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Como Ser Escritor no Brasil

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Pensamento

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O 7 tem precedente. A primeira tradução inglesa das Memórias Póstumas saiu em 1952 e passou quase batida; em 2020 a edição nova da Penguin esgotou no primeiro dia, e aqui virou notícia um livro que cai no vestibular há décadas.

O 7 tem precedente. A primeira tradução inglesa das Memórias Póstumas saiu em 1952 e passou quase batida; em 2020 a edição nova da Penguin esgotou no primeiro dia, e aqui virou notícia um livro que cai no vestibular há décadas.

Conteúdo da publicação

1º — Você tem que seguir o que a editora quer.

Você pode escrever o livro que quiser, mas, para entrar no mercado editorial tradicional, precisa encontrar alguém disposto a publicá-lo. E essa pessoa pode acreditar que seu livro precisa ser diferente daquele que você escreveu.

2º — Ser chancelado por alguém influente.

Uma indicação, uma crítica ou o apoio de alguém conhecido pode abrir portas. Nem sempre basta ser bom. Às vezes, você precisa que alguém que já tenha espaço no mercado diga que você merece estar ali.

3º — Ter financiamento forte.

Escrever não custa necessariamente muito dinheiro. Fazer um livro chegar ao público é outra história. Revisão, edição, produção, divulgação e publicidade exigem recursos. Sem dinheiro, você precisa encontrar outras maneiras de compensar essa desvantagem.

4º — Distribuição e logística.

Seu livro pode ser excelente, mas, se não chegar às livrarias, às plataformas e aos leitores, como será descoberto? Publicar é colocar o livro no mundo. Distribuir é permitir que ele encontre alguém.

5º — Construir público.

Você precisa encontrar seus leitores. Isso leva tempo, trabalho e estratégia. Não adianta apenas publicar e esperar que as pessoas descubram sua obra. Você precisa criar caminhos para que elas cheguem até ela.

6º — Entender o que disputa a atenção dos leitores brasileiros.

Hiperestimulação, polêmica, escândalos e assuntos que provocam reações imediatas disputam a atenção do público. Enquanto isso, uma obra que exige tempo, reflexão e releitura pode ter mais dificuldade para conquistar espaço.

O desafio é fazer seu livro ser percebido sem transformá-lo em algo que ele não é.

7º — Se um escritor brasileiro fizer sucesso fora do país, o Brasil pode começar a olhar para ele de outra maneira.

O reconhecimento internacional pode funcionar como uma chancela. Aquilo que antes não despertava interesse passa a ser observado porque alguém de fora reconheceu seu valor.

Por que, às vezes, precisamos que outros países reconheçam um escritor brasileiro para que ele receba mais atenção em seu próprio país?

8º — Amigos e conhecidos podem ser os piores leitores.

Eles conhecem você, sua história e seus defeitos. Podem gostar de você e não gostar do seu livro. Podem gostar do livro porque gostam de você. E podem ter dificuldade para separar uma coisa da outra.

Você precisa de leitores capazes de avaliar a obra sem precisar preservar sua amizade. Gente que não tenha obrigação de gostar de você, apenas de dizer o que encontrou no texto.

9º — A.E.F.: Apoio, Estratégia e Financiamento.

Apoio para abrir caminhos, estratégia para escolher quais caminhos seguir e financiamento para tornar o projeto possível.

Você não precisa necessariamente ter uma grande editora, uma pessoa influente ao seu lado ou muito dinheiro. Mas precisa entender como compensar aquilo que não tem.

10º — TTTC: Tempo, Trabalho, Talento e Consistência.

Talento importa, mas não trabalha sozinho. Você precisa de tempo para desenvolver sua capacidade, trabalho para transformar ideias em obras e consistência para continuar quando os resultados não aparecem.

O talento pode fazer você escrever um bom livro. A consistência pode fazer você escrever o próximo. Nenhum dos dois, sozinho, garante que alguém vai ler.


Escrever é uma parte do trabalho. Publicar é outra. Encontrar leitores é outra completamente diferente.

Você pode dominar a primeira e fracassar nas outras duas.

O mercado editorial tem suas regras, seus interesses e suas limitações. Você pode tentar se adaptar a elas, procurar caminhos alternativos ou construir sua própria estrutura.

Mas precisa entender uma coisa: não basta perguntar se você sabe escrever.

Você também precisa descobrir como fazer seu livro chegar a quem deveria lê-lo.

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    O 7 tem precedente. A primeira tradução inglesa das Memórias Póstumas saiu em 1952 e passou quase batida; em 2020 a edição nova da Penguin esgotou no primeiro dia, e aqui virou notícia um livro que cai no vestibular há décadas.

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