[Intro — Spoken Word | Voz grave, sussurrada]
Treinei quando doía...
Continuei quando ninguém acreditava.
Caí tantas vezes...
Que o chão deixou de ser meu inimigo.
Eles chamavam de loucura.
Meu mestre chamava de limite.
Eu chamava de começo.
Hoje, quando olham para mim...
Já não veem o aluno que conheceram.
Veem aquilo que tentaram impedir.
Eu não nasci imparável.
Eu me tornei.
[Verso 1 — O treinamento impossível]
Correntes nos pulsos, toneladas de ferro, Disseram: “Não passa!” — eu atravessei o inferno. Cada passo vigiado, cada erro, uma sentença, Mas não existe prisão que resista à persistência.
Quinhentos metros de abismo, o vento a gritar, Meu corpo aprendeu a cair antes de pensar. Pena virou arma, o chão, meu impulso, Fiz da própria queda o alicerce do meu mundo.
Neve no rosto, aço contra aço, Cada sino anuncia mais um que perdeu o passo. Um contra o mundo, gravidade a puxar, Mas quem domina a queda já não teme voar.
Salto no vazio, sem olhar para trás, Não foi covardia — foi romper os meus grilhões. A prisão me segurava, mas não minha decisão, Eu treinei a vida inteira para romper a contenção.
[Pré-Refrão — Tambores crescentes]
Treinei no silêncio, sem testemunha, Fiz da derrota minha única aula. Se o mundo exige que eu fique no chão, Vai conhecer o peso da minha determinação!
[Refrão — Explosão vocal | Coro masculino]
EU TREINO NA DOR! EU NÃO VOU CEDER! Quando todos desabam, eu volto a erguer! Mente de ferro, muralha de aço, EU CAIO MIL VEZES — MIL VEZES EU PASSO!
EU TREINO! EU SUPERO! EU VOU ALÉM! Não devo meu nome à aprovação de ninguém! Eles veem limites, eu vejo o meu chão! EU NÃO NASCI PRONTO — EU VIREI FURACÃO!
Essa é a diferença! Gravem minha voz: Eu enfrentei o inferno quando estava a sós!
EU TREINO! ELES FALHAM! EU CAIO! EU LEVANTO! E NÃO ME DOBRO A NINGUÉM!
[Verso 2 — Os cinco estilos]
Cinco estilos na arena, cinco sombras no chão, Movimentos perfeitos, mas sem convicção. Louva-a-Deus ataca, mas não quebra meu centro, Víboras fazem ameaças, mas recuam no confronto.
Tigre mostra os dentes, confunde pose com poder, Macaco ri da queda, sem saber o que é sofrer. Grô dança elegante, cada passo calculado, Mas não conhece as noites de um guerreiro abandonado.
Não confundo aparência com força verdadeira, Nem a forma mais bonita com a vitória derradeira. Eles treinam os movimentos, eu enfrento a exaustão, Cada queda que eu sofri reforçou minha fundação.
Chuva sobre a pele, tempestade no olhar, Enquanto eles descansavam, eu voltava a treinar. Um contra cinco? Já enfrentei meu próprio medo, O combate mais difícil foi travado em meu silêncio.
Não precisei de plateia, medalha ou louvor, Minha escola foi o frio, minha matéria foi a dor. Se perguntam como eu cheguei tão longe assim, Foi quando não havia ninguém apostando em mim.
[Refrão — Mais pesado | Guitarras distorcidas]
EU TREINO NA DOR! EU NÃO VOU CEDER! Quando todos desabam, eu volto a erguer! Mente de ferro, muralha de aço, EU CAIO MIL VEZES — MIL VEZES EU PASSO!
EU TREINO! EU SUPERO! EU VOU ALÉM! Não devo meu nome à aprovação de ninguém! Eles veem limites, eu vejo o meu chão! EU NÃO NASCI PRONTO — EU VIREI FURACÃO!
Essa é a diferença! Gravem minha voz: Eu enfrentei o inferno quando estava a sós!
