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Dona Morte

talvezamanha
Pensamento

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Angelin

O eu-lírico queria morrer antes. Acho que ele queria voar se jogando de algum lugar? Ele deu chances para a morte nos momentos de medo. Mas então ele para de dar chances para ela. Não acho que ele perdeu a vontade de morrer, mas ele só aceitou que era cov

O eu-lírico queria morrer antes. Acho que ele queria voar se jogando de algum lugar? Ele deu chances para a morte nos momentos de medo.

Mas então ele para de dar chances para ela. Não acho que ele perdeu a vontade de morrer, mas ele só aceitou que era covarde e medroso demais pra isso. Logo, não vai morrer. Não agora, pelo menos.

A Dona morte o fez encontrar a si mesmo de alguma forma, achei uma ideia interessante. As pessoas falam muito sobre se encontrar na vida, mas é complicado se encontrar na morte. O eu-lírico é muito grato por isso, é bem óbvio. Ele não encontrou motivos para viver, mas se encontrar já o motivou a fechar as asas e não voar mais.

E jabutis são fofinhos.

Conteúdo da publicação

Eu te dei os melhores conselhos

Esperei de ti mil cortejos

Apostei tudo que tinha

Graças a Deus eu nunca tive nada

Perdoei o imperdoável porque eu também quero ser perdoado

Permaneci solenemente

E te dei segundas chances

Mas você não me alcançou

Uma pena, que havia perdido minha habilidade de voar

Com uma pena eu escrevo os versos que um dia vou cantar

Um jabuti de companhia deva vir a calhar

E você, com certeza não será bem-vinda lá

Amo a sensação de não pertencer a lugar nenhum

Não mereço nada

Eu nunca fui nada

Além de um palhaço contando uma piada de desgraça que tem a cor que te agrada

Sinto muito, Dona Morte, com seu preto e lindo véu

Ainda me lembro do dia que te conheci:

Assustado, olhando pro céu

Estremeci a pele, quase voei de medo

Mas isso eu faço com tudo, inclusive hoje cedo

Sinto muito, Dona Morte, mas no meu lar não vai entrar

É que você é muito fria

E quem amo espero que nunca sinta sua agonia

E eu peço que você cuide muito bem da minha tia

Você me ama, Dona Morte, é um amor de verdade

Mas eu não posso aceita-la, porque eu sou muito covarde

Você nunca irá embora

E embora eu sinta sua falta, só aceitarei isso outrora

Te agradeço, Dona Morte, com você consigo me entender

Me deu a tinta

Que junto de minha pena

Pude então me descrever

Você me mostrou, Dona Morte, todas as cores do agrado

Sinto muito por mim mesmo

Mas pra sempre será meu fardo

Demonstrar o lamento sagrado

E seus cortejos finalmente chegaram

Sepultamentos, típicas coisas que marcaram

Dona Morte, me prometa nunca mais me visitar

Não quero que você se depare com minha família quando eu me personificar

Graças a ti, Dona Morte, eu conheci a boemia

Graças a ti, Dona Morte, eu conheci a poesia

Por tua causa, Senhorita (viúva de todos os seres), eu me tornei um pássaro amarrado

E por tua causa, minha devota, eu pararei de ser tão fraco

E como pode um ser como eu, minúsculo, inútil e sem razão

Receber atenção da existência de algo com tamanha imensidão

Eu não entendo por que você me dá tanta importância

Deve ser porque carrego uma grande ignorância

Minha boemia deve ser o motivo de tudo isso

Talvez você, Dona Morte, também esteja na beira do precipício

Não se preocupe, pois intolerância é algo que nunca sentirei por ti

Você é minha amiga e diferente dos outros, amor é algo que eu sei retribuir

Este poema é eterno

E contigo pra sempre eu posso cantar

Contando todas as estrelas

No céu que te conheci, na beira do luar

Eu poderia viajar para todos os planetas

Me embriagar com todas as cervejas

Derramar todas as gotas d'água

E chorar por todas as minhas mágoas

Mas eu, Dona Morte, sou um pássaro

Eu, Dona Morte, preciso voar

E mesmo que você tenha me dado motivo pra viver

Não é você quem vai me acompanhar

Te agradeço, pois na boemia entendi o que é a razão

É uma inconsequência

Para nossa sobrevivência

Que nos tenciona a emoção

Agora, o pássaro se despede

Pois pelo inferno congelado irá vagar

Buscando um jeito de se tornar o próprio Dante

Buscando uma epopeia que de sua possa chamar

Até mais, Dona Morte

Rainha da Sorte

Devota do ser que,

Infelizmente, para ninguém irá valer

(Até o dia em que morrer)

Thoughts

  • Angelin

    O eu-lírico queria morrer antes. Acho que ele queria voar se jogando de algum lugar? Ele deu chances para a morte nos momentos de medo.

    Mas então ele para de dar chances para ela. Não acho que ele perdeu a vontade de morrer, mas ele só aceitou que era covarde e medroso demais pra isso. Logo, não vai morrer. Não agora, pelo menos.

    A Dona morte o fez encontrar a si mesmo de alguma forma, achei uma ideia interessante. As pessoas falam muito sobre se encontrar na vida, mas é complicado se encontrar na morte. O eu-lírico é muito grato por isso, é bem óbvio. Ele não encontrou motivos para viver, mas se encontrar já o motivou a fechar as asas e não voar mais.

    E jabutis são fofinhos.

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  • Antonio_Goncalves

    Profundo poema, mas é muito longo. Um poema longo só será lido se vc conseguir prender o leitor até o fim. Melhor algo menor, menos riscos. Sobre responder questionamentos, poema não se questiona.

    Permalink
  • talvezamanha

    Caso este seja o primeiro poema meu que você lê, peço que se permita entrar no meu perfil e ler os outros, pois este carrega uma intertextualidade muito grande e que gostaria que todos pudessem apreciar da melhor maneira, este poema em específico gostaria de responder todos os questionamentos possíveis!

    Permalink

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