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Cem porcento.

lediusonOliveira
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A ilusão que me prendeu

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Conteúdo da publicação

A ilusão que me prendeu

Não fui eu quem disse adeus

quando ainda existia felicidade.

Eu estava ali,

vivendo você

como quem acredita

que certas coisas foram feitas

para nunca terminar.

Depois vieram as fotos.

As lembranças.

Os pequenos restos

de uma história

que um dia pareceu inteira.

Engraçado...

O amor e o ódio

moram tão perto

que às vezes

eu já não sei

qual dos dois

está batendo dentro do meu peito.

Hoje eu te chamo de amor.

Amanhã...

Talvez eu atravesse você

como se nunca tivesse conhecido

o seu nome.

Talvez o tempo transforme

o seu rosto em uma fotografia

que eu já não consigo reconhecer.

E então eu penso:

O que é o amor?

Uma verdade?

Uma necessidade?

Ou apenas a mentira mais bonita

que nós, seres humanos,

inventamos para não encararmos

o vazio de estarmos sozinhos?

Nós dizemos:

“Eu te amo.”

“Você é minha vida.”

“Eu não consigo viver sem você.”

E, quando tudo termina,

às vezes basta uma semana

para colocarmos outro rosto

no lugar daquele

que juramos ser insubstituível.

Então me diga...

O que foi aquilo?

Amor?

Ou apenas medo

de ficar sozinho?

Eu não entendo o amor.

Talvez eu não entenda

nem mesmo o ser humano.

Porque quando perdemos alguém,

não sabemos se estamos sofrendo

pela pessoa...

ou pela versão dela

que inventamos dentro da nossa cabeça.

E talvez esse tenha sido

o meu maior erro.

Não foi culpa sua.

Foi minha.

Eu criei uma imagem sua.

Construí um sentimento

em cima dela.

Me apaixonei pelaquilo

que eu acreditava que você era.

E depois chamei minha própria ilusão

de amor.

Mas ainda existe uma coisa

que eu não consigo negar:

Você me salvou.

Não sei como.

Não sei por quê.

Talvez você nem saiba.

Mas, por algum tempo,

quando tudo dentro de mim

parecia perdido,

você foi a direção

que eu encontrei no escuro.

E talvez seja essa

a parte mais cruel.

Ser salvo por alguém

que um dia

também pode se tornar

a razão pela qual

você precisa aprender

a se salvar sozinho.

Você entrou na minha mente

como quem não pretendia ficar.

E ficou.

Fiquei refém

dos seus olhos,

do seu sorriso,

do seu cheiro,

da sua voz.

Refém do seu jeito.

Do seu silêncio.

Do seu ritmo.

Dos seus batimentos.

Eu conheci detalhes seus

que talvez o tempo

apague de mim.

E você nem precisou

me prender.

Eu construí a cela.

Eu fechei a porta.

E entreguei a chave

nas suas mãos.

Que crime perfeito...

Você nunca precisou

ser minha prisão.

Eu fiz isso sozinho.

Hoje eu olho para tudo

e não sei se devo agradecer

ou esquecer.

Porque amar alguém

também pode ser

aprender a aceitar

que essa pessoa

talvez nunca tenha pertencido

à história que você imaginou.

Talvez amanhã

você seja apenas lembrança.

Talvez um dia

eu passe por você

sem sentir nada.

E talvez essa seja

a verdadeira liberdade:

não esquecer que amei,

mas finalmente compreender

que o amor que senti

não precisa continuar

me destruindo.

Porque eu não fui metade.

Não fui mentira.

Não fui uma versão incompleta

de mim mesmo.

Eu fui inteiro.

Eu fui verdadeiro.

Eu fui cem por cento.

E se tudo isso

foi apenas uma ilusão...

então foi a ilusão

mais real

que eu já vivi.

(Lediuson Oliveira )

Thoughts

  • peu

    Pesado.

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  • passaporteVencido

    Os pequenos restos que você cita não são só as fotos. Pra mim foram as senhas que eu ainda sabia de cor, o lado da cama que continuou do mesmo jeito, a assinatura de uma coisa que a gente escolheu junto. Levei um ano e meio limpando isso e ainda aparece coisa.

    Permalink
  • mma1998

    Amor e odio morando perto eu vivi no ano passado. Levava raiva pra dentro e no dia seguinte estava com saudade da mesma pessoa >_<

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  • mcardoso41

    O amor e o ódio a morarem tão perto é a parte que eu reconheço. Cá em casa passei um ano a dormir no quarto pequeno e nesse tempo também não sabia dizer o que era aquilo que ainda sentia por ela. Não se arrumou por nenhuma conclusão, arrumou-se por cansaço. Não sei se isto serve a mais alguém.

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  • jpaulo107

    Não saber se agradeces ou se esqueces fica assim durante uns anos. Depois deixa de ser pergunta e passa a ser uma coisa que está só lá.

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  • guguzinho07

    Nao entendi metade mas isso de trocar o rosto em uma semana me deu um aperto. tenho 18 e ja vi acontecer com uns amigos meus

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  • LEIDIANE

    Menina, gostei muito da parte em que você diz que não foi metade nem mentira. Isso ali é verdade e não precisa de mais nada em volta!

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  • Iraceminha

    A semana que basta pra trocar o rosto é verdade e é feia de ouvir. Eu vi isso acontecer com um sobrinho meu e ainda fiquei com raiva dele.

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  • kleitonsilva

    massa

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  • Ovid

    A parte em que o tempo transforma o rosto numa fotografia que você já não reconhece é a que sustenta o texto todo. Me faz pensar em como a memória vai trocando a pessoa de lugar sem avisar. E o fim, onde você diz que não foi metade nem mentira, chega inteiro. Você tem mais poemas sobre esse rosto virando fotografia?

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