Gostou de mim? Ele é o diabo.
Sacrifícios, ele pede de novo.
Ele me levou ao poço,
com a corda no pescoço.
Iluminei o seu caminho,
mas o meu foi desligado.
Tudo estava cinza,
meu mundo, ao contrário.
Sem esperanças,
as mensagens não têm chegado.
Os anjos têm me contado
que a esperança anda ao meu lado.
Mas eu não enxergo.
Estou sendo movido pelo meu ego alto,
procurando um destino falsificado.
A luz que me guia vira a escuridão.
Eu olhei para minhas mãos,
meus lábios secos,
meus ouvidos já não escutam.
Eu tô totalmente cego,
eu tenho muito medo.
O que tá acontecendo?
Na verdade, nunca fui um gênio;
sempre fui muito ingênuo.
A chave escondida no barco:
ela abre o baú da verdade.
Minhas mãos acorrentadas,
a correnteza me leva
conforme eu vou chegando.
Eu sempre deixei tudo jogado,
o sentimento largado
no oceano profundo.
Quebrei o espelho do quarto,
chutei a porta aberta,
caí pela janela
e pisei no vidro, nos cacos.
O colar de sangue,
os remédios no vaso.
Tento achar a saída,
mas meu coração não acredita.
Ele duvida até dos batimentos.
Sei que tenho uma dívida
sobre meus sentimentos.
Quebrei sua confiança,
e agora ela tá sem eixos.
Quebrei todas as rodas
que giravam seus pensamentos.
Ela não crê no meu amor.
Eu procuraria um sentido
pra te curar desta dor.
Ela me encontra no chão,
deitado.
A minha luz é fraca.
Como ela notou?
Ela usou meu colar
para me achar.
Dentro da água,
eu vou me afogar.
No inferno, ela tem me chamado.
Eu tento alcançar seu braço.
Eu cortei do pulso até o antebraço;
a minha cabeça, ela tem mofado.
Tudo está deteriorado.
Minha coberta não tem mais
o cheiro doce de lar.
Agora eu só sinto o amargo.
Amarrei a corda no vácuo.
Deixei ela presa em casa
porque queria um mascote no quarto.
O coração dela é frágil.
O espinho que te machucou
com certeza cortou mais
do que a lâmina no seu braço, né?
Eu sei que você tem medo, né?
Você se esconde porque teme a ele, né?
Meu sangue escorre à noite,
sua alma eu ceifarei com a foice.
A morte me trouxe um doce;
apareci como um lorde,
comandando todos com a sorte.
Ela se veste de preto
e usa um capuz vermelho.
Ela quer levar sua alma, né?
O mar se transformou em ódio.
Vendo vultos, sinto-me confortável;
os anjos me chamam,
mas me sinto desconfortável.
Nunca mais liguei o meu rádio
para ouvir as novidades do submundo.
Lavei o sangue dela pelo chão,
mas tudo continuou sujo.
Senti-me agoniado com o tempo.
Me esfaqueei com todo o veneno,
esperando que isso salvasse o meu erro.
Fizeram um ritual
com o meu nome no meio.
Entreguei-me por inteiro;
ela chora enquanto meu coração vai morrendo.
Ela segura minha mão cheia de erros:
“Ó, você tem me achado perfeito?
Fiz tudo o que podia pra te ver sorrir,
mas você foi levada com o vento.
Eu ando perdido há muito tempo,
só venho fingindo sentimentos.”
Tomei o cálice no inferno;
estava quente.
Acabei com minha vida repentinamente.
Se eu me manifestar,
sei que vai tentar me manipular.
Eu só quero me autossabotar.
Você quer me ver sangrar,
mesmo eu tentando te curar.
Eu choro no seu lugar,
priorizei meu jardim
com as flores mortas.
Usei o travesseiro
para enxugar as minhas lágrimas.
Virei a Morte, de roupão e pantufa.
Só quero descansar, mesmo morto.
Não aguentei tanto sofrimento e ódio.
Entrei nesse oceano;
esse plano não me é estranho.
Já estive aqui, me afundando.
A âncora me puxava
toda vez que eu ia me aproximando.
E lá estava ela:
a chave brilhando, flutuando.
Cegava meus olhos,
era um encanto.
A lua de sangue está chorando.
Mais uma noite
em que me torno um vândalo.
Tentei limpar todos os erros
com o pano.