Ó mar - já não te chamo de querido,
aprendi que nem tudo que envolve também acolhe.
Há dias em que você é silêncio,
mas, na maioria, é tempestade
dentro de um corpo que insiste em parecer calmo.
Minha mente não grita mais -
ela sussurra caos
em intervalos tão curtos
que o descanso virou um mito.
Carrego em mim um mundo inteiro,
e isso me afasta do mundo de fora.
Como focar no que é simples
quando há um abismo
se abrindo atrás dos meus olhos?
Disseram que eu era diferente
como se fosse detalhe.
Mas ser diferente, eu aprendi,
é saber se esconder tão bem
que ninguém percebe
que você está se perdendo.
A máscara já não pesa -
ela sou eu em dias fáceis.
Nos difíceis,
nem ela me reconhece.
E você, mar,
se um dia me escolheu,
não foi por engano -
foi por insistência.
Então me diga:
há propósito na tormenta
ou sou só água agitada
sem destino?
Porque viver assim
é existir em vigília,
é nunca desligar a luz
de um quarto que ninguém vê.