A maior verdade que temos é que nada podemos sobre o outro.
O mais frustrante da vida é não conseguir fazer com que a pessoa amada, a pessoa desejada, nos olhe com o mesmo furor que arde em nosso âmago.
A maior penitência é o não dito.
A palavra liberta a alma; o silêncio aprisiona e corrói o espírito.
Maldito seja aquele que se calou — nem para dizer um ciao caprichou.
O que me resta é remoer e remodelar a estação, ora como bom samaritano, ora como algoz, de tanto repudiar essa imensa orquestra de murmúrios.
Não os murmúrios de quem se calou — desses, nunca houve som —, mas os meus: cóleras íntimas, indignações que continuam ecoando.
No fim, era tudo de que eu precisava:
um simples “não” teria bastado.
Não é porque não fazes mais parte do meu eixo que eu não te desejo.
Cores desbotam com o tempo, porém o alicerce da arquitetura virtuosa deve permanecer em pé.
A admiração de longe é impotente diante daquilo que se foi, pois o que tivemos foi algo grande demais para simplesmente desaparecer.
Queria poder continuar ao teu lado, mas a vida muda de página e, de repente, já não estás mais presente nelas.
Outras virão. E, nelas, talvez gargalhemos sobre um outrora que já não existe — porque isso é apenas o que nos restou.
Lembranças de um tempo vivido, revisitadas com nostalgia. No presente e no futuro, porém, nossa participação se encerrou.
Um dia nos veremos novamente.
E, com um até logo, nos desfaremos.