Lá no bar tem um senhor que toda sexta pede a cerveja que o compadre dele bebia, e o compadre já se foi faz uns anos. Ele nem bebe, deixa na mesa e fica conversando. Lembrei dele com o Harry Potter de vocês duas.
Carta para uma amiga que se foi
Pensamento
Lá no bar tem um senhor que toda sexta pede a cerveja que o compadre dele bebia, e o compadre já se foi faz uns anos. Ele nem bebe, deixa na mesa e fica conversando. Lembrei dele com o Harry Potter de vocês duas.
Conteúdo da publicação
As amizades que nem o tempo consegue levar
Oi, amiga.
Já faz cinco anos que você se foi.
Cinco anos desde a última mensagem que trocamos. E, por mais que o tempo tenha passado, ainda existe uma parte de mim que não consegue acreditar que aquela seria a nossa última conversa. Se eu soubesse, teria demorado mais para responder? Teria dito mais alguma coisa? Teria aproveitado aqueles últimos minutos de um jeito diferente?
Não sei. A verdade é que a gente nunca sabe quando uma despedida está acontecendo. Às vezes, ela chega disfarçada de uma conversa qualquer, de uma mensagem respondida sem muita importância, de um simples até logo. E só depois entendemos que aquele momento, tão comum aos nossos olhos, se tornou uma das lembranças mais preciosas que guardamos.
Confesso que demorei meses para apagar as nossas conversas. E, mesmo depois de tanto tempo, ainda carreguei comigo aquele áudio seu dizendo que queria que o seu coração pudesse ser doado a alguém, para que continuasse batendo em algum lugar.
Amiga, você não faz ideia do quanto essas palavras ficaram guardadas em mim.
Infelizmente, não foi possível realizar esse desejo. Mas, pensando bem, acho que o seu coração encontrou outras maneiras de continuar batendo. Ele continua vivo nas memórias de quem teve o privilégio de conhecer você, nas pessoas que receberam o seu carinho, nos conselhos que ficaram ecoando, nas risadas que ainda provocamos quando contamos alguma história sua.
E continua vivo aqui também. Em mim. Na Fabi. Em nós, que ainda encontramos um jeito de falar de você mesmo quando a saudade aperta tanto que os olhos se enchem de lágrimas antes mesmo de conseguirmos terminar uma frase.
Às vezes, eu e a Fabi estamos conversando sobre qualquer coisa e, de repente, lá está você no meio da conversa. Uma lembrança puxa outra, uma história nos leva a outra, e quando percebemos já estamos rindo e chorando ao mesmo tempo.
Porque, amiga, você deixou histórias demais para ser esquecida.
E saudade demais para ser lembrada sem emoção.
Sabe uma coisa engraçada? Eu nem consigo me lembrar direito de como nos tornamos tão próximas. Não sei dizer exatamente em que momento deixamos de ser apenas conhecidas para nos tornarmos aquelas amigas que sabiam tanto uma da outra, que podiam conversar sobre qualquer coisa e que encontravam motivos para rir até nos dias mais difíceis.
Mas me lembro de uma história de quando a gente ainda nem andava juntas.
Era a primeira vez que eu ficava com um cara, e adivinha? Ele era da sua sala!
Eu estava lá, no beco, com ele, toda sem jeito, vivendo aquele momento que, para mim, parecia uma coisa enorme. Até que você passou pela outra rua, nos viu e deu um grito!
Amiga, eu quase morri de vergonha naquele dia!
E pensar que aquilo, que na hora parecia o fim da minha dignidade, acabou se tornando uma das nossas histórias. Porque era assim com a gente: até os momentos em que eu queria desaparecer viravam motivo de piada depois.
Você tinha esse dom de transformar as minhas vergonhas em lembranças que, anos mais tarde, ainda me fariam rir.
E como você gostava de rir de mim!
Principalmente quando o assunto era homem.
Você era o meu ombro para chorar pelo bonitinho, mas também era aquela pessoa que me fazia enxergar as burradas que eu mesma tinha feito por não ouvir vocês e preferir seguir os conselhos de outras pessoas.
Quantas vezes você deve ter pensado: “Meu Deus, será que ela não aprende?”
E eu, provavelmente, aprendendo do jeito mais difícil aquilo que você já tentava me ensinar fazia tempo.
Você sempre me dizia que eu precisava me valorizar, me amar primeiro, cuidar de mim, me arrumar, reconhecer o meu próprio valor. Naquela época, talvez eu não compreendesse tudo o que você queria me ensinar. Talvez eu estivesse tão ocupada tentando ser escolhida por alguém que nem percebesse que precisava aprender a escolher a mim mesma.
