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ENQUANTO VOCÊS FALAVAM

A_Lusivian
Pensamento

Pensamento

domingoSemPressa

Na ponte, quando ele quer saber quem começou o boato e quem só aplaudiu, é o único lugar da música em que a raiva vira curiosidade. Pra mim ali é o centro, e o resto é ele se convencendo a largar a pergunta.

Na ponte, quando ele quer saber quem começou o boato e quem só aplaudiu, é o único lugar da música em que a raiva vira curiosidade. Pra mim ali é o centro, e o resto é ele se convencendo a largar a pergunta.

Conteúdo da publicação

Rap sombrio / Dark Trap / Rap Rock Cinematográfico

[Intro — voz grave, piano sombrio, ruído de fita]

Engraçado...

Quando eu perdi o lugar,

todo mundo quis saber.

Ninguém perguntou o que eu sentia.

Só queriam assistir

ao que iria acontecer.

A porta fechou.

As máscaras caíram.

E aqueles que nunca estiveram comigo

tinham muito a dizer sobre o meu caminho.

Mas vocês cometeram um erro...

Confundiram o meu silêncio

com o fim da minha história.

[Verso 1 — Rap cadenciado, grave e preciso]

Meu nome circulava em bocas que eu nunca alimentei,

gente investigando os passos que nem sequer acompanhei.

Transformaram minha ausência numa tese de fracasso,

cada um querendo um pedaço, cada um julgando o estrago.

Queriam ver se eu quebrava, se eu perdia a direção,

se o peso da circunstância me enterrava no chão.

Construíram teorias com a certeza dos covardes,

que conhecem meus tropeços, mas desconhecem minhas batalhas.

“Será que ele ainda volta?”

“Será que consegue andar?”

Vocês montaram uma plateia

só pra ver se eu ia parar.

Mas enquanto analisavam cada vírgula da minha vida,

eu juntava o que restava e redesenhava a saída.

Vocês tinham comentários, eu tinha contas pra acertar;

vocês tinham tempo pra julgar, eu tinha um futuro pra buscar.

Não confunda minha reserva com derrota anunciada.

Nem toda porta que se fecha deixa a alma condenada.

Eu não preciso de testemunhas pra provar minha resistência;

há vitórias que começam quando termina a audiência.

[Pré-refrão — bateria crescendo, voz rouca]

Pode falar!

Pode inventar!

Pode escrever o meu final!

Você conhece a minha queda,

mas não conhece

a dimensão do que vem depois do vendaval.

[Refrão — melódico, explosivo, backing vocals]

ENQUANTO VOCÊS FALAVAM,

EU RECONSTRUÍA O MEU CHÃO!

VOCÊS CONTAVAM MEUS DESTROÇOS,

EU REERGUiA A DIREÇÃO!

Não precisei da tua queda

pra me levantar também.

Não precisei da tua culpa

pra descobrir o meu valor, meu bem.

Vocês fizeram do meu nome

um espetáculo barato.

EU FIZ DA MINHA PRÓPRIA VIDA

UM CAMINHO PRA IR MAIS ALTO!

Enquanto vocês falavam...

eu trabalhava em silêncio.

Enquanto vocês me julgavam...

eu transformava o sofrimento.

[Verso 2 — Rap agressivo, flow acelerado]

Existe gente que se aproxima farejando a fraqueza,

não pra dividir o fardo, mas pra estudar a tristeza.

Não oferece solução, oferece especulação;

quer transformar tua ferida em assunto de reunião.

Quer saber quem te deixou, quanto perdeu, quem te feriu,

qual promessa desabou, qual caminho se partiu.

Não pergunta como ajuda, não se importa com a resposta;

só procura uma tragédia pra manter a própria história.

É o tribunal dos corredores, a sentença sem processo,

juízes de vidas alheias, especialistas no fracasso.

Falam como se soubessem cada noite, cada escolha,

mas não conhecem nem a metade da estrada que me dobra.

E eu poderia responder, devolver cada acusação,

dar nome a cada boca, alimentar cada discussão.

Mas eu vi o preço do ódio, reconheci sua prisão:

quem transforma tudo em guerra perde a paz na própria mão.

Não sou santo, não sou pedra, não sou imune à pressão.

Já duvidei de mim mesmo, já questionei minha direção.

Mas não vou viver ajoelhado diante da opinião

de quem nunca carregou o peso da minha condição.

Vocês queriam um culpado.

Eu queria uma saída.

Vocês discutiam meu passado.

Eu tentava salvar meu amanhã da rotina repetida.

E essa é a diferença que nenhum boato desfaz:

vocês precisavam da minha queda.

