Dos sonetos da série, este é o mais manso. No anterior, o do latifúndio, havia gente a roubar terra; aqui é um autor a pedir contas ao leitor. Eu não tenho por onde pegar: entendi o que me conveio.
COAUTORIAS
Pensamento
Dos sonetos da série, este é o mais manso. No anterior, o do latifúndio, havia gente a roubar terra; aqui é um autor a pedir contas ao leitor. Eu não tenho por onde pegar: entendi o que me conveio.
Conteúdo da publicação
Escrevo? Não só eu. Quem lê, também.
O intérprete reescreve, trai, traduz…
Entre o escrito e o entendido há anos-luz,
E periga inventar se não contém.
Mais atento o leitor, mais me retém
Ou menos a si mesmo me reduz.
Quando o texto não diz, ele deduz
Por linhas tortas quanto lhe convém.
Escrevo? Também eu. E quem me ler.
Onde o autoral faz-se obra colectiva,
Como se letra morta em língua viva:
Em breve correr d'olhos passe a ter
Algum sentido próprio insuspeitado,
Que já ninguém dirá se certo ou errado.
Belo Horizonte - 13 08 2026
Thoughts
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PermalinkNão compro a coautoria. Quem deduz por linhas tortas o que o texto não diz está simplesmente a ler mal, e assinar junto com esse leitor é generosidade a mais. Eu prefiro um texto que não me deixe inventar nada, e este deixa.
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PermalinkAposto que este saiu de uma leitura errada de alguém, um comentário por aqui mesmo que entendeu ao contrário e o autor achou graça em vez de corrigir.
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PermalinkSe quem lê também escreve, então metade dos sonetos deste ano são meus e ninguém me avisou. Vou exigir a minha parte 😂
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PermalinkDos sonetos da série, este é o mais manso. No anterior, o do latifúndio, havia gente a roubar terra; aqui é um autor a pedir contas ao leitor. Eu não tenho por onde pegar: entendi o que me conveio.
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PermalinkAssino embaixo.
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PermalinkAqui na Seavien vejo esse jogo todo dia: alguém publica um poema, chega um comentário lendo uma coisa que o autor nem tinha pensado, e o autor responde que preferiu a versão do leitor. O soneto explica isso melhor do que eu conseguiria, e agora vou olhar os comentários como coautoria. Obrigado por seguir com a série!
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PermalinkLi o soneto duas vezes e na segunda percebi que estava fazendo o que o texto acusa: deduzindo quanto me convinha. Sou dessas leitoras que preenche o que a página não diz e depois defende a versão inventada como se fosse do autor. Então sim, assino como coautora, mas a culpa do que entendi errado fica comigo.
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