Mas você percebia.
Você enxergava coisas em mim que eu ainda não conseguia enxergar sozinha.
Lembro de quantas vezes eu passava na sua casa antes de ir para o culto. Às vezes, era só para conversar um pouquinho, mas a gente sabe que esse pouquinho quase nunca era tão pequeno assim. Eu chegava com uma história, uma dúvida, uma decepção ou simplesmente com vontade de falar, e você estava ali.
Me ouvindo.
Me aconselhando.
Me apoiando.
E, quando eu mesma duvidava dos meus sonhos, você me incentivava a ir atrás deles.
Hoje, quando penso nisso, percebo que a sua amizade foi um daqueles presentes que a gente só entende completamente quando olha para trás. Você não precisava fazer grandes coisas para ser importante. Às vezes, bastava me escutar. Às vezes, bastava uma palavra. Em outras ocasiões, bastava estar ali, sentada comigo, enquanto eu falava sem parar.
E olha que assunto nunca foi problema para mim, né?
Aliás, acredita que, depois de tanto tempo, eu e a Fabi finalmente paramos para assistir Harry Potter só porque você insistiu tanto?
Pois é, amiga! Nós não gostávamos!
Você falava tanto, insistia tanto, parecia até que receberia uma comissão se conseguisse convencer a gente. E agora, olha só para nós: assistindo justamente aquilo que você queria que assistíssemos.
Te confesso que, em alguns momentos, eu me peguei pensando em você, imaginando a sua reação se soubesse que finalmente tínhamos cedido.
Mas sabe o que é pior? Até hoje não conseguimos entender por que você gostava tanto!
Sim, amiga. Cinco anos depois, e essa questão continua sem resposta.
Consigo imaginar você rindo da nossa cara e dizendo que a gente não sabia apreciar uma coisa boa. E nós provavelmente continuaríamos discordando, só para ter mais um motivo para discutir com você.
É estranho como algumas coisas tão simples se tornam tão preciosas depois que alguém parte. Um filme que antes não tinha importância passa a carregar uma lembrança. Uma piada antiga ganha outro significado. Uma conversa qualquer se transforma em algo que daríamos tudo para viver mais uma vez.
Hoje, quem me consola e tira sarro da minha cara é a Fabi.
Ela aprendeu direitinho com você!
Às vezes, eu olho para ela e percebo um pouquinho de você nas brincadeiras, no jeito de reagir às minhas histórias e na maneira como ela consegue me fazer rir mesmo quando estou tentando manter a seriedade.
Quando acontece alguma coisa que ela sabe que faria você rir, ela logo fala:
“Nossa, como ela ia rir de você por causa disso!”
E a gente ri.
Porque, de alguma maneira, é como se você ainda fizesse parte da conversa. Como se a sua risada estivesse ali, escondida entre as nossas palavras, esperando a gente terminar a história para começar tudo de novo.
Eu sinto falta disso, amiga.
Sinto falta dos nossos cafés da tarde na sua casa, de quando nos juntávamos para assistir a um filme e, no fim, ninguém prestava atenção em absolutamente nada porque eu sempre acabava virando o assunto preferido seu e da Fabi.
Eu deveria ter cobrado ingresso por tantas vezes que fui a atração principal daquela programação!
Vocês duas, juntas, eram um perigo para a minha reputação.
E eu reclamava, fingia indignação, provavelmente dizia que vocês não prestavam, mas, no fundo, gostava de saber que podia ser eu mesma perto de vocês. Podia falar besteira, contar meus segredos, confessar minhas vergonhas e rir de mim mesma sem precisar fingir ser alguém diferente.
Acho que é isso que mais sinto falta: de ter um lugar onde eu não precisava me explicar tanto.
Você foi uma das poucas pessoas com quem eu conseguia me abrir de verdade. Minha amiga, minha confidente, alguém diante de quem eu não precisava esconder todas as minhas fragilidades.
Você conhecia minhas histórias, minhas escolhas erradas, minhas inseguranças e meus medos. Conhecia aquela parte de mim que nem sempre eu tinha coragem de mostrar para o mundo.
E, ainda assim, você permanecia.
Não porque concordasse com tudo o que eu fazia, mas porque se importava o suficiente para me dizer quando eu estava errada. Você sabia me acolher, mas também sabia me chamar à razão. Sabia brincar comigo, mas também reconhecia quando eu precisava de uma conversa séria.
