Engana que te adoro.
Quando se sai, se observa o jogo.
Observa a mão,
Corpo, beleza,
Os olhos.
Tolice, mas é mais jogo
Do que ser linda ou feia.
Não se perde nem oportunidade.
Dentro do ônibus,
Imagina no hotel.
Se no busão,
Madrugada fria,
Rato sem coberta...
Algo vem ao coração,
Sentimento.
Que pedaço de coberta
Tão frio.
Anjos, Ana, Ana...
Meus amores, tá na hora do ataque.
Não terá telefone,
Nem despedida.
Só queria ver se sua boca era boa,
Se sabia beijar.
Mas ganhei até massagem nos pés.
Hotel, meus...
Foi numa mesa de bar.
Olhos em busca de jogo.
Mas sentia que a noite
Não tava pra peixe.
Mas, falado como falador,
Meus cotovelos vão à mesa.
Deixa ele falar,
Vamos ver como jogar.
"Não sou da cidade, tô com amigo,
Tô no hotel, bora..."
Lá tinham duas camas de solteiro.
"Amiga, não pego porque é feio."
Mas eu, que me divirto em ser puta,
Fui pra cama, debaixo das cobertas.
Foi até sacrilégio
Fazer isso, santa.
Olha a banana...
Da cama ao banheiro,
De maldoso, à pia.
Da pia, ele joga,
Achando que você é puta.
"Filho, o jogo acabou aqui.
Tô indo embora
Pra me respeitar.
Assim tu aprende a ser homem,
E eu aprendo a ser esposa."
Amante, sim, qualquer um que só quer prazer.
Hoje ela tá com o pé no freio,
Porque ela sabe o tempo
E a hora de sair de casa...
Ela é viúva-negra,
Quase uma sucuri...
— Ana Cristina Poronhak de Carvalho