Desencontro
Me olhei de frente, e uma imagem refletida na pupila dos meus olhos me trouxe estranheza.
Percebi que já não reconheço mais a imagem que se reflete, que já não tenho ideais construídos às margens do desespero. Cheguei onde pretendia, mas a chegada já não satisfaz meus anseios.
Perdi-me no processo mais longo que percorri, e apenas me restaram partes fragmentadas do todo que um dia fui em mim.
Outro corpo, outro olhar, a mesma pessoa, mas sem mais caminhar, envolta em um abismo onde nada mais parece trazer sentido.
Espelho minha alma em busca de uma saída desse imenso vazio, enquanto procuro, entre os fragmentos que ainda me pertencem, alguma parte de mim que reconheça o caminho de volta.
Talvez eu ainda esteja ali, escondida em algum lugar entre aquilo que fui e aquilo que me tornei, esperando que, ao me olhar novamente, o reflexo deixe de ser um estranho e volte, enfim, a me chamar pelo meu próprio nome.
Autora: Eliete Souza- 20-09-2026