Você me ajudou a enxergar o melhor de mim, mesmo quando eu parecia determinada a olhar apenas para os meus defeitos.
E nunca vou esquecer disso.
Lembro também de quando me envolvi pela primeira vez com alguém depois de tanto tempo colecionando decepções. Você me aconselhou a ter cuidado. Não queria que eu me machucasse, e eu sabia que suas palavras vinham de um lugar de carinho.
Mas também me lembro de uma coisa que você me disse naquele período.
Foi a primeira vez que você falou que o meu olhar estava diferente. Que havia nele um brilho novo, um brilho de mulher, como você mesma dizia.
Eu guardei aquilo.
Talvez porque, naquele momento, você tenha percebido em mim uma alegria que eu ainda estava aprendendo a reconhecer. Talvez porque, antes mesmo de eu conseguir explicar o que estava sentindo, você tenha notado que alguma coisa havia mudado.
Você me enxergava, amiga.
E como é precioso ser enxergada por alguém!
Quando aquela pessoa morreu, foi você quem esteve ao meu lado. Foi você quem me acolheu em meio à dor, quem me ajudou a atravessar um momento que eu não sabia como enfrentar. Você esteve ali quando eu precisei de consolo, quando as coisas pareciam pesadas demais e quando eu mesma não conseguia compreender tudo o que estava sentindo.
E foi você também quem percebeu quando eu estava entrando em depressão. Você me ajudou a enxergar que eu não estava bem e me deu apoio para sair daquele lugar.
Às vezes, penso em quantas vezes Deus cuida da gente por meio de pessoas que coloca no nosso caminho. Pessoas que chegam sem que a gente saiba a importância que terão, mas que acabam se tornando parte da nossa história de uma maneira que jamais poderíamos imaginar.
Você foi uma dessas pessoas na minha vida.
E então, amiga, veio a sua partida.
Um baque para o qual eu não estava preparada. Uma dor que chegou sem aviso, sem pedir licença e sem nos dar tempo de viver tudo aquilo que ainda sonhávamos viver juntas.
A morte não esperou que terminássemos nossas conversas. Não esperou que assistíssemos a todos os filmes que você queria nos mostrar. Não esperou que tomássemos mais cafés, que déssemos mais risadas, que eu tivesse a oportunidade de agradecer por tudo o que você representava para mim.
Simplesmente chegou.
E eu precisei aprender a viver em um mundo no qual você já não estava fisicamente presente.
Por muito tempo, talvez eu tenha pensado mais em tudo o que perdemos do que em tudo o que tivemos. Nos momentos que não aconteceram, nas conversas que ficaram por ter, nos planos que não saíram do papel.
Mas hoje, quando olho para a nossa história, quero me lembrar também da sorte que tivemos.
Porque, apesar de a vida não ter nos permitido viver tudo o que imaginávamos, ela nos deu tempo suficiente para construir uma amizade que nem cinco anos de ausência conseguiram apagar.
E isso não é pouca coisa.
Eu acredito que você está com Deus. Penso na sua fé, na maneira como demonstrava amor pelas pessoas ao seu redor, no carinho com que cuidava de quem fazia parte da sua vida. E encontro conforto em imaginar que você está nos braços daquele em quem tanto acreditava.
Ainda assim, a fé não faz a saudade desaparecer.
A gente pode acreditar nas promessas de Deus e, mesmo assim, sentir falta. Pode encontrar consolo na esperança e ainda chorar quando uma lembrança aparece sem avisar. Pode agradecer pelo tempo vivido e desejar, lá no fundo do coração, que tivesse existido mais tempo.
Uma coisa não anula a outra.
E eu sinto saudade de você de tantas maneiras que, às vezes, nem sei por onde começar a explicar.
Sinto falta das nossas conversas antes do culto. Das tardes na sua casa. Das nossas histórias, das suas opiniões sobre a minha vida amorosa e daquele seu jeito de me fazer perceber o óbvio quando eu parecia incapaz de enxergá-lo.
Sinto falta até das coisas que, na época, pareciam pequenas demais para merecer uma lembrança especial.
Quem diria que um dia eu sentiria tanta saudade de ser zoada por você?
Quem diria que um filme que eu não queria assistir se tornaria uma lembrança tão bonita?
Quem diria que aquelas conversas que pareciam nunca ter fim um dia seriam interrompidas pelo silêncio da sua ausência?
Se eu pudesse voltar no tempo, não sei se faria grandes declarações. Talvez simplesmente aparecesse na sua casa antes do culto, como tantas outras vezes. Sentaria com você, aceitaria um café, ouviria suas histórias e deixaria você rir de mim mais uma vez.
