Diomedea
Estou sobrevoando este lugar há pouco tempo, mas o tempo perdeu a forma: parecem séculos.
Espero nunca mais tocar o chão.
Planejo voar para sempre.
E recuso a dança. Nunca a cobrarei de ninguém, nem de mim.
Não tenho rumo. Eu apenas...
Talvez eu não quisesse a deriva. Mas esta é a minha assinatura: o vagante, o nômade, a minha própria forma de existir.
Carrego esse fardo. E há uma nobreza dolorosa nele.
O céu e o oceano se fundiram. Um caminho perpétuo.
Ainda assim, continuo.
Olho para baixo, para a frente e para cima.
Apenas o excesso do azul, devorando qualquer contorno.