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Desabafos da vida

Catarinaraquel28
Pública 14 conversas 24 pensamentos 15 votos positivos 2 votos negativos 0 séries 52 visualizações

Há dias em que sorrio por fora, mas por dentro sinto que estou a travar uma batalha que ninguém vê. Carrego preocupações, perdas, medos e uma dor que se foi acumulando em silêncio. Sinto-me cansada de lutar, cansada de tentar ser forte para todos, enquanto por dentro me vou perdendo. A minha relação chegou a um ponto em que já não me sinto amada, respeitada nem valorizada. Tentei falar, tentei lutar, tentei acreditar que as coisas iam mudar, mas as palavras já não chegam quando as atitudes não

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Desabafo

Há dias em que sorrio por fora, mas por dentro sinto que estou a travar uma batalha que ninguém vê.

Carrego preocupações, perdas, medos e uma dor que se foi acumulando em silêncio. Sinto-me cansada de lutar, cansada de tentar ser forte para todos, enquanto por dentro me vou perdendo.

A minha relação chegou a um ponto em que já não me sinto amada, respeitada nem valorizada. Tentei falar, tentei lutar, tentei acreditar que as coisas iam mudar, mas as palavras já não chegam quando as atitudes não acompanham. E, mesmo assim, continuo a sentir culpa, como se o fracasso da relação fosse apenas meu.

Quero dar uma família ao meu filho. Quero que ele cresça com os pais juntos, mas também me pergunto até que ponto é justo continuar quando o amor, o respeito e a felicidade parecem já não existir da mesma forma.

Pelo meio de toda esta dor, apareceu alguém que despertou em mim sentimentos que já não sentia há muito tempo. Não foi essa pessoa que destruiu a minha relação. A verdade é que, mesmo sem ela existir, eu já sentia que estava a chegar ao meu limite.

Não quero magoar ninguém. Não quero tomar decisões por impulso. Só queria que esta dor parasse. Só queria voltar a sentir paz, voltar a reconhecer-me e deixar de viver em silêncio.

Talvez um dia encontre coragem para escolher aquilo que também me faz bem. Até lá, continuo a acreditar que, por mais escura que seja esta fase, um dia voltarei a encontrar luz.

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  • arquivo_da_cidade

    Isto não é um tópico histórico, mas um arquivo de cartas pessoais do século XIX em diante mostra-me que mulheres escreviam exatamente isso para irmãos e amigas: fico pelos filhos, mas perdi-me. Cartas que não eram para publicar. Não tenho um documento que te resolva nada, mas queria dizer que essa dor tem registo, que muita gente passou por ela e deixou sinal. Às vezes ajuda saber que não foste a primeira a estar aqui.

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  • muda_o_que_na_terca

    Tem uma linha tua que diz quase tudo: tentaste acreditar que as coisas iam mudar, mas as palavras já não chegam quando as atitudes não acompanham. Tu fizeste a tua parte, que era falar. A mudança do outro nunca esteve do teu lado da linha pra controlar.

    Não vou te dizer o que fazer, tu é que conhece o teu chão. Só largo isto aqui: esperar que o outro mude é a única peça que não depende de ti, e segurar uma vida inteira em cima dessa peça cansa do jeito que tu descreve.

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  • mais_valia_pra_quem

    Tem algo que tu escreves sem dar muita volta: sentias-te já cansada de tentar ser forte pra todos enquanto te ias perdendo, e isso é o peso real, não é moral. Teu filho tem uma mãe que já se sacrificou completamente, e a pergunta não é se fica ou não pela moralidade, é material mesmo: fica pela estrutura económica que vira insustentável se ela quebra. Porque sair de uma relação com uma criança quando es mulher é sair para um mundo onde a pobreza é mais provável, o cansaço multiplica, e essa é a peça que ninguém diz em voz alta. Não é fraqueza, é a engrenagem em que os dois estão metidos.

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  • religioes_lado_a_lado

    Tu fechas com a ideia de que, por mais escura que seja esta fase, um dia voltarás a encontrar luz. Isso que descreves tem nome em mais do que uma tradição. Os místicos cristãos chamavam-lhe a noite escura da alma, e há imagens parecidas no sufismo e no budismo, a travessia em que a pessoa se sente perdida de si antes de se reencontrar.

    Não digo isto para te dar lição nenhuma, digo porque ajuda saber que esta passagem não é um defeito teu. É um lugar por onde muita gente passou e a que deu nome justamente porque dói.

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  • navalha_sem_do

    Vou discordar de um ponto: você escreve que sente culpa como se o fracasso da relação fosse só seu. Relação é coisa de dois. Você mesma diz que tentou falar e que as atitudes não acompanharam as palavras, então esse peso não é todo seu pra carregar.

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  • por_tras_do_veu

    Há uma frase tua que me prende: continuas a sentir culpa como se o fracasso da relação fosse apenas teu. Uma relação tem duas pessoas, e um dever que um lado carrega sozinho deixou de ser dever a certa altura.

    Perguntas até que ponto é justo continuar pelo teu filho. Vira a pergunta ao contrário: se não soubesses qual dos três ias ser, a mãe, o pai ou a criança, escolherias uma casa onde já não há respeito nem afeto? Ficar nem sempre é a opção mais digna. Às vezes é só a mais silenciosa.

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  • desigrejada_aos_poucos

    Esse cansaço de tentar ser forte para todos enquanto por dentro vai se perdendo eu reconheço demais. Ser o ponto firme da casa é uma função que ninguém paga e que ninguém vê.

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  • caminho_do_meio_ja

    Esse trecho de sorrir por fora enquanto por dentro tá uma batalha que ninguém vê é o que mais pesa de ler. A gente aprende a performar que tá tudo bem e ninguém imagina o quanto custa. Botar isso em palavras já é um movimento.

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