Talvez até assistisse a Harry Potter sem reclamar tanto.
Não prometo que gostaria, mas faria esse sacrifício pela nossa amizade!
E, quando chegasse a hora de ir embora, talvez demorasse um pouquinho mais. Não por saber que um dia sentiria sua falta, mas porque gostaria de aproveitar mais um daqueles momentos comuns que, sem que percebêssemos, estavam se tornando eternos dentro de nós.
Amiga, sinto muito por não ter conseguido acompanhar de perto o crescimento da sua filha. É uma parte da sua história que continua acontecendo, mesmo com a sua ausência, e eu gostaria de ter estado mais perto. Sempre que vejo seu marido, pergunto por ela, porque, de alguma forma, saber dela é também uma maneira de continuar me lembrando de você.
Imagino quantas coisas você gostaria de lhe contar, quantas risadas gostaria de compartilhar e quantos momentos gostaria de acompanhar. E meu coração se aperta ao pensar em tudo o que a vida não permitiu.
Mas espero que, por meio das lembranças, das histórias e do amor que você deixou, ela possa conhecer um pouquinho da mulher que você foi.
A amiga que me ouvia falar do bonitinho.
A mulher que me ensinava a me valorizar.
Aquela que me aconselhava mesmo quando eu não queria escutar.
A que gostava tanto de Harry Potter que conseguiu fazer duas pessoas que não gostavam do filme finalmente assistirem.
A que ria de mim, comigo e, provavelmente, de algumas das minhas decisões que nem mereciam defesa.
A mulher de fé que amava as pessoas e deixava um pouquinho de si em cada uma delas.
Eu queria que você soubesse o quanto foi importante. Queria que pudesse enxergar como a sua amizade ultrapassou os dias em que estivemos juntas. Você talvez nunca tenha imaginado que, cinco anos depois, eu ainda estaria escrevendo uma carta para você, tentando colocar em palavras tudo aquilo que continua vivo aqui dentro.
Talvez você soubesse.
Afinal, você me conhecia de um jeito que poucas pessoas conheceram.
Hoje, a Fabi continua aqui, dividindo comigo as lembranças, as brincadeiras e aquela saudade que, de vez em quando, aparece no meio de um dia comum. E eu agradeço a Deus por ter alguém com quem posso falar de você sem precisar explicar quem você foi, porque ela também viveu tudo isso conosco.
Nós não precisamos contar a história inteira para entender a importância de cada detalhe.
Basta mencionar seu nome.
Basta lembrar de alguma situação.
Basta uma de nós dizer: “Você lembra quando ela...”
E pronto.
Lá estamos nós outra vez, rindo de uma história antiga, com os olhos cheios de lágrimas e o coração apertado por tudo o que passou.
Cinco anos, amiga.
Cinco anos sem ouvir sua voz, sem receber suas mensagens, sem encontrar você na sua casa antes do culto. Cinco anos sem poder contar uma novidade e esperar pela sua reação. Cinco anos aprendendo que existem ausências que não desaparecem; apenas encontram um lugar dentro da gente.
Mas também são cinco anos de histórias preservadas, de lembranças compartilhadas e de amor que não terminou no dia em que nos despedimos.
Hoje entendo que algumas amizades não precisam durar uma vida inteira para se tornarem inesquecíveis. Elas precisam ser verdadeiras enquanto existem. Precisam nos transformar, nos ensinar, nos acolher e deixar alguma coisa boa dentro de nós.
E você deixou.
Deixou conselhos que ainda carrego comigo. Deixou risadas que ainda consigo ouvir na memória. Deixou histórias que eu e a Fabi continuaremos contando. Deixou marcas na mulher que sou hoje, inclusive nas partes de mim que aprendi a valorizar porque você me ensinou a enxergá-las.
Você foi minha amiga em dias bons e ruins. Foi colo quando eu precisei, sinceridade quando eu estava errada e companhia quando a vida parecia pesada demais.
E, mesmo sem perceber, me ensinou que ser amada por uma amiga também é ser cuidada, corrigida, lembrada e aceita.
Sei que não posso voltar àquele último dia, mandar outra mensagem ou prolongar aquela conversa. Não posso recuperar os cafés que não tomamos nem as histórias que ainda contaríamos.
Mas posso fazer algo por você.
Posso continuar me lembrando.
