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Casulo de vidro.

roseforothers
Pensamento

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curioso52

Pelo jeito a Marina e a mineradora pesam igual, só que em lugares diferentes: na escola ela vira a palerma, e em casa a vila já não existe. Pra uma menina só, é coisa demais pra carregar.

Pelo jeito a Marina e a mineradora pesam igual, só que em lugares diferentes: na escola ela vira a palerma, e em casa a vila já não existe. Pra uma menina só, é coisa demais pra carregar.

Conteúdo da publicação

Às vezes, eu queria sumir. Sumir do mundo, dos olhos julgadores.

​Às vezes, eu queria sumir de mim mesma.

​No dia 25 de outubro, minha escola fez uma excursão para o zoológico da cidade. Nele, tinha um borboletário lindo.

​As borboletas voavam livremente, sem preocupação, sem qualquer entendimento de sua insignificância.

​Eu lembro desse sentimento. O sentimento de ter a cabeça vazia, com aquela leveza nos passos.

​Eu sentia isso com a minha mãe. O jeito que ela acariciava meus cabelos escuros até eu dormir, ou como nós brincávamos em meio às tempestades da Amazônia.

​Infelizmente, não estou em uma gaiola de vidro. Sinto um pedaço de folheto sendo jogado sobre minha cabeça. Era a Marina, de novo.

​Ela grita algo a que não presto atenção, parecido com "patética" ou talvez "palerma". Não sei.

​Só consigo pensar na minha mãe, na forma como seu sorriso animava toda a nossa vila. Ela sorriu até o seu último suspiro, até não ter mais nada a não ser escuridão em seus olhos.

​Naquela mesma noite, fui até o lago da minha vila, ou o que restou dela — o local onde eu costumava morar antes de ser transformado em uma simples mineradora.

​Ajoelho-me no chão, fechando meus olhos ainda marejados de lágrimas de frustração, e então começo a rezar:

​— Mama Wayra, eu te imploro, te suplico... para que eu importe. Para que, pelo menos em algum lugar do mundo, meu povo e minha cultura tenham significância.

​— Me ajude a sentir o calor da minha mãe pelo menos mais uma vez.

​De repente, sinto uma sensação estranha, como um desconforto em meus pulmões. Consigo senti-los se comprimindo e diminuindo na minha caixa torácica. Cavidades que lentamente vão se tornando olhos que crescem na minha cabeça em todas as direções.

​Em meio à dor, eu só consigo sorrir. Um sorriso genuíno e fraco.

Asas vermelhas com pontas brancas surgem nas minhas costas, quebrando parte da minha espinha e tentando se ajustar ao meu corpo.

Eu olho para cima. Vejo as estrelas, ouço a cantoria dos pássaros e mesmo não conseguindo mais respirar, solto um suspiro aliviada.

— eu estou indo, mamãe.

Fecho os olhos, pelo menos os que eu sei controlar.

Assim, eu morro. Escondida, desprotegida e, desejando até minha última respirada, que eu tenha feito a diferença.

Essa é a história de Kallpa, uma garota indígena Quechuá que queria que que seu povo fosse importante, ao invés de menosprezados e mortos como insetos.

Esse mini texto é meu primeiro trabalho. Sei que não é perfeito, mas fico feliz de ter escrito. E, para aqueles que ficaram curiosos, Kallpa se tornou uma borboleta Diaethria.

Escrito por roseforothers.

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  • curioso52

    Pelo jeito a Marina e a mineradora pesam igual, só que em lugares diferentes: na escola ela vira a palerma, e em casa a vila já não existe. Pra uma menina só, é coisa demais pra carregar.

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Às vezes, eu queria sumir. Sumir do mundo, dos olhos julgadores.

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