EU TREINO! ELES FALHAM! EU CAIO! EU LEVANTO! E NÃO ME DOBRO A NINGUÉM!
[Verso 3 — A traição do mestre]
Chamaste-me de filho, mas temeste o resultado, Quando viste que teu aluno já não vivia ajoelhado. Tu querias meu controle, eu buscava liberdade, Teu ensinamento era uma cerca, meu destino era a verdade.
Mestre que ensina, mas teme o aprendiz, Não suporta ver o aluno ir além do que ele quis. Tu chamavas de prudência o medo de me libertar, Eu chamava de corrente tudo aquilo que impedia de avançar.
Não neguei o que ensinaste, nem apaguei minha raiz, Mas não nasci para viver conforme alguém sempre quis. Tua experiência me mostrou onde eu devia começar, Minha própria caminhada me ensinou a continuar.
Tu me deste as primeiras armas, eu enfrentei a escuridão, O que começou como obediência terminou em decisão. Não sou cópia do teu nome, não sou sombra do passado, Sou o resultado de um caminho que ninguém trilhou ao meu lado.
[Ponte — Piano sombrio | Voz contida]
E enquanto o mundo dormia...
Eu continuava.
Enquanto diziam “espera”...
Eu avançava.
Não havia aplausos.
Não havia promessas.
Só o peso do ferro...
E a voz na minha cabeça:
“Levanta.”
Mais uma vez.
Levanta.
Mais uma vez.
Até que o medo...
Não fale mais alto que você.
[Verso 4 — A queda do escolhido]
Tempo não treina, paz não me moldou, A harmonia não conhece o lugar de onde eu sou. Enquanto falavam de destino e iluminação, Eu reconstruía meus limites com suor e repetição.
Escolhido sem cicatrizes, herdeiro da ocasião, Recebeste o que eu buscava sem conhecer privação. Riso fácil, mesa farta, um caminho preparado, Eu paguei cada conquista com o preço de ter lutado.
Não me fales de sorte, de talento ou de dom, Tu ouviste os aplausos, eu conheço outro som. O som do ferro nas correntes, o silêncio da prisão, A voz de quem não desiste quando acaba a motivação.
Ser dragão não é um título que alguém pode conceder, É cair diante do abismo e escolher sobreviver. É encarar a própria sombra sem fugir da escuridão, É fazer de cada queda uma nova direção.
Rasguei o medo que me prendia ao passado, Quebrei as velhas correntes, deixei o mestre de lado. Cada golpe foi um capítulo, cada treino, uma lição, E o monstro que vocês temem nasceu da repetição.
Agora ouçam o rugido atravessando a multidão, Não é ódio, não é vingança — é minha libertação! Não preciso ser temido para provar quem me tornei, Eu sou tudo aquilo que, um dia, disseram que não serei!
[Refrão Final — Coro épico + vocal rasgado]
EU TREINO NA DOR! EU NÃO VOU CEDER! Quando todos desabam, eu volto a erguer! Mente de ferro, muralha de aço, EU CAIO MIL VEZES — MIL VEZES EU PASSO!
EU TREINO! EU SUPERO! EU VOU ALÉM! Não devo meu nome à aprovação de ninguém! Eles veem limites, eu vejo o meu chão! EU NÃO NASCI PRONTO — EU VIREI FURACÃO!
EU TREINEI NO FRIO! EU TREINEI NO CHÃO! EU ROMPI AS CORRENTES! EU VIREI FURACÃO!
EU TREINO! ELES FALHAM! EU CAIO! EU LEVANTO! EU ROMPO! EU AVANÇO! E NÃO ME DOBRO A NINGUÉM!
[Outro — Spoken Word | Instrumental desaparecendo]
Treinei quando doía.
Continuei quando caía.
Perdi tudo aquilo que me prendia...
E encontrei aquilo que me movia.
Meu mestre me ensinou a lutar.
A vida me ensinou a resistir.
Mas fui eu...
Que escolhi não desistir.
Silêncio.
Não foi ódio.
Não foi sorte.
Não foi destino.
Foi disciplina.