Posso contar nossas histórias, rir das nossas vergonhas, assistir aos filmes que você tanto insistia para que víssemos e falar de você com a mesma espontaneidade com que falávamos quando você ainda estava aqui.
Posso guardar com carinho tudo aquilo que a saudade, às vezes, tenta transformar apenas em dor.
E posso agradecer.
Agradecer a Deus por ter cruzado nossos caminhos, por ter me permitido conhecer você e por ter me dado a oportunidade de viver uma amizade que se tornou parte de quem eu sou.
Porque, se a sua partida me ensinou alguma coisa, foi que a gente nunca deveria tratar como pequeno aquilo que faz a vida valer a pena.
Um café da tarde.
Uma conversa antes do culto.
Uma amiga que percebe quando o nosso olhar muda.
Uma risada que começa com uma história boba e termina com todo mundo chorando de tanto rir.
Um filme que ninguém presta atenção porque alguém virou o assunto principal.
Um conselho que só faz sentido anos depois.
São essas coisas que formam uma vida. São essas coisas que constroem uma amizade. E são essas coisas que permanecem quando já não podemos compartilhar o mesmo espaço.
Você se foi há cinco anos, amiga, mas não se tornou apenas alguém de quem sinto saudade. Você continua sendo alguém de quem me lembro com amor, alguém que fez parte da minha história e que ainda encontra maneiras de aparecer nela.
E sabe o que eu acho mais bonito?
É que, mesmo depois de tanto tempo, nós ainda rimos por sua causa.
Ainda contamos suas histórias.
Ainda lembramos de você quando alguma coisa acontece e pensamos em como seria a sua reação.
Talvez seja essa uma das formas mais bonitas de permanecer: continuar provocando sorrisos mesmo na ausência, continuar fazendo parte das conversas mesmo sem estar presente e continuar sendo lembrada não apenas pela dor da despedida, mas pela alegria de ter existido.
Então, minha amiga, onde quer que as nossas lembranças me levem, vou continuar guardando você com carinho.
E, se um dia eu pudesse lhe contar tudo isso olhando nos seus olhos, acho que começaria dizendo que sinto sua falta.
Depois, provavelmente, contaria alguma novidade, você daria sua opinião, a Fabi entraria na conversa e, em poucos minutos, estaríamos as três rindo de alguma coisa que eu fiz.
Porque algumas coisas nunca precisaram ser diferentes para serem perfeitas.
E a nossa amizade, com todos os conselhos, as vergonhas, os cafés, as conversas e as risadas, foi uma dessas coisas.
Obrigada por ter sido minha amiga.
Obrigada por ter me ouvido quando eu precisei falar, por ter me aconselhado quando eu não sabia o que fazer, por ter me ajudado a enxergar meu valor e por ter permanecido ao meu lado em momentos que eu jamais conseguiria atravessar da mesma maneira sozinha.
Obrigada por cada lembrança que hoje me faz chorar, mas também me faz sorrir.
Eu queria ter tido mais tempo com você. Queria que tivéssemos vivido mais histórias, assistido a mais filmes e tomado muitos outros cafés da tarde.
Mas, já que não posso mudar o tempo que tivemos, escolho agradecer por tudo o que ele nos permitiu viver.
Cinco anos depois, continuo sentindo sua falta.
Continuo desejando que você estivesse aqui para ouvir minhas histórias e rir das minhas trapalhadas.
E continuo acreditando que o amor que Deus nos permite viver por meio das pessoas não perde o seu valor quando precisamos nos despedir delas.
Você faz parte de mim, amiga.
E sempre que eu e a Fabi começarmos uma história com um “Você lembra dela?”, pode ter certeza de que, por alguns instantes, você estará conosco outra vez.
Com saudade, com amor e com aquele sorriso que aparece mesmo quando os olhos estão cheios de lágrimas.
Da sua amiga, que ainda tem tantas histórias para contar sobre você.
Thoughts
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PermalinkHarry Potter venceu 😅
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PermalinkLá no bar tem um senhor que toda sexta pede a cerveja que o compadre dele bebia, e o compadre já se foi faz uns anos. Ele nem bebe, deixa na mesa e fica conversando. Lembrei dele com o Harry Potter de vocês duas.
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PermalinkO áudio dela querendo que o coração continuasse batendo em alguém ficou comigo. A carta acaba fazendo isso do jeito que dava: cinco anos depois, gente que nunca a conheceu está aqui lendo sobre ela.
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PermalinkO grito dela lá no beco me fez rir aqui parada no posto. Bom demais saber que a Fabi herdou o cargo de tirar sarro de você.
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