Eu precisava encontrar minha paz.

[Pré-refrão 2 — guitarra entrando, voz crescente]

Pode falar!

Pode inventar!

Pode distorcer o que aconteceu!

Você pode controlar a história

que conta sobre mim...

Mas não pode escrever

o que ainda não aconteceu!

[Refrão — bateria pesada, guitarras abertas]

ENQUANTO VOCÊS FALAVAM,

EU RECONSTRUÍA O MEU CHÃO!

VOCÊS CONTAVAM MEUS DESTROÇOS,

EU REERGUiA A DIREÇÃO!

Não precisei da tua queda

pra me levantar também.

Não precisei da tua culpa

pra descobrir o meu valor, meu bem.

Vocês fizeram do meu nome

um espetáculo barato.

EU FIZ DA MINHA PRÓPRIA VIDA

UM CAMINHO PRA IR MAIS ALTO!

Enquanto vocês falavam...

eu trabalhava em silêncio.

Enquanto vocês me julgavam...

eu transformava o sofrimento.

[Ponte — piano isolado, voz limpa e emocional]

Por um instante, eu quis saber...

Quem começou?

Quem repetiu?

Quem se calou?

Quem aplaudiu?

Mas nenhuma resposta

devolveria o tempo que perdi.

Nenhuma confissão

construiria o que escolhi.

Então deixei as perguntas

morrerem sem explicação.

Nem toda história merece resposta.

Nem toda acusação merece atenção.

Meu nome pode ter passado

por lugares onde eu nunca entrei.

Mas existe uma coisa que vocês não sabem:

Eu não sou

a versão de mim

que vocês inventaram.

Eu sou tudo aquilo

que ainda construirei.

[Breakdown — bateria cortada, baixo distorcido, gritos]

ENTÃO FALA!

FALA MAIS ALTO!

FAZ DO MEU PASSADO

O TEU PALCO PARTICULAR!

REÚNE TEUS ESPECIALISTAS!

TENTA ME DECIFRAR!

VOCÊS TÊM MIL VERSÕES

E NENHUMA PODE ME PARAR!

Conta meus passos!

Examina meus erros!

Reabre os capítulos!

Recalcula os medos!

Procura uma falha!

Procura uma explicação!

Mas não transforma teu julgamento

na medida da minha evolução!

EU NÃO QUERO TUA PENA!

EU NÃO EXIJO APROVAÇÃO!

NÃO PRECISO VER NINGUÉM PERDENDO

PRA COMEMORAR MINHA ASCENSÃO!

Porque vencer não é voltar

com um discurso ensaiado.

Não é cobrar aplausos

de quem te deixou de lado.

VENCER É SEGUIR EM FRENTE

SEM VIVER ACORRENTADO!

É NÃO DEIXAR QUE O TEU FUTURO

SEJA ESCRITO PELO PASSADO!

[Silêncio — uma respiração, piano distante]

Vocês queriam saber

como terminava a história.

Eu também queria.

A diferença...

É que vocês ficaram esperando.

E eu fui viver.

[Refrão final — voz rasgada, coral e instrumental épico]

ENQUANTO VOCÊS FALAVAM,

EU RECONSTRUÍA O MEU CHÃO!

ENQUANTO VOCÊS ME JULGAVAM,

EU RECUPERAVA A DIREÇÃO!

Hoje eu não preciso de respostas

nem de um pedido de perdão.

O que antes pesava sobre os ombros

já não governa o coração.

Vocês fizeram da minha queda

uma manchete passageira.

Eu fiz dos dias mais difíceis

o começo de outra era.

Enquanto vocês falavam...

EU FUI!

Enquanto vocês duvidavam...

EU CONSTRUÍ!

E quando procuraram meu rosto

na versão que inventaram de mim...

Já não encontraram aquele homem

que precisava ser entendido

pra conseguir seguir.

[Outro — voz baixa, piano e chuva]

Meu nome ainda pode estar nas conversas.

Meu passado ainda pode render assunto.

Mas eu não moro mais lá.

Vocês continuaram falando...

E eu continuei vivendo.

Fim.

Thoughts

  • LuziaAndrade

    Nem todo mundo que pergunta tá farejando tragédia, viu. Tem gente que pergunta torto porque não sabe oferecer ajuda de outro jeito, e o verso 2 coloca todo mundo no mesmo saco.

    Permalink
  • domingoSemPressa

    Na ponte, quando ele quer saber quem começou o boato e quem só aplaudiu, é o único lugar da música em que a raiva vira curiosidade. Pra mim ali é o centro, e o resto é ele se convencendo a largar a pergunta.

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