Sou bela e destemida,
e não sou de pedir licença ao mundo.
Eu me lanço diante do abismo,
e o abismo me reconhece.
Vivo sem hora marcada,
apenas sigo meus passos.
E quando a vida fecha uma porta diante de mim,
eu atravesso a parede.
Sou aquela que acredita,
aquela que cai,
aquela que sangra
e continua caminhando.
Sou uma sobrevivente.
E sei que o instante não se repete.
Não nasci para recolher
aquilo que os outros deixam cair,
pois arde em mim
uma fome maior.
Sigo o vento quando ele sopra.
E, quando ele muda,
mudo também.
Às vezes, a raiva me desvia.
Chuto o balde,
xingo,
abandono o caminho
que eu mesma havia escolhido.
E, ainda assim, continuo.
Lutando contra mim mesma,
engolindo o choro,
atravessando o silêncio,
mesmo ferida, resistindo.
Sem máscara.
Sem pedir desculpas por existir.
Sem diminuir o que sou
para caber onde não pertenço.
Sou feita de quedas,
de cicatrizes,
de recomeços.
E, no fim de tudo,
quando o mundo tenta me dizer
quem eu deveria ser,
eu respiro, me levanto
e sigo.
Sendo o que eu sou.