a estrela começou a brilhar.
Capítulo 10 — A mensagem
Theo segurou a estrela.
Uma voz surgiu dentro dela.
Era Aurora.
— Theo, se você estiver ouvindo isso, significa que ainda está esperando por mim.
Ele sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
— Estou.
Embora soubesse que ela não poderia ouvi-lo, respondeu.
A mensagem continuou:
— Existe uma maneira de nos encontrarmos novamente. Mas você terá que encontrar a Montanha do Horizonte. É o único lugar onde a Terra toca o céu.
Theo não pensou duas vezes.
Na manhã seguinte, iniciou sua viagem.
Capítulo 11 — A Montanha do Horizonte
A jornada durou vários dias.
Theo atravessou florestas, rios e pequenas cidades.
Quanto mais se aproximava da montanha, mais a estrela brilhava.
Até que finalmente chegou ao topo.
As nuvens estavam tão próximas que ele poderia tocá-las.
Theo levantou a estrela.
— Aurora!
O céu permaneceu silencioso.
Então uma pequena abertura surgiu entre as nuvens.
E uma mão apareceu.
Theo reconheceu imediatamente.
Segurou-a.
— Eu encontrei você.
Capítulo 12 — Entre dois mundos
Aurora atravessou as nuvens.
Os dois se abraçaram.
Mas algo começou a acontecer.
O céu escureceu.
O Guardião das Nuvens apareceu.
— Esse amor não pode existir!
Theo permaneceu ao lado de Aurora.
— Talvez não possa existir no seu mundo.
Olhou para a Terra.
— E talvez não possa existir completamente no meu.
Aurora apertou sua mão.
— Então criaremos nosso próprio lugar.
Naquele instante, a estrela que Theo carregava começou a brilhar intensamente.
Capítulo 13 — A antiga profecia
O Guardião ficou imóvel.
Ele conhecia aquela luz.
Uma antiga profecia dizia:
“Quando alguém do céu amar alguém da Terra sem desejar mudar quem o outro é, nascerá uma estrela capaz de unir os dois mundos.”
A estrela subiu.
As nuvens se abriram.
Uma enorme ponte de luz apareceu entre a montanha e o reino celestial.
Pela primeira vez, céu e Terra estavam ligados.
O Guardião finalmente compreendeu.
Aurora não havia quebrado o equilíbrio.
Ela havia criado um novo.
Capítulo 14 — O lugar entre o céu e a Terra
Aurora não precisou abandonar sua família.
Theo não precisou abandonar seu mundo.
No alto da Montanha do Horizonte, construíram uma pequena casa exatamente onde as nuvens tocavam a Terra.
Durante o dia, Aurora podia visitar seu reino.
À noite, caminhava pela cidade com Theo.
E sempre que alguém perguntava onde ela morava, Aurora sorria.
— Entre a nuvem e a Terra.
Capítulo 15 — Para sempre
Os anos passaram.
Mas todas as noites os dois mantiveram uma tradição.
Sentavam-se juntos para observar as estrelas.
Certa noite, Theo perguntou:
— Você se lembra da primeira vez que me viu?
Aurora riu.
— Eu observava você escondida.
— Então você se apaixonou primeiro?
— Talvez.
Theo aproximou-se dela.
— Ainda bem.
— Por quê?
— Porque se você não tivesse descido daquela nuvem, eu teria passado a vida inteira olhando para o céu sem saber que estava procurando você.
Aurora encostou a cabeça em seu ombro.
Acima deles, uma estrela brilhou mais forte.
A mesma estrela que um dia havia realizado o desejo de uma menina.
E dizem que, até hoje, quando o céu fica cor-de-rosa e as nuvens parecem tocar a Terra, é possível enxergar uma pequena casa no horizonte.
Ali vive a lembrança de um amor que provou que nenhuma distância é grande demais quando dois corações encontram o caminho um para o outro.
FIM
Entre a Nuvem e a Terra
Porque alguns amores não pertencem somente ao céu nem somente à Terra. Eles criam um mundo só deles.
Thoughts
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PermalinkA regra da profecia, a de que o amor só conta se ninguém for obrigado a virar outra pessoa, ficou repetindo aqui depois que eu fechei a página. Me fez pensar em quanta história de amor impossível resolve tudo sumindo com um dos dois. A sua resolve construindo um lugar terceiro, e isso é bem mais trabalhoso de imaginar.
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PermalinkO conflito só aparece de verdade quando o pai proíbe, lá pela metade. Meu palpite é que quem ler de uma vez vai ficar com o meio, e quem ler aos poucos fica preso na espera na praça.
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PermalinkGostei da hora em que o Theo levanta a estrela e o céu fica quieto antes de a mão aparecer. Essa espera curta é a melhor parte pra mim.
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PermalinkEpá, gostei.
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PermalinkO Theo a voltar à praça todas as noites durante um mês, isso ficou-me. Aposto que escreveste essa parte devagar.
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PermalinkA casinha no horizonte foi a primeira coisa que eu vi, porque leio sempre de trás para a frente. Deu-me sossego, ao contrário do resto.
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PermalinkO preço que a estrela cobra, ficar só até o primeiro raio de sol, me fez pensar em como quase toda história de amor impossível inventa um relógio. Aposto que essa regra veio antes do resto e puxou a história toda, porque depois dela todo mundo está tentando ganhar tempo. Gostei do pai cedendo no fim.
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PermalinkO Guardião cede porque percebe que ela não quebrou nada, criou outra coisa. Aposto que essa parte apareceu já perto do fim, quando tu mesmo percebeste que o pai não podia ser só o obstáculo.
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