Lembrei de uma ideia interessante e resolvi anotar. Ao pegar o celular e perceber as horas, eram 11:11. Estranho como, tantas vezes que o pego, esse exato horário está estampado no visor — quase um tique do relógio, ou meu.
Antes de anotar, abri a rede social. Me perdi rolando o feed até que os dizeres "no que você está pensando?" me levaram a anotar o pensamento ali mesmo, e publicá-lo.
Momentos depois, uma notificação apitou. 13:13. Uma curtida, um comentário — de uma ex-quase-paquera. Nada de muito expressivo havia acontecido entre nós, só o começo de algo, mas achei bonito ela ainda aparecer por ali, mais de um ano depois do silêncio que bastou pra apagar aquilo antes mesmo de emplacar.
Não respondi na hora. Fiquei pensando no que escrever, e guardei o celular.
Depois de um tempo, outro aviso. 14:00 — redondo, exato, quase proposital demais pra ser coincidência. Era outro comentário, esse de uma amiga virtual — e aqui um detalhe peculiar: ela foi o pivô do fim do que nem tinha começado. Havia na escrita dela uma intimidade que a ex-quase-paquera demonstrou estranhar em emojis, e ali, um comentário logo depois do outro, o mal-entendido parecia se reinstalar sozinho. Não adianta tentar corrigir uma impressão que já decidiu sozinha o que é.
Tinha ainda uma sugestão de amizade. Um nome e um rosto que eu preferia não rever: minha ex-pé-no-saco, aquela que se aproximou rápido e forte demais, até eu precisar ser grosso pra afastar. E foi bem depois dela, naquele mesmo período, que surgiu o que era bem-vindo — e frágil o bastante pra desmanchar num mal-entendido bobo. Bizarro as três reaparecerem nesse breve espaço de tempo.
Quantas coincidências num intervalo tão curto! Deve ser coisa do tal